---
type: insight
format: flagship
sector: agro
sector_name: Agronegócio e Foodtech
title: "Recorde na balança, recorde no tribunal: quem paga a conta quando o agro produz mais e ganha menos"
question: Se o Brasil exporta cada vez mais, por que tantos produtores estão em recuperação judicial, e para onde vai o valor do agro na próxima fase?
published: 2026-10-06
updated: 2026-10-06
reading: 36
tags: [crédito rural, recuperação judicial, CPR, China, soja, armazenagem, EUDR]
labels: [Research, Analysis, Thesis]
image: /assets/img/insights/agro/hero.webp
image_alt: Colheitadeira trabalhando em lavoura de grãos ao entardecer, com poeira no ar
thesis_short: A crise do agro não é de produção nem de demanda, é de balanço. O valor migra para quem controla o fluxo físico do grão e os dados que precificam o crédito.
---

# Recorde na balança, recorde no tribunal: quem paga a conta quando o agro produz mais e ganha menos

<p class="lead">O Brasil colheu 361,7 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26 e exportou US$ 118,5 bilhões em produtos do agro de janeiro a agosto de 2026, os dois recordes da série. No mesmo período, a inadimplência do crédito rural de pessoas físicas saiu de 0,77% para 9,69% e os pedidos de recuperação judicial no agro quase quadruplicaram em dois anos. Este estudo explica por que os dois recordes convivem, quem está absorvendo a perda e onde o valor vai se acumular.</p>

:::cover:::

## Sumário executivo {#sumario}

:::exec
- **O que encontramos:** o agro brasileiro vive um descasamento entre volume e valor. A produção de soja cresceu 36% entre 2022 e 2025, mas o valor da produção caiu 9% em reais correntes; a receita por tonelada recuou de R$ 2.863 para R$ 1.907. O fertilizante não acompanhou a queda: em 2025 uma tonelada de DAP custava 1,65 tonelada de soja no mercado internacional, contra 0,77 em 2020. A dívida contraída no ciclo de 2020 a 2022, com Selic de 2%, está sendo paga com Selic de 15% e preço de soja 39% menor.
- **Por que importa:** a carteira de crédito rural de pessoas físicas soma R$ 557,8 bilhões (ago/2026) e 9,69% dela está em atraso acima de 90 dias, o equivalente a cerca de R$ 54 bilhões. Nas linhas a taxas de mercado, a inadimplência chega a 17,56%. Foram 1.990 pedidos de recuperação judicial no agro em 2025, contra 534 em 2023.
- **Principal mudança:** o financiamento do produtor migrou do crédito controlado e barato para títulos privados a preço de mercado. O estoque de CPR saltou de R$ 156,9 bilhões (jun/2022) para R$ 576,4 bilhões (jun/2026). A lei de recuperação judicial protege justamente o crédito bancário controlado e a CPR física e o barter, empurrando a perda para revendas, CPR financeira e fornecedores sem garantia.
- **Principal risco:** a dependência de um comprador que decide por cota. A China levou 34,1% das exportações do agro em 2026 e, com a salvaguarda sobre carne bovina em vigor desde janeiro, as vendas desse produto ao país caíram 89,6% em agosto. Um segundo choque de preço com crédito ainda caro transformaria uma crise de balanço em crise de oferta.
- **Principal oportunidade:** precificar o crédito rural por dados do fluxo físico (produção georreferenciada, armazenagem, notas, livro-caixa digital), que são os mesmos dados exigidos pelo regulamento europeu antidesmatamento a partir de 30/12/2026. Quem juntar rastreabilidade, armazenagem e originação de crédito ocupa o lugar que as revendas alavancadas deixaram vago.
- **Tese Instfy:** a crise do agro é de balanço, não de produção nem de demanda. O valor da próxima fase migra para quem controla o fluxo físico do grão (barter, CPR física, armazém) e os dados que permitem emprestar contra ele.
:::

:::kpis
[{"value":"361,7 Mt","label":"safra de grãos 2025/26, recorde (Conab, set/2026)","src":3},
 {"value":"US$ 118,5 bi","label":"exportações do agro jan-ago/2026, recorde para o período","src":7},
 {"value":"9,69%","label":"inadimplência do crédito rural a pessoas físicas (ago/2026), ante 0,77% em dez/2022","src":10},
 {"value":"1.990","label":"pedidos de recuperação judicial no agro em 2025 (534 em 2023)","src":15},
 {"value":"R$ 576 bi","label":"estoque de CPR registrada (jun/2026), +267% em quatro anos","src":13},
 {"value":"34,1%","label":"fatia da China nas exportações do agro (jan-ago/2026)","src":7}]
:::

## O fenômeno em números {#numeros}

Comece pelos números que costumam abrir as apresentações do setor. O PIB do agronegócio calculado pelo Cepea/USP e pela CNA chegou a R$ 3,20 trilhões em 2025, alta de 12,2% sobre 2024, e a participação no PIB do Brasil subiu de 22,9% para 25,13%[^1] {{FATO}}. A Conab estima a safra de grãos 2025/26 em 361,7 milhões de toneladas, com soja em 180,4 milhões de toneladas e milho em 144,0 milhões[^3] {{FATO}}. As exportações do agro somaram US$ 169,2 bilhões em 2025, recorde, com a China comprando US$ 55,3 bilhões (32,7%)[^8] {{FATO}}, e de janeiro a agosto de 2026 já são US$ 118,5 bilhões, outro recorde para o período[^7] {{FATO}}.

Agora os números que raramente aparecem no mesmo slide. O valor da produção de soja medido pelo IBGE caiu de R$ 347,3 bilhões em 2022 para R$ 315,2 bilhões em 2025, enquanto a quantidade subiu de 121,3 para 165,3 milhões de toneladas[^4] {{FATO}}. O PIB do agro recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026, puxado por um segmento primário 4,15% menor, e a participação no PIB nacional voltou para 22,8%; o próprio Cepea atribui a queda a preços que superaram os ganhos de produção[^2] {{FATO}}.

:::chart
{"type":"line","title":"A soja produz cada vez mais e vale menos: quantidade e valor da produção (índice 2022 = 100)","unit":"índice","period":"2022-2025",
 "labels":["2022","2023","2024","2025"],
 "series":[{"name":"Quantidade produzida","values":[100,125.4,119.1,136.3]},{"name":"Valor da produção (R$ correntes)","values":[100,100.4,74.9,90.8]}],
 "src":[4],"note":"Cálculo Instfy sobre a Produção Agrícola Municipal (IBGE, tabela 5457). Valores nominais; em termos reais a queda do valor é maior."}
:::

No crédito, o descolamento é ainda mais nítido. A inadimplência da carteira rural de pessoas físicas (atrasos acima de 90 dias, recursos direcionados) estava em 0,77% em dezembro de 2022, subiu para 2,33% em dezembro de 2024, 6,58% em dezembro de 2025 e 9,69% em agosto de 2026[^10] {{FATO}}. Nas operações rurais de pessoas físicas a taxas de mercado, a taxa foi de 0,51% para 17,56% no mesmo intervalo[^10] {{FATO}}. Já a inadimplência rural de pessoas jurídicas está em 0,96%[^10] {{FATO}}. A crise tem CPF.

:::chart
{"type":"line","title":"Onde a inadimplência explodiu: crédito rural a pessoas físicas, por tipo de taxa (% da carteira com atraso acima de 90 dias)","unit":"%","period":"dez/2018 a ago/2026",
 "labels":["dez/18","dez/19","dez/20","dez/21","dez/22","dez/23","dez/24","dez/25","ago/26"],
 "series":[{"name":"PF, taxas de mercado","values":[3.06,2.13,1.34,0.59,0.51,1.2,3.8,12.09,17.56]},{"name":"PF, total","values":[2.49,2.58,1.72,1.1,0.77,1.15,2.33,6.58,9.69]},{"name":"PF, taxas reguladas","values":[2.44,2.68,1.84,1.34,0.9,1.11,1.16,2.72,3.83]},{"name":"PJ, total","values":[0.72,5.75,0.76,0.49,0.25,0.42,0.37,0.6,0.96]}],
 "src":[10],"note":"Banco Central, séries SGS 21146, 21148, 21147 e 21136. Recursos direcionados."}
:::

A carteira que inadimple também cresceu muito. O saldo de crédito rural a pessoas físicas passou de R$ 190,8 bilhões em dezembro de 2018 para R$ 407,7 bilhões em dezembro de 2022 e R$ 557,8 bilhões em agosto de 2026[^11] {{FATO}}. Aplicada a taxa de 9,69% ao saldo, há cerca de R$ 54 bilhões em atraso acima de 90 dias somente nessa carteira {{INFERÊNCIA}}. Esse número não inclui CPR registrada fora do sistema bancário nem dívidas com revendas e tradings, que não aparecem nas estatísticas do Banco Central.

Os pedidos de recuperação judicial seguem a mesma curva. A Serasa Experian contou 534 pedidos no agro em 2023, 1.272 em 2024 e 1.990 em 2025 (853 de produtores pessoa física, 753 de produtores pessoa jurídica e 384 de empresas da cadeia)[^15] {{FATO}}. No primeiro trimestre de 2026 foram 474, alta de 21,9%; os produtores pessoa jurídica cresceram 73,5% (196 pedidos), enquanto os pessoa física recuaram 6,7% (182)[^14] {{FATO}}.

:::chart
{"type":"bar","title":"Pedidos de recuperação judicial no agro quase quadruplicaram em dois anos","unit":"pedidos","period":"2023-2025",
 "labels":["2023","2024","2025"],
 "series":[{"name":"Total de pedidos","values":[534,1272,1990]}],
 "src":[15],"note":"Serasa Experian: produtores pessoa física, produtores pessoa jurídica e empresas relacionadas ao agro. No 1T26 foram 474 pedidos (+21,9% a/a)."}
:::

## Como chegamos até aqui {#historia}

A crise atual foi construída em três movimentos, nenhum deles irracional quando foi feito.

**Primeiro movimento, 2020 a 2022: dinheiro barato e preço alto.** A Selic ficou em 2% de agosto de 2020 a março de 2021[^12] {{FATO}}. A soja no mercado internacional subiu de US$ 407 por tonelada (média de 2020) para US$ 675 (2022)[^22] {{FATO}}. Com real desvalorizado, a margem em reais foi a maior da década. O produtor fez o que qualquer gestor faria: comprou terra, máquina e abriu área. A área plantada de cereais, leguminosas e oleaginosas passou de 65,6 milhões de hectares em 2020 para 73,7 milhões em 2022 e 82,1 milhões em 2025[^5] {{FATO}}. O saldo do crédito rural a pessoas físicas mais que dobrou entre dezembro de 2020 e dezembro de 2023, de R$ 232,4 bilhões para R$ 480,1 bilhões[^11] {{FATO}}.

**Segundo movimento, 2021 a 2024: o funding mudou de natureza.** O crédito controlado (com taxa equalizada pelo Tesouro) não acompanhou a expansão. O espaço foi ocupado por CPR, CRA, LCA e Fiagro. O estoque de CPR registrada foi de R$ 156,9 bilhões em junho de 2022 para R$ 350,9 bilhões em junho de 2024; os Fiagros saíram de R$ 4,1 bilhões (mai/2022) para R$ 34,8 bilhões (mai/2024)[^13] {{FATO}}. Ao mesmo tempo, as revendas de insumos viraram bancos informais: financiavam o pacote tecnológico para pagamento na safra, muitas vezes com CPR financeira ou simples duplicata.

**Terceiro movimento, 2023 a 2026: preço cai, juro sobe, custo não cede.** A soja voltou para US$ 414 por tonelada em 2025 (média anual), 39% abaixo de 2022, enquanto o DAP fechou 2025 em US$ 685 e a ureia em US$ 423, mais que o dobro e 85% acima de 2020, respectivamente[^22] {{FATO}}. A Selic subiu a 15% em junho de 2025 e só começou a cair em março de 2026; está em 13,75% desde 17/09/2026[^12] {{FATO}}. Uma dívida tomada a 2% de custo de oportunidade passou a ser rolada a dois dígitos.

:::timeline
[{"year":"2020","text":"Selic chega a 2% (ago/2020). Começa o ciclo de expansão de área com crédito barato.","src":12},
 {"year":"2020","text":"Lei 14.112 reforma a recuperação judicial: produtor rural pessoa física passa a comprovar atividade pelo Livro Caixa Digital (LCDPR), mas crédito controlado e CPR física ficam fora.","src":17},
 {"year":"2022","text":"Soja a US$ 675/t e fertilizantes no pico (DAP a US$ 772/t, cloreto de potássio a US$ 863/t). Estoque de CPR em R$ 156,9 bi.","src":[22,13]},
 {"year":"2023","text":"534 pedidos de recuperação judicial no agro. Preço da soja começa a cair.","src":15},
 {"year":"2024","text":"Pedidos de RJ sobem para 1.272. Grandes revendas entram em reestruturação.","src":[15,16]},
 {"year":"2025","text":"Selic a 15% (jun). MP 1.314 autoriza até R$ 12 bi para liquidar dívidas rurais. RJ no agro bate 1.990 pedidos. Exportações recordes de US$ 169,2 bi.","src":[12,19,15,8]},
 {"year":"2026","text":"China aplica salvaguarda sobre carne bovina (cota de 1,106 Mt para o Brasil, tarifa adicional de 55% acima dela). Inadimplência rural PF chega a 9,69% (ago).","src":[24,10]},
 {"year":"2026","text":"30/12/2026: regulamento europeu antidesmatamento passa a valer para grandes e médios operadores.","src":25}]
:::

## O que está mudando agora {#mudancas}

Cinco mudanças estão em curso ao mesmo tempo, e elas interagem.

**1. O crédito barato encolhe enquanto o volume total cresce.** O Plano Safra 2026/27 tem R$ 610,3 bilhões, alta nominal de 2,7%, abaixo da inflação e dos R$ 623 a 674 bilhões pedidos pelas entidades do setor[^20] {{FATO}}. Os recursos equalizados caíram de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, porque cada real de subsídio ficou mais caro com a Selic alta; o custo de equalização para o Tesouro subiu 34%, para R$ 18,1 bilhões[^20] {{FATO}}. Na agricultura empresarial, os juros vão de 8% a 12,5% ao ano[^20] {{FATO}}. O plano é recorde no anúncio e menor no que interessa: a parcela de crédito com juro subsidiado caiu de 19,1% para 15,9% do total {{INFERÊNCIA}}.

**2. O mercado de capitais do agro parou de crescer na margem.** O estoque de CPR ainda subiu 12% em 12 meses, mas o volume de novos registros na safra 2025/26 foi de R$ 377,8 bilhões, 8% abaixo da safra anterior[^13] {{FATO}}. As LCAs, que dão funding barato aos bancos, encolheram 4% em um ano, para R$ 563,4 bilhões, depois que o Conselho Monetário Nacional endureceu as regras de lastro {{INDÍCIO}}. O estoque segue alto porque a dívida está sendo rolada, não porque há crédito novo abundante {{INFERÊNCIA}}.

**3. A China passou a gerir importação por cota.** Desde 1º de janeiro de 2026, a China aplica cotas por país para carne bovina, com tarifa adicional de 55% sobre o que exceder; a cota brasileira é de 1,106 milhão de toneladas, contra 1,33 milhão embarcado nos onze primeiros meses de 2025, e a medida vale por três anos[^24] {{FATO}}. Em agosto de 2026, as vendas de carne bovina in natura à China caíram 89,6% (de 157,97 mil para 16,08 mil toneladas)[^7] {{FATO}}, sinal compatível com cota esgotada {{INFERÊNCIA}}. O exportador conseguiu redirecionar: EUA (+385% no mês) e União Europeia (+119%)[^7] {{FATO}}.

**4. A rastreabilidade virou regra de acesso a mercado.** O regulamento europeu de produtos livres de desmatamento (EUDR) se aplica a grandes e médios operadores a partir de 30/12/2026 e a micro e pequenos a partir de 30/06/2027, para gado, soja, café, cacau, madeira, borracha e palma e seus derivados[^25] {{FATO}}. A exigência central é provar, com geolocalização da parcela, que o produto não vem de área desmatada recentemente. A União Europeia comprou US$ 17,5 bilhões do agro brasileiro de janeiro a agosto de 2026 (14,7% do total), com café, soja e farelo à frente[^7] {{FATO}}.

**5. A política comercial americana virou variável de curto prazo.** Os EUA impuseram tarifa total de 50% sobre produtos brasileiros a partir de agosto de 2025 com base na lei de emergência econômica (IEEPA), e a Suprema Corte americana considerou inconstitucional o uso dessa lei para tarifas em fevereiro de 2026[^26] {{FATO}}. As exportações do agro aos EUA caíram 19,6% de janeiro a agosto de 2026 (suco de laranja e café puxaram a queda), mas a carne bovina in natura cresceu 62,2%[^7] {{FATO}}.

## A economia do setor {#economia}

Para entender a crise é preciso olhar a conta do produtor de grãos por hectare, não o PIB.

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta para a soja 2026/27 em Mato Grosso um custo total de R$ 8.171 por hectare (alta de 16,7%), custo operacional efetivo de R$ 6.012 por hectare e produtividade de 62,4 sacas por hectare (queda de 5,4%)[^21] {{FATO}}. O Lajida esperado é de R$ 1.069 por hectare, 35% menor que na safra anterior, e a avaliação do instituto é que a receita bruta não cobre o custo total, que inclui o custo de oportunidade do capital[^21] {{FATO}}. Traduzindo: o produtor médio de soja em Mato Grosso paga as despesas de caixa, mas destrói valor sobre o capital empregado {{INFERÊNCIA}}.

Três forças explicam a compressão.

**Preço.** A soja é tomadora de preço. Pelo USDA, o Brasil deve exportar 115,0 milhões de toneladas na safra 2025/26, 61% das exportações mundiais, e a China deve importar 113,0 milhões, cerca de 60% das importações mundiais; os estoques finais globais estão em 125 milhões de toneladas[^23] {{FATO}}. Com um vendedor dominante, um comprador dominante e estoques confortáveis, não há prêmio de escassez {{INFERÊNCIA}}.

**Insumo.** O Brasil importou US$ 11,6 bilhões e 33,7 milhões de toneladas de adubos em 2025, 26,9% em valor vindos da Rússia[^9] {{FATO}}. O preço médio de importação foi de US$ 236 por tonelada em 2020, US$ 344 em 2025 e US$ 392 de janeiro a setembro de 2026 {{INFERÊNCIA}} (cálculo sobre Comex Stat[^9]). A relação de troca piorou de forma estrutural: em 2020, uma tonelada de soja comprava 1,3 tonelada de DAP; em 2025, comprava 0,6 {{INFERÊNCIA}}.

:::chart
{"type":"line","title":"A tesoura do produtor: soja caiu, fertilizantes não voltaram (US$ por tonelada, média anual)","unit":"US$/t","period":"2017-2025",
 "labels":["2017","2018","2019","2020","2021","2022","2023","2024","2025"],
 "series":[{"name":"Soja","values":[393,394,369,407,583,675,598,462,414]},{"name":"DAP (fosfatado)","values":[323,393,306,312,601,772,550,564,685]},{"name":"Ureia","values":[214,249,245,229,483,700,358,338,423]},{"name":"Cloreto de potássio","values":[218,216,256,241,543,863,383,295,348]}],
 "src":[22],"note":"Banco Mundial, Commodity Price Data (Pink Sheet), médias anuais calculadas pela Instfy a partir das séries mensais."}
:::

**Dinheiro.** A taxa média das operações de crédito rural a pessoas físicas com recursos direcionados foi de 5,67% ao ano em dezembro de 2020 e de 11,12% em agosto de 2026[^11] {{FATO}}. Para quem tomou crédito livre, CPR financeira ou prazo em revenda, o custo é maior. Um produtor que alavancou a expansão em 2021 paga hoje quase o dobro de juro sobre uma receita por tonelada um terço menor {{INFERÊNCIA}}.

:::note
**Por que o PIB subiu 12% em 2025 se a soja vale menos?** O crescimento veio da pecuária e dos serviços. A agroindústria de base pecuária avançou 36,5% e a de base agrícola caiu 3,3%; o segmento primário cresceu 17,1% com preços reais ainda elevados no início do ano, que depois caíram de forma sucessiva[^1]. O agregado mascara a divergência entre cadeias: carne e café tiveram ano de preço, grãos não.
:::

## Cadeia de valor {#cadeia}

:::chain
[{"step":"Insumos importados","detail":"Fertilizantes (US$ 11,6 bi importados em 2025, 27% da Rússia), defensivos, sementes. Poucos fornecedores globais, preço em dólar.","margin":"alta"},
 {"step":"Revenda e crédito de fornecedor","detail":"Distribui insumos e financia o produtor até a safra com prazo, duplicata ou CPR financeira. Elo mais alavancado do ciclo 2021-2024.","margin":"pressionada"},
 {"step":"Produtor de grãos","detail":"Toma preço na venda e no insumo; custo total de R$ 8.171/ha na soja de MT em 2026/27; Lajida -35%.","margin":"baixa"},
 {"step":"Armazenagem","detail":"Capacidade a granel de 210,5 Mt para 346 Mt produzidos (2025); só 24,7% dela está na fazenda.","margin":"média"},
 {"step":"Trading e originação","detail":"Compra o grão, financia via barter e CPR física (protegidos na RJ), controla logística até o porto.","margin":"média"},
 {"step":"Processamento e proteína","detail":"Esmagamento, frigoríficos, aves e suínos. Margem depende de habilitação sanitária e acesso a mercados por cota.","margin":"média"},
 {"step":"Mercado externo","detail":"China com 34,1% das exportações do agro em 2026; UE com 14,7% e regra de rastreabilidade a partir de dez/2026.","margin":"alta"}]
:::

A cadeia tem dois polos de poder de preço: o fornecedor global de insumos, de um lado, e o comprador final concentrado, do outro. O produtor fica no meio, tomando preço nas duas pontas, e o crédito de curto prazo é o que fecha a conta entre plantar e colher {{INFERÊNCIA}}.

## Onde o valor está sendo capturado {#valor}

O ponto mais importante deste estudo não está no preço, está na lei. A arquitetura jurídica da recuperação judicial do produtor rural decide quem perde quando o produtor quebra, e ela foi desenhada em 2020, antes da crise.

A Lei 11.101/2005, com a redação dada pela Lei 14.112/2020, estabelece que, no pedido do produtor rural, só entram na recuperação os créditos que decorram exclusivamente da atividade rural e estejam discriminados no Livro Caixa Digital e na declaração de imposto de renda; que **não se sujeitam** à recuperação os recursos controlados do crédito rural, salvo se não tiverem sido renegociados antes do pedido; e que também fica fora a dívida contraída nos três anos anteriores para compra de terras, com suas garantias[^17] {{FATO}}. A Lei 8.929/1994 acrescenta que **não se sujeitam** à recuperação os créditos vinculados à CPR com liquidação física, com antecipação de preço ou que representem troca por insumos (barter), preservando ao credor o direito de buscar o produto[^18] {{FATO}}.

O efeito econômico é uma fila de prioridade implícita {{INFERÊNCIA}}:

1. **Protegidos:** bancos com crédito controlado, tradings e fornecedores com barter ou CPR física, credores de dívida de compra de terra recente.
2. **Expostos:** revendas com crédito de fornecedor sem CPR física, detentores de CPR financeira, Fiagros e CRAs lastreados nesses papéis, fornecedores de serviço.

Os números confirmam o desenho. As três maiores revendas em crise (AgroGalaxy, Lavoro e Belagrícola) somavam R$ 7,1 bilhões de dívidas; nas reestruturações já concluídas, o passivo foi cortado para cerca de R$ 3 bilhões, uma perda de R$ 5 bilhões para os credores; a AgroGalaxy teve a dívida reduzida em mais de 60%, de R$ 4,6 bilhões para R$ 1,8 bilhão[^16] {{FATO}}. Ou seja, a revenda absorveu a inadimplência do produtor e depois a repassou aos próprios credores {{INFERÊNCIA}}.

Quem captura valor neste ciclo:

- **Trading e originador com barter e CPR física:** recebe o grão mesmo com o produtor em recuperação. É o crédito com o melhor risco ajustado do sistema {{INFERÊNCIA}}.
- **Fornecedor global de insumos com canal próprio:** a quebra das revendas devolve à indústria o controle do cliente final, mas também o risco de crédito {{HIPÓTESE}}.
- **Quem tem armazém:** quem guarda o grão escolhe quando vender e serve de garantia. A armazenagem cresceu de 135,7 para 210,5 milhões de toneladas de capacidade a granel entre 2015 e 2025, e a fatia instalada na fazenda subiu de 17,5% para 24,7%[^6] {{FATO}}.
- **Frigoríficos com habilitação ampla:** a JBS, listada na Bolsa de Nova York desde 2025, teve receita de US$ 86,2 bilhões em 2025[^34] {{FATO}}. Na carne, quem tem plantas habilitadas em vários destinos redireciona volume quando uma cota fecha {{INFERÊNCIA}}.

## Brasil {#brasil}

O Brasil é, ao mesmo tempo, o maior exportador de soja do mundo e um produtor sem colchão financeiro. Quatro características locais explicam por que o ciclo de preço virou ciclo de crédito aqui, e não com a mesma intensidade nos EUA ou na Argentina.

**Seguro e proteção de margem fracos.** O produtor americano protege receita (preço vezes produtividade) com seguro subsidiado em escala nacional (detalhes em Cases). No Brasil, o mecanismo de proteção dominante é a renegociação depois do prejuízo, por medida provisória ou resolução do Conselho Monetário. A MP 1.314, de setembro de 2025, autorizou até R$ 12 bilhões do superávit de fundos do Ministério da Fazenda para liquidar ou amortizar dívidas de produtores atingidos por eventos adversos, inclusive CPRs emitidas a favor de bancos, e teve a vigência encerrada[^19] {{FATO}}. Renegociação ex post ensina o mercado a precificar o resgate, não o risco {{INFERÊNCIA}}.


**Venda na colheita por falta de armazém.** A capacidade a granel cobria cerca de 61% da produção de grãos em 2025, praticamente a mesma proporção de 2020[^6][^5] {{INFERÊNCIA}}. Quem não guarda vende quando o preço sazonal é mais baixo e precisa de crédito para fechar o caixa até a próxima safra.

:::chart
{"type":"bar","title":"A produção corre na frente do armazém: capacidade a granel e produção de grãos (milhões de toneladas)","unit":"Mt","period":"2015-2025",
 "labels":["2015","2016","2017","2018","2019","2020","2021","2022","2023","2024","2025"],
 "series":[{"name":"Produção de cereais, leguminosas e oleaginosas","values":[209.5,184.0,240.6,226.5,241.5,254.1,253.2,263.2,315.4,292.7,346.1]},{"name":"Capacidade útil a granel (silos e graneleiros)","values":[135.7,141.6,141.9,145.5,153.3,153.4,161.1,169.5,187.8,203.1,210.5]}],
 "src":[5,6],"note":"IBGE: LSPA (tabela 6588, estimativa de dezembro de cada ano) e Pesquisa de Estoques (tabela 278, 2º semestre). Armazéns convencionais, medidos em m³, foram excluídos."}
:::

**Dívida concentrada em pessoa física.** O produtor rural brasileiro opera em grande parte como pessoa física. A carteira rural PF (R$ 557,8 bilhões) é mais de quatro vezes a PJ (R$ 127,1 bilhões, ago/2026)[^11] {{FATO}}. A inadimplência PF é dez vezes a PJ[^10] {{FATO}}. O salto de 73,5% nos pedidos de RJ de produtores PJ no 1T26[^14] sugere migração para estruturas societárias antes do pedido {{HIPÓTESE}}.

**Concentração de destino.** A China respondeu por 69,8% das exportações de soja em grão e 34,1% de todo o agro brasileiro de janeiro a agosto de 2026[^7] {{FATO}}. Na série que extraímos do Comex Stat, a fatia chinesa da soja oscilou entre 67% (2022) e 80% (2018) e estava em 69,9% de janeiro a setembro de 2026[^9] {{FATO}}. A diversificação é real na margem (União Europeia +41,7% em soja, Paquistão +78,9%, Bangladesh +153,6%)[^7], mas não muda a ordem de grandeza.

:::chart
{"type":"line","title":"A China domina a soja e perdeu peso na carne com a salvaguarda (% do valor exportado)","unit":"%","period":"2018-2026",
 "labels":["2018","2019","2020","2021","2022","2023","2024","2025","2026*"],
 "series":[{"name":"Soja em grão (NCM 1201.90.00)","values":[79.7,75.6,73.0,69.1,67.2,70.7,73.0,77.6,69.9]},{"name":"Carne bovina congelada (SH4 0202)","values":[32.3,36.0,58.4,65.0,72.5,67.8,57.2,60.8,49.7]}],
 "src":[9],"note":"Extração da API do Comex Stat (MDIC) em 06/10/2026. *2026 = janeiro a setembro. Os volumes totais de soja da API para alguns anos ficaram abaixo dos números do MAPA/Agrostat; usamos a série apenas para participação relativa."}
:::

## Mapa regional {#regional}

A crise de crédito é geograficamente concentrada na fronteira de grãos. Mato Grosso, Goiás, Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais lideram os pedidos de recuperação judicial em 2025[^15] {{FATO}}, e Mato Grosso sozinho teve 135 pedidos no 1T26[^14] {{FATO}}.

:::chart
{"type":"hbar","title":"Onde estão os pedidos de recuperação judicial no agro (2025)","unit":"pedidos","period":"2025",
 "labels":["Mato Grosso","Goiás","Paraná","Mato Grosso do Sul","Minas Gerais"],
 "series":[{"name":"Pedidos de RJ","values":[332,296,248,216,196]}],
 "src":[15],"note":"Serasa Experian. Inclui produtores PF, PJ e empresas relacionadas ao agro."}
:::

O volume absoluto, porém, esconde a intensidade. Dividindo os pedidos de 2025 pelo valor da produção de soja de 2025 de cada estado[^4], Mato Grosso tem 3,7 pedidos por R$ 1 bilhão de soja; Paraná, 5,8; Goiás, 7,8; Mato Grosso do Sul, 8,6; Minas Gerais, 10,9 {{INFERÊNCIA}}. A métrica é grosseira (os pedidos incluem pecuária e outras cadeias), mas indica que o estresse relativo é maior em estados de fronteira mais recente ou de produção mais diversificada do que no núcleo mato-grossense, onde a escala ajuda a diluir custo fixo {{HIPÓTESE}}.

| Estado | Pedidos de RJ (2025) | Valor da produção de soja 2025 (R$ bi) | Pedidos por R$ 1 bi de soja |
|---|---|---|---|
| Mato Grosso | 332 | 90,3 | 3,7 |
| Paraná | 248 | 42,5 | 5,8 |
| Goiás | 296 | 37,7 | 7,8 |
| Mato Grosso do Sul | 216 | 25,1 | 8,6 |
| Minas Gerais | 196 | 18,0 | 10,9 |

Fontes: Serasa Experian[^15]; IBGE, PAM[^4]; cálculo Instfy.

Um contraste regional chama atenção: o Radar Agtech Brasil 2025 mapeou 2.075 agtechs, 55,2% delas no Sudeste e apenas 7,1% no Centro-Oeste[^27] {{FATO}}. A inovação financeira e de dados está longe de onde está a dívida.

## Quem está ganhando {#ganhando}

- **Tradings e originadores com contrato físico.** Barter e CPR física ficam fora da recuperação judicial[^18]. Em um ambiente de inadimplência alta, o credor que recebe em grão tem a melhor posição de risco do sistema {{INFERÊNCIA}}.
- **Exportadores de carne com plantas habilitadas em múltiplos destinos.** O valor exportado de carne bovina in natura subiu 22,3% de janeiro a agosto de 2026, com preço médio 16,7% maior, e EUA e UE absorveram parte do volume que a China deixou de comprar[^7] {{FATO}}.
- **Frango.** As vendas de carne de frango in natura cresceram 39,4% em agosto de 2026, com a União Europeia e a China voltando a comprar[^7] {{FATO}}.
- **Bioinsumos.** A área tratada com bioinsumos cresceu 13% na safra 2024/25, para 156 milhões de hectares, e a taxa de adoção subiu de 23% para 26% da área plantada, com crescimento médio de 22% ao ano em três anos[^28] {{FATO}}. Com fertilizante caro e importado, insumo biológico produzido localmente ganha argumento de custo {{INFERÊNCIA}}.
- **Credores protegidos e compradores de ativos em estresse.** Quem tem caixa compra carteiras, terras e revendas com desconto {{INFERÊNCIA}}.

## Quem está perdendo {#perdendo}

- **Produtor médio pessoa física alavancado em taxa de mercado.** É o grupo com inadimplência de 17,56%[^10] {{FATO}}.
- **Revendas de insumos.** Financiaram o produtor sem garantia física e perderam a prioridade na fila. R$ 5 bilhões de perdas para credores em três reestruturações[^16] {{FATO}}.
- **Investidores de CPR financeira, CRA e Fiagro de crédito pulverizado.** São o elo que financiou a expansão sem a proteção legal do barter {{INFERÊNCIA}}. Os Fiagros somavam R$ 62,97 bilhões de patrimônio em maio de 2026[^13] {{FATO}}; não encontramos dado público consolidado de inadimplência dos Fiagros, e essa lacuna em si é um risco.
- **Exportadores de suco de laranja e café para os EUA.** O suco de laranja perdeu US$ 444,4 milhões e o café US$ 416,7 milhões em vendas aos EUA de janeiro a agosto de 2026[^7] {{FATO}}.
- **Arroz, trigo e milho de terceira safra.** A área de arroz caiu 14% e a de trigo 21,2% na safra 2025/26[^3] {{FATO}}, sinal de margens que não fecham fora da soja e do milho principal {{INFERÊNCIA}}.

## O que o mundo ensina {#mundo}

A comparação internacional mais útil não é sobre produtividade, em que o Brasil já é competitivo. É sobre como outros sistemas agrícolas absorvem um ciclo de preço sem transformá-lo em crise de crédito. Três mecanismos aparecem nos casos que deram certo:

1. **Proteger receita ou margem antes do prejuízo, e não renegociar depois.** Seguro de receita nos EUA, seguro de margem no Canadá.
2. **Um regime de insolvência próprio para o agricultor.** Mais barato e rápido que o regime corporativo, com regra clara para garantias.
3. **Crédito cooperativo de longo prazo.** Que não depende do intermediário comercial (a revenda) para financiar o produtor.

E dois mecanismos aparecem nos fracassos: **dívida contraída no pico de preço e de valor da terra** e **produtor como credor sem garantia de quem compra a sua produção**.

## Cases internacionais {#cases}

### Positivo 1. EUA: seguro de receita como colchão do sistema

O programa federal de seguro agrícola americano cobria 543 milhões de acres em 2024, com US$ 192 bilhões de responsabilidade segurada, 65% dela em lavouras de grãos e fibras; os subsídios ao prêmio somaram US$ 10,4 bilhões em 2024 e são o maior item do custo do programa[^30] {{FATO}}. As apólices de receita, que cobrem a combinação de queda de produtividade e de preço, são a maior parte da responsabilidade segurada há uma década[^30] {{FATO}}.

**Mecânica econômica:** quando o preço cai entre o plantio e a colheita, a apólice paga a diferença sobre uma receita garantida. O banco empresta contra essa receita garantida, e o crédito não precisa embutir o risco de preço. O produtor americano também sofreu com a queda da soja em 2024 e 2025, mas o choque passou pela seguradora e pelo Tesouro antes de chegar ao banco {{INFERÊNCIA}}. **Lição para o Brasil:** sem seguro de receita em escala, o risco de preço vai para o balanço de quem dá crédito, e a revenda era quem dava crédito.

### Positivo 2. Canadá: seguro de margem, não de preço

O AgriStability paga quando a margem de produção do ano cai mais de 30% abaixo da margem histórica de referência; cobre 80% da perda abaixo desse gatilho (90% em 2025, em caráter extraordinário), com teto de pagamento de C$ 3 milhões, elevado a C$ 6 milhões em 2025[^31] {{FATO}}.

**Mecânica econômica:** o programa olha para a diferença entre receita e custo, exatamente a variável que quebrou o produtor brasileiro (soja caindo, fertilizante subindo). Um seguro de preço não teria coberto a alta do insumo. **Lição para o Brasil:** a tesoura de preços de 2023 a 2025 é um risco de margem, e o mercado de seguros brasileiro quase não oferece proteção de margem {{INFERÊNCIA}}.

### Positivo 3. EUA: Chapter 12 e crédito cooperativo depois de 1980

Depois da crise dos anos 1980, os EUA passaram a ter um regime de falência próprio para o agricultor familiar, o Chapter 12, descrito pelos tribunais federais como mais simples e mais barato que o regime corporativo; o limite de dívida para elegibilidade é de US$ 12,56 milhões, credores com garantia recebem ao menos o valor da garantia e um administrador independente distribui os pagamentos durante três a cinco anos[^32] {{FATO}}. O sistema de crédito cooperativo (Farm Credit System), pertencente aos próprios tomadores e que capta no mercado de títulos sem dinheiro do orçamento, era em 1985 a maior fonte isolada de crédito agrícola dos EUA, com mais de US$ 74 bilhões em dívida agrícola[^29] {{FATO}}.

**Mecânica econômica:** um regime específico reduz o custo de reestruturar e dá previsibilidade ao credor sobre o que recebe. Isso diminui o prêmio de risco cobrado de todos os produtores, inclusive os adimplentes. **Lição para o Brasil:** o produtor brasileiro usa o regime geral de recuperação judicial; o plano especial simplificado só alcança causas de até R$ 4,8 milhões[^17] {{FATO}}, abaixo da escala típica de um produtor médio de grãos no Centro-Oeste {{INFERÊNCIA}}.

### Alerta 1. EUA, anos 1980: o boom exportador que virou crise bancária

Este é o caso mais parecido com o Brasil de hoje. Nos anos 1970, as exportações agrícolas americanas passaram de US$ 6,7 bilhões (11% da produção) para US$ 31,9 bilhões (22%) entre 1970 e 1979, puxadas por um grande comprador externo e pela liquidez global[^29] {{FATO}}. O valor médio da terra subiu 355% entre 1970 e 1982 e depois caiu 34% até 1987; em Iowa, a alta foi de 431% e a queda, de 62%[^29] {{FATO}}. O passivo das fazendas cresceu 296% entre 1970 e 1983[^29] {{FATO}}. Quando o juro disparou (prime rate média de 15,3% em 1980) e o dólar forte derrubou as exportações, 205 dos 548 bancos que quebraram entre 1984 e 1987 eram bancos agrícolas[^29] {{FATO}}.

**Mecânica econômica:** expansão financiada com dívida no pico de preço e de valor da terra, seguida de juro alto e preço baixo ao mesmo tempo. O valor da terra, que servia de garantia, caiu justamente quando era preciso executá-la. **Lição para o Brasil:** a Lei 14.112 excluiu da recuperação a dívida de compra de terra dos últimos três anos[^17], o que protege o vendedor e o financiador da terra, mas não impede a queda do valor da garantia. O indicador a acompanhar é o preço da terra na fronteira agrícola, e não encontramos série pública oficial atualizada {{INFERÊNCIA}}.

### Alerta 2. Argentina: Vicentin e o produtor como credor sem garantia

A Vicentin, uma das maiores esmagadoras e exportadoras argentinas, entrou em default em dezembro de 2019 com dívida de cerca de US$ 1,35 bilhão, em boa parte com o Banco Nación; o processo de reestruturação durou cinco anos, o controle passou à Grassi S.A. em dezembro de 2025 e o Banco Nación aceitou receber 35% em dez parcelas anuais[^33] {{FATO}}. Cerca de 664 credores começaram a receber em 2026[^33] {{FATO}}.

**Mecânica econômica:** a trading recebia o grão do produtor e pagava depois. Quando quebrou, o produtor virou credor quirografário de quem deveria pagá-lo. **Lição para o Brasil:** a mesma lógica vale para revendas e cerealistas regionais que recebem grão em barter ou depósito. A proteção legal brasileira favorece o credor da CPR física, mas o produtor que entrega grão a uma cerealista frágil corre o risco inverso {{INFERÊNCIA}}.

### Alerta 3. China, 2026: quando o principal comprador passa a decidir por cota

A salvaguarda chinesa sobre carne bovina (cota de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil, tarifa adicional de 55% acima dela, por três anos)[^24] é o caso mais recente e o mais próximo. Em agosto de 2026 as vendas à China caíram 89,6%[^7]. **Mecânica econômica:** em mercado com comprador dominante, o preço deixa de ser o único risco; o acesso vira variável política. Para a soja, a China não tem alternativa de curto prazo ao Brasil (60% das importações mundiais e 61% das exportações brasileiras se encontram)[^23], mas a carne mostra que dependência mútua não impede medidas de proteção {{INFERÊNCIA}}.

## O que não fecha? {#contradicoes}

**1. Exportação recorde e recuperação judicial recorde.** Fecha quando se separa volume de margem. As exportações cresceram 3,6% em volume e caíram 0,6% em preço em 2025[^8]. O recorde é de quantidade. O produtor de grãos vende mais toneladas a um preço que não cobre o custo total[^21] {{INFERÊNCIA}}.

**2. PIB do agro +12% em 2025 e queda de 2% no início de 2026.** O crescimento de 2025 veio da pecuária e dos serviços (agroindústria pecuária +36,5%) e de preços ainda altos no início do ano; a agroindústria de base agrícola caiu[^1]. Em 2026, com preços menores, o primário recuou 4,15%[^2] {{FATO}}.

**3. Inadimplência PF de 9,69% e PJ de 0,96%.** Grandes grupos com acesso a mercado de capitais e governança estão bem; o problema é o produtor médio pessoa física. Ainda assim, os pedidos de RJ de produtores PJ cresceram 73,5% no 1T26[^14]. Hipótese: produtores estão se organizando como PJ ou holding antes do pedido, para acessar o regime com mais previsibilidade {{HIPÓTESE}}.

**4. Plano Safra recorde e crédito barato menor.** R$ 610,3 bilhões no total, mas R$ 97 bilhões equalizados contra R$ 113,8 bilhões no ano anterior[^20]. O recorde é de anúncio.

**5. Estoque de CPR em alta e novos registros em queda.** O estoque cresceu 12% em um ano e os registros da safra caíram 8%[^13]. Estoque subindo com originação caindo é sinal de rolagem e alongamento, não de crédito novo {{INFERÊNCIA}}.

**6. Selic em queda desde março de 2026 e inadimplência ainda subindo.** O efeito do juro sobre o balanço do produtor é defasado: o custo de 15% foi travado em operações contratadas em 2025, que vencem nas safras 2025/26 e 2026/27 {{INFERÊNCIA}}.

**7. A dívida está no Centro-Oeste; a inovação, no Sudeste.** 7,1% das agtechs estão no Centro-Oeste[^27], que concentra o maior número de pedidos de recuperação judicial[^15].

## Forças de transformação {#forcas}

| Força | Direção | Evidência | Efeito na cadeia |
|---|---|---|---|
| Preço internacional de grãos | Estável a baixo | Estoques mundiais de soja em 125 Mt; Brasil com 61% das exportações[^23] | Margem do produtor depende de custo e não de preço {{INFERÊNCIA}} |
| Custo do capital | Caindo devagar | Selic de 15% a 13,75% em 2026[^12] | Alívio defasado; rolagem segue cara |
| Arquitetura legal do crédito | Estável | CPR física e crédito controlado fora da RJ[^17][^18] | Crédito migra para quem tem garantia física |
| Rastreabilidade obrigatória | Acelerando | EUDR em 30/12/2026[^25] | Dados de origem viram ativo de crédito |
| Proteção comercial dos compradores | Acelerando | Salvaguarda chinesa da carne[^24]; tarifas dos EUA[^26] | Valor para quem tem habilitação em vários mercados |
| Substituição de insumo importado | Acelerando | Bioinsumos em 156 Mha, +13%[^28] | Reduz exposição ao dólar e à Rússia |
| Consolidação da distribuição | Em curso | Reestruturação de AgroGalaxy, Lavoro e Belagrícola[^16] | Menos revendas, mais venda direta e cooperativas {{HIPÓTESE}} |
| Clima | Volátil | Imea projeta produtividade 5,4% menor em MT 2026/27[^21] | Risco de safra amplifica risco de crédito |

## Mapa de riscos {#riscos}

:::chart
{"type":"matrix","title":"Mapa de riscos do agro brasileiro (2026-2028)","x":"Probabilidade","y":"Impacto","max":5,
 "points":[{"id":1,"x":4,"y":5,"label":"Segunda onda de inadimplência na safra 2026/27 (preço baixo, custo alto)"},
 {"id":2,"x":3,"y":5,"label":"China amplia cotas ou salvaguardas para outros produtos"},
 {"id":3,"x":3,"y":4,"label":"Quebra de Fiagros e CRAs lastreados em CPR financeira"},
 {"id":4,"x":3,"y":4,"label":"Evento climático severo (seca ou enchente) em grande estado produtor"},
 {"id":5,"x":4,"y":3,"label":"Exportadores médios sem prova de origem perdem acesso à UE (EUDR)"},
 {"id":6,"x":2,"y":4,"label":"Queda do preço da terra corrói garantias"},
 {"id":7,"x":3,"y":3,"label":"Interrupção no suprimento de fertilizantes (27% da Rússia)"},
 {"id":8,"x":3,"y":3,"label":"Insegurança jurídica: tribunais ampliam créditos sujeitos à RJ"}],
 "quadrants":["Monitorar","Zona crítica"],"src":[10,24,13,25,9,17],"note":"Notas de 1 a 5 atribuídas pela Instfy (INFERÊNCIA), com base nas evidências deste estudo."}
:::

O risco 1 é o central. A Imea projeta Lajida 35% menor na soja de Mato Grosso em 2026/27[^21], depois de duas safras de margem já comprimida. Uma terceira safra ruim encontra produtores sem reserva e credores sem apetite {{INFERÊNCIA}}. O risco 8 é menos óbvio: se os tribunais passarem a submeter à recuperação créditos hoje protegidos (CPR física, barter), o custo de todo o crédito rural sobe de uma vez {{HIPÓTESE}}.

## Oportunidades {#oportunidades}

As oportunidades abaixo nascem das contradições acima. Valores de capital e prazos são estimativas da Instfy {{INFERÊNCIA}} para orientar a priorização, não orçamentos.

**1. Underwriting de crédito rural por dados do fluxo físico.** Problema: o credor não enxerga a capacidade de pagamento do produtor PF, e a inadimplência PF é dez vezes a PJ. Cliente: bancos médios, cooperativas de crédito, gestoras de Fiagro. Solução: motor de risco que combina LCDPR, notas fiscais de venda, imagem de satélite da lavoura, contratos de barter e estoque em armazém. Modelo: taxa por análise mais percentual sobre carteira monitorada. Por que agora: inadimplência de 9,69% e originação de CPR em queda. Barreira: acesso a dados fiscais com consentimento. Risco: modelo calibrado em ciclo atípico. Capital: R$ 10 a 30 milhões. Time-to-market: 12 a 18 meses.

**2. Rastreabilidade EUDR que vira cadastro de crédito.** Problema: a partir de 30/12/2026 o exportador para a UE precisa da geolocalização da parcela; o mesmo dado serve de garantia. Cliente: cooperativas de café, frigoríficos médios, cerealistas. Solução: plataforma única de geolocalização, prova de não desmatamento e histórico produtivo, compartilhável com o credor. Modelo: assinatura por tonelada rastreada. Por que agora: prazo regulatório e US$ 17,5 bilhões de vendas à UE em oito meses. Barreira: integração com CAR e bases ambientais. Risco: novo adiamento europeu. Capital: R$ 5 a 15 milhões. Time-to-market: 6 a 12 meses.

**3. Armazéns em condomínio financiados por CPR física.** Problema: só 24,7% da capacidade a granel está na fazenda, e o produtor vende na colheita. Cliente: grupos de produtores médios, cooperativas. Solução: armazém compartilhado próximo às lavouras, financiado com Fiagro de infraestrutura e remunerado por tarifa de armazenagem e pela opção de venda fora da safra. Modelo: tarifa por tonelada mais spread de comercialização. Por que agora: déficit persistente e crédito escasso favorecem garantias físicas. Barreira: capex e licenciamento. Risco: ociosidade em safra ruim. Capital: R$ 30 a 80 milhões por unidade de 100 mil toneladas {{HIPÓTESE}}. Time-to-market: 18 a 24 meses.

**4. Servicer especializado em CPR e crédito rural em estresse.** Problema: Fiagros e revendas carregam carteiras inadimplentes sem estrutura de cobrança agronômica. Cliente: gestoras de Fiagro, securitizadoras, revendas. Solução: monitoramento de safra, renegociação, execução de garantias físicas. Modelo: taxa de administração mais êxito sobre recuperação. Por que agora: R$ 5 bilhões já perdidos em três revendas e estoque de CPR de R$ 576 bilhões. Barreira: reputação e rede de campo. Risco: ciclo curto se preços se recuperarem. Capital: R$ 3 a 10 milhões. Time-to-market: 3 a 6 meses.

**5. Fundo de special situations agro.** Problema: créditos e ativos de produtores e revendas em RJ não têm comprador natural. Cliente: investidores institucionais e family offices. Solução: compra de créditos com desconto, conversão em ativos (terra, armazém) e reestruturação. Modelo: taxa de gestão e performance. Por que agora: 1.990 pedidos em 2025 e reestruturações com cortes acima de 50%. Barreira: due diligence jurídica de cada caso. Risco: tribunais alongarem prazos. Capital: R$ 200 milhões a R$ 1 bilhão. Time-to-market: 6 a 12 meses.

**6. Proteção de margem paramétrica.** Problema: o produtor perdeu na tesoura entre preço do grão e preço do insumo, que um seguro de preço não cobre. Cliente: produtor médio via cooperativa ou revenda. Solução: produto que combina opção de venda de soja e opção de compra de fertilizante, liquidado por índice. Modelo: prêmio com margem de estruturação. Por que agora: o caso canadense mostra que margem é a variável certa. Barreira: liquidez de derivativos de fertilizante. Risco: risco de base entre índice e realidade local. Capital: R$ 10 a 20 milhões mais parceiro de balanço. Time-to-market: 12 a 18 meses.

**7. Organização financeira e societária do produtor (ERP rural, LCDPR, holding).** Problema: o produtor PF não consegue demonstrar sua capacidade de pagamento, e a lei de RJ exige LCDPR e balanço. Cliente: produtores de 500 a 10 mil hectares. Solução: ERP rural com contabilidade gerencial, LCDPR, fluxo de caixa por safra e relatórios ao credor. Modelo: assinatura mensal mais implantação. Por que agora: crédito ficou seletivo e o dado organizado reduz custo. Barreira: adoção em campo. Risco: competição de softwares existentes. Capital: R$ 2 a 8 milhões. Time-to-market: 6 a 9 meses.

**8. Biofábricas on-farm com garantia de desempenho.** Problema: fertilizante importado e caro (DAP a 1,65 tonelada de soja em 2025). Cliente: produtores acima de 2 mil hectares. Solução: biofábrica instalada na fazenda, operada como serviço, com metas de redução de insumo químico. Modelo: contrato por hectare tratado. Por que agora: adoção de bioinsumos em 26% da área e crescimento de 22% ao ano. Barreira: regulação de produção on-farm e controle de qualidade. Risco: eficácia variável. Capital: R$ 5 a 20 milhões. Time-to-market: 9 a 12 meses.

**9. Habilitação sanitária e diversificação de destino para frigoríficos médios.** Problema: a cota chinesa expôs quem depende de um único mercado. Cliente: frigoríficos médios de bovinos e aves. Solução: consultoria e software de habilitação, auditoria e documentação para EUA, UE, Oriente Médio e Sudeste Asiático. Modelo: projeto mais assinatura de compliance. Por que agora: vendas à China caíram 89,6% em agosto. Barreira: prazos dos órgãos sanitários estrangeiros. Risco: novas barreiras não sanitárias. Capital: R$ 1 a 5 milhões. Time-to-market: 3 a 6 meses.

**10. Alerta precoce de risco de RJ para fornecedores.** Problema: revendas e fornecedores descobrem o pedido de RJ depois que ele acontece. Cliente: indústrias de insumos, revendas, tradings. Solução: monitoramento de sinais (protestos, ações, atraso em pagamentos, mudanças societárias, clima local) por CPF e CNPJ. Modelo: assinatura por carteira monitorada. Por que agora: 474 pedidos só no 1T26. Barreira: qualidade dos dados judiciais. Risco: falsos positivos. Capital: R$ 2 a 6 milhões. Time-to-market: 4 a 8 meses.

**11. Reestruturação extrajudicial do produtor médio.** Problema: a RJ é cara, lenta e queima o crédito futuro do produtor. Cliente: produtores com dívida de R$ 10 a 100 milhões. Solução: mediação estruturada com credores protegidos e não protegidos, plano de alongamento e venda de ativos. Modelo: honorários fixos e de êxito. Por que agora: o plano especial da lei só vale até R$ 4,8 milhões. Barreira: confiança dos credores. Risco: credores protegidos sem incentivo para negociar. Capital: baixo. Time-to-market: imediato.

**12. Consolidação de revendas saudáveis.** Problema: a quebra das grandes revendas deixou regiões sem distribuidor com crédito. Cliente: investidores e indústrias de insumos. Solução: roll-up de revendas regionais com balanço limpo, crédito apenas com garantia física e serviço agronômico. Modelo: margem de distribuição sem carregar risco de crédito. Por que agora: ativos baratos e clientes órfãos. Barreira: capital de giro e gestão. Risco: repetir o modelo alavancado. Capital: R$ 100 a 500 milhões. Time-to-market: 12 a 24 meses.

**13. Market entry Brasil-EUA para agtechs de crédito e bioinsumos.** Problema: agtechs brasileiras de crédito e bioinsumos têm produto testado em escala tropical e mercado doméstico em crise. Cliente: agtechs e fabricantes de bioinsumos. Solução: estratégia de entrada nos EUA (registro, canal, parceiros) e, no sentido inverso, de empresas americanas de seguro e dados entrando no Brasil. Modelo: consultoria e participação. Por que agora: crise local reduz receita doméstica e a tarifa da IEEPA perdeu base legal. Barreira: regulação de registro de produtos biológicos. Risco: ciclo comercial longo. Capital: R$ 1 a 3 milhões por empresa. Time-to-market: 6 a 12 meses.

## Matriz de oportunidades {#matriz}

:::chart
{"type":"matrix","title":"Matriz de oportunidades: valor potencial x facilidade de execução","x":"Facilidade de execução","y":"Valor potencial","max":5,
 "points":[{"id":1,"x":3,"y":5,"label":"Underwriting por dados do fluxo físico"},
 {"id":2,"x":4,"y":4,"label":"Rastreabilidade EUDR que vira cadastro de crédito"},
 {"id":3,"x":2,"y":4,"label":"Armazéns em condomínio com CPR física"},
 {"id":4,"x":4,"y":3,"label":"Servicer de CPR e crédito em estresse"},
 {"id":5,"x":3,"y":4,"label":"Fundo de special situations agro"},
 {"id":6,"x":2,"y":4,"label":"Proteção de margem paramétrica"},
 {"id":7,"x":4,"y":3,"label":"Organização financeira e societária do produtor"},
 {"id":8,"x":3,"y":3,"label":"Biofábricas on-farm com garantia"},
 {"id":9,"x":5,"y":2,"label":"Habilitação sanitária de frigoríficos médios"},
 {"id":10,"x":4,"y":3,"label":"Alerta precoce de risco de RJ"},
 {"id":11,"x":5,"y":3,"label":"Reestruturação extrajudicial do produtor médio"},
 {"id":12,"x":2,"y":3,"label":"Consolidação de revendas saudáveis"},
 {"id":13,"x":4,"y":2,"label":"Market entry Brasil-EUA para agtechs"}],
 "quadrants":["Apostas de nicho","Prioridade"],"src":[],"note":"Notas de 1 a 5 atribuídas pela Instfy (INFERÊNCIA). Valor potencial considera tamanho do problema e recorrência; facilidade considera capital, regulação e prazo."}
:::

As oportunidades 1 e 2 são duas faces do mesmo ativo: um cadastro georreferenciado e auditável da produção. Quem construir esse cadastro para cumprir a EUDR terá, sem custo adicional relevante, a base para precificar crédito {{TESE}}.

## O que parece óbvio, mas pode estar errado {#obvio}

**"A crise é culpa do clima."** O clima pesou em safras específicas, mas a inadimplência PF a taxas de mercado subiu de 0,51% para 17,56% em um período com duas safras recordes de soja[^10][^3]. A variável comum é margem e dívida, não clima {{INFERÊNCIA}}.

**"Recuperação judicial é abuso de produtor que não quer pagar."** Há casos oportunistas, e o salto de pedidos de PJ é um sinal a investigar. Mas a curva de RJ acompanha a curva de inadimplência bancária, que é um dado objetivo de atraso[^10][^15]. O fenômeno é econômico antes de ser jurídico {{INFERÊNCIA}}.

**"Mais crédito do Plano Safra resolve."** O problema não é volume, é preço do dinheiro e alocação de risco. O crédito equalizado encolheu[^20], e crédito novo sobre balanço já alavancado apenas adia o ajuste {{INFERÊNCIA}}.

**"A China precisa do Brasil, então o risco China é baixo."** Na soja, a dependência mútua é real[^23]. Na carne, a China mostrou que usa cota mesmo dependendo do fornecedor[^24]. O risco não é a China parar de comprar, é decidir quanto, quando e a que tarifa {{INFERÊNCIA}}.

**"A EUDR é um problema de compliance."** É também uma oportunidade de crédito: o dado de origem exigido pela UE é o melhor colateral informacional que o produtor brasileiro pode ter {{HIPÓTESE}}.

**"A quebra das revendas é o fim do canal."** O que quebrou foi o modelo de revenda como banco. Revendas de serviço agronômico com crédito garantido por produto físico tendem a sobreviver e ganhar participação {{HIPÓTESE}}.

## Segunda ordem {#segunda-ordem}

- **O custo de crédito sobe para o produtor adimplente.** Quando a recuperação judicial vira estratégia recorrente, o credor reprecifica toda a carteira. O produtor que pagou em dia também paga a conta, por meio de spread maior e exigência de garantia física {{INFERÊNCIA}}.
- **O barter vira padrão e a trading vira banco.** Como CPR física e barter ficam fora da RJ[^18], o crédito migra para quem compra o grão. Isso concentra poder de negociação nas tradings e reduz a liberdade comercial do produtor {{HIPÓTESE}}.
- **O armazém vira garantia e o depósito vira risco.** Com crédito lastreado em grão, a qualidade do armazém (e do armazenador) passa a ser variável de risco de crédito. Em 2026, a Lei 15.429 tornou facultativa a certificação de armazéns pelo Inmetro {{INDÍCIO}}, o que pode reduzir a confiança do credor justamente quando ela é mais necessária.
- **A terra deixa de ser a melhor garantia.** A experiência americana dos anos 1980 mostra que a garantia imobiliária cai junto com a renda agrícola[^29]. Credores tendem a preferir recebíveis e grão {{INFERÊNCIA}}.
- **O produtor vira empresa.** A exigência de LCDPR e balanço na RJ, o crédito seletivo e a rastreabilidade empurram o produtor médio para estruturas societárias e governança formal. É a maior oportunidade de software e serviços financeiros do campo nesta década {{HIPÓTESE}}.
- **Consolidação fundiária.** Produtores alavancados vendem área para os capitalizados. O número de produtores médios tende a cair e o tamanho médio da operação a subir {{HIPÓTESE}}.

## Cenários {#cenarios}

| Cenário | 2027 | 2030 | 2035 |
|---|---|---|---|
| **Base: desalavancagem lenta** | Inadimplência PF rural se estabiliza entre 8% e 11%; pedidos de RJ ficam acima de 1.500 por ano; Selic abaixo de 13%. Sinais: registros de CPR estáveis, preço da soja entre US$ 380 e 450/t. | Revendas consolidadas; barter e CPR física dominam o crédito de custeio; EUDR implantada com custo para médios exportadores. | Produtor médio mais formalizado, menos numeroso; crédito precificado por dados; China ainda acima de 30% das exportações do agro. |
| **Aceleração: o crédito se reorganiza por dados** | Cadastros de rastreabilidade EUDR passam a ser aceitos como garantia; seguradoras lançam proteção de margem. Sinais: queda da inadimplência PF abaixo de 6%, crescimento de Fiagros de infraestrutura. | Capacidade a granel acima de 80% da produção; seguro de receita cobre parte relevante da soja; spread rural cai. | Brasil com sistema de crédito rural comparável aos EUA em proteção de risco; valor capturado por plataformas de dados e armazenagem. |
| **Ruptura: segunda onda** | Terceira safra de margem negativa, nova cota chinesa (outro produto) e clima adverso. Sinais: inadimplência PF acima de 12%, RJ acima de 2.500 por ano, Fiagros com perdas. | Queda do preço da terra na fronteira; redução de área plantada; socorro fiscal amplo com custo para o Tesouro. | Concentração extrema da produção em grandes grupos e tradings; produtor médio quase desaparece da fronteira agrícola. |

Probabilidades, na leitura da Instfy {{INFERÊNCIA}}: base 55%, aceleração 20%, ruptura 25%.

## Tese Instfy {#tese}

:::thesis
A crise do agro brasileiro não é de produção nem de demanda: é de balanço. A expansão de 2020 a 2022 foi financiada com dívida a preço de mercado e está sendo paga com soja 39% mais barata, fertilizante mais caro e Selic de dois dígitos. A lei de recuperação judicial protege o crédito bancário controlado e o contrato físico, e por isso a perda foi empurrada para revendas, CPR financeira e investidores. O valor da próxima fase migra para quem controla o fluxo físico do grão e os dados que permitem emprestar contra ele.
:::

### O que acreditamos que está acontecendo?

Um ajuste de balanço do produtor médio pessoa física, concentrado na fronteira de grãos, que tende a durar pelo menos mais uma safra {{TESE}}. A inadimplência PF de 9,69%[^10], a margem negativa sobre custo total[^21] e a queda dos novos registros de CPR[^13] apontam na mesma direção.

### O que o mercado ainda pode não estar precificando?

Três coisas. Primeiro, que a perda não ficou nos bancos: ela está em CPR financeira, Fiagros e revendas, onde a transparência é menor {{INFERÊNCIA}}. Segundo, que o crédito com garantia física vai se tornar o padrão, o que muda o poder de negociação em favor de tradings e armazenadores {{HIPÓTESE}}. Terceiro, que a EUDR cria, a partir de dezembro de 2026, o primeiro cadastro georreferenciado e auditável da produção exportada, um ativo de dados com uso financeiro {{HIPÓTESE}}.

### Para onde o valor vai migrar?

Do crédito de fornecedor para o crédito com lastro físico; da revenda alavancada para quem tem armazém, contrato de compra e dados; do produtor médio PF para o produtor organizado como empresa; da venda na colheita para quem pode esperar {{TESE}}.

### Quem tende a ganhar?

Tradings e cooperativas com originação física; armazenadores; frigoríficos com habilitação em vários mercados; plataformas de rastreabilidade e de risco de crédito; produtores capitalizados que compram área e ativos com desconto; investidores de special situations {{INFERÊNCIA}}.

### Quem tende a perder?

Revendas que financiam sem garantia; investidores de CPR financeira pulverizada; produtores médios alavancados a taxa de mercado; exportadores médios que não comprovarem origem até 2027; cadeias com um único destino {{INFERÊNCIA}}.

### O que invalidaria a nossa tese?

- Uma alta forte e sustentada do preço da soja (acima de US$ 500/t em média anual) com fertilizante estável, que reabriria margem sem reorganizar o crédito.
- Queda rápida da inadimplência PF rural abaixo de 5% até meados de 2027 sem mudança na estrutura de crédito.
- Decisões judiciais que passem a submeter CPR física e barter à recuperação judicial, o que retiraria a vantagem do lastro físico.
- Um programa público amplo de seguro de receita ou de margem, que deslocaria o risco de preço do credor privado para o Tesouro.
- Novo adiamento ou esvaziamento da EUDR, que reduziria o valor do cadastro de rastreabilidade.

## Indicadores para acompanhar {#indicadores}

| Indicador | Valor atual | Confirma a tese | Enfraquece a tese | Frequência e fonte |
|---|---|---|---|---|
| Inadimplência crédito rural PF (SGS 21148) | 9,69% (ago/2026)[^10] | Acima de 8% até meados de 2027 | Abaixo de 5% | Mensal, BCB |
| Inadimplência rural PF a taxas de mercado (SGS 21146) | 17,56% (ago/2026)[^10] | Diferença grande para a regulada | Convergência com a regulada | Mensal, BCB |
| Pedidos de RJ no agro | 474 no 1T26[^14] | Acima de 400 por trimestre | Abaixo de 250 por trimestre | Trimestral, Serasa Experian |
| Registros de CPR por safra | R$ 377,8 bi em 2025/26 (-8%)[^13] | Alta da fatia de CPR física e barter | Recuperação de CPR financeira sem garantia | Mensal, MAPA/B3 |
| Patrimônio dos Fiagros | R$ 62,97 bi (mai/2026)[^13] | Queda de captação ou perdas reportadas | Crescimento com baixa inadimplência | Mensal, MAPA/CVM |
| Preço da soja e do DAP | US$ 414/t e US$ 685/t (média 2025)[^22] | Relação DAP/soja acima de 1,3 | Relação abaixo de 1,0 | Mensal, Banco Mundial |
| Lajida da soja em MT | R$ 1.069/ha em 2026/27 (-35%)[^21] | Lajida abaixo do custo de capital | Lajida em alta com custo estável | Mensal, Imea |
| Capacidade a granel / produção | cerca de 61% (2025)[^6][^5] | Crescimento da capacidade na fazenda | Estagnação abaixo de 60% | Semestral, IBGE |
| Fatia da China nas exportações do agro | 34,1% (jan-ago/2026)[^7] | Novas cotas ou salvaguardas | Fatia abaixo de 28% com preço estável | Mensal, MAPA |
| Selic | 13,75% (set/2026)[^12] | Queda lenta, acima de 11% em 2027 | Queda abaixo de 10% em 2027 | Por reunião, BCB |
| Recursos equalizados do Plano Safra | R$ 97 bi em 2026/27[^20] | Nova redução em 2027/28 | Alta real | Anual, MAPA |
| Exportações à UE em produtos EUDR | US$ 17,5 bi de agro à UE (jan-ago/2026)[^7] | Manutenção com prêmio para rastreados | Queda por exclusão de fornecedores | Mensal, MAPA |

## Implicações {#implicacoes}

### Para empresários

Se você é produtor, a decisão mais importante dos próximos 18 meses é de balanço, não de área. Alongue dívida a taxa de mercado enquanto a Selic cai, priorize crédito com garantia física que você controla (armazém próprio ou em condomínio) e organize a contabilidade como empresa: o LCDPR e o balanço são hoje o seu cadastro de crédito. Se você é revenda, saia do papel de banco; crédito só com CPR física ou barter. Se você é frigorífico médio, habilite plantas para pelo menos três destinos além da China.

### Para investidores

Separe o agro em dois ativos: risco de produção (alto, cíclico) e risco de crédito com lastro físico (bem protegido pela lei). O prêmio está em comprar o segundo com o desconto gerado pelo primeiro. Fiagros de crédito pulverizado sem garantia física exigem diligência carteira a carteira; não encontramos dado público consolidado de inadimplência desses fundos. Special situations e infraestrutura de armazenagem são as teses com melhor relação risco-retorno nesta fase {{INFERÊNCIA}}.

### Para executivos

Em bancos e cooperativas, a vantagem competitiva dos próximos anos será a capacidade de ler dados de produção, não o custo de funding. Em indústrias de insumos, a quebra das revendas devolve o cliente final, junto com o risco de crédito; quem tiver modelo de risco próprio ganha participação. Em tradings, a posição é a mais forte do ciclo, e o risco é regulatório: a proteção legal do barter pode ser questionada se a concentração crescer demais.

### Para novos entrantes

A janela é de dados e serviços, não de capital intensivo. Rastreabilidade EUDR, underwriting, cobrança especializada, alerta de RJ e organização financeira do produtor exigem pouco capital e respondem a dores imediatas. Comece pelo Centro-Oeste, onde está a dívida, e não pelo Sudeste, onde estão as agtechs.

## Conclusão {#conclusao}

O Brasil não tem um problema de produzir nem de vender. Tem um problema de transformar volume em margem e de distribuir o risco de preço. Os dois recordes de 2026, na balança e no tribunal, são a mesma história contada por lados diferentes: o país colheu e exportou como nunca, e o produtor médio pagou com o próprio balanço a diferença entre o preço que recebeu, o custo que pagou e o juro que deve.

A forma como a lei de recuperação judicial foi desenhada definiu quem absorve essa diferença: não o banco com crédito controlado, não a trading com barter, e sim a revenda, o investidor de CPR financeira e o próprio produtor. Essa alocação de perdas já está reorganizando o crédito rural em direção ao lastro físico e aos dados. Quem controlar o grão (no armazém, no contrato e no porto) e a informação sobre ele (na lavoura georreferenciada e no livro-caixa) vai capturar o valor da próxima fase do agro.

## Metodologia {#metodologia}

**Período de coleta:** 6 de outubro de 2026. Os dados mais recentes usados são de setembro de 2026 (Conab, WASDE, Selic, Comex Stat), agosto de 2026 (Banco Central, MAPA) e junho de 2026 (CPR, CRA, LCA).

**Como foi feito:** os números de crédito vieram diretamente da API de séries temporais do Banco Central (SGS); produção, valor da produção e armazenagem, da API do IBGE SIDRA (PAM, LSPA e Pesquisa de Estoques); comércio exterior, das notas oficiais do MAPA e de extração própria da API do Comex Stat; preços internacionais, das séries mensais do Banco Mundial; oferta e demanda mundial de soja, do relatório WASDE de setembro de 2026 do USDA. Dados de recuperação judicial são da Serasa Experian (release do 1T26 e números anuais de 2025 reportados pela imprensa com base no mesmo levantamento). O ordenamento seguiu dados, evidências, padrões, contradições, inferências, hipóteses e tese.

**Cálculos da Instfy:** índices de quantidade e valor da soja; receita por tonelada; relação de troca entre fertilizantes e soja; preço médio de importação de adubos; capacidade a granel sobre produção; pedidos de RJ por valor da produção de soja por estado; estimativa de R$ 54 bilhões em atraso (taxa de inadimplência aplicada ao saldo PF); fatia de crédito equalizado no Plano Safra.

**Limitações e o que não foi possível verificar:**
- A série de soja extraída da API do Comex Stat (NCM 1201.90.00) apresentou volumes anuais abaixo dos publicados pelo MAPA/Agrostat em alguns anos (por exemplo, 93,9 contra 108,2 milhões de toneladas em 2025). Não reconciliamos a diferença; usamos a série apenas para participação relativa da China e os totais do MAPA para valores absolutos.
- Não há dado público consolidado de inadimplência de Fiagros, CRAs e CPRs, nem de dívida de produtores com revendas e tradings.
- A Lei 15.429/2026 (certificação facultativa de armazéns) foi identificada apenas em reportagem, sem leitura do texto legal; por isso aparece como indício.
- A queda das LCAs foi associada ao endurecimento das regras de lastro pelo Conselho Monetário Nacional sem leitura da resolução; por isso aparece como indício.
- Não verificamos nesta edição a área segurada pelo Programa de Subvenção ao Seguro Rural, nem série oficial atualizada de preço de terras.
- O valor de mercado de bioinsumos em reais não foi confirmado em fonte primária; usamos área tratada e taxa de adoção.
- Os dados de foodtech e proteínas alternativas disponíveis não tinham qualidade suficiente para quantificação; o estudo trata proteína pela ótica da carne exportada.
- O OECD-FAO Agricultural Outlook não pôde ser acessado na coleta.

**Critérios das matrizes:** riscos avaliados por probabilidade (1 a 5) e impacto sobre o balanço do produtor e do sistema de crédito (1 a 5). Oportunidades avaliadas por valor potencial (tamanho e recorrência do problema) e facilidade de execução (capital, regulação, prazo). Todas as notas são inferências da Instfy.

## Fontes {#fontes}

:::sources
[{"n":1,"group":"Dados oficiais","title":"PIB do agronegócio cresce expressivos 12% em 2025","publisher":"Cepea/USP e CNA","url":"https://cepea.org.br/br/releases/pib-agro-cepea-pib-do-agronegocio-cresce-expressivos-12-em-2025.aspx","date":"2026-04-27","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":2,"group":"Dados oficiais","title":"PIB do Agronegócio Brasileiro (resultado do 1º trimestre de 2026)","publisher":"Cepea/USP e CNA","url":"https://www.cepea.org.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx","date":"2026-08-06","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":3,"group":"Dados oficiais","title":"12º levantamento da safra de grãos 2025/26 (planilha por produto)","publisher":"Conab","url":"https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/safra-de-graos/boletim-da-safra-de-graos/12o-levantamento-safra-2025-26/site_previsao_de_safra-por_produto-set-2026.xlsx","date":"2026-09-15","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":4,"group":"Dados oficiais","title":"Produção Agrícola Municipal, tabela 5457 (soja: quantidade e valor da produção por UF)","publisher":"IBGE, SIDRA","url":"https://apisidra.ibge.gov.br/values/t/5457/n1/all/v/214,215/p/2022,2023,2024,2025/c782/40124","date":"2026-09","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":5,"group":"Dados oficiais","title":"Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, tabela 6588 (cereais, leguminosas e oleaginosas)","publisher":"IBGE, SIDRA","url":"https://apisidra.ibge.gov.br/values/t/6588/n1/all/v/35,109/p/202512/c48/39428","date":"2026-08","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":6,"group":"Dados oficiais","title":"Pesquisa de Estoques, tabela 278 (capacidade útil das unidades armazenadoras)","publisher":"IBGE, SIDRA","url":"https://apisidra.ibge.gov.br/values/t/278/n1/all/v/153/p/201502,202002,202502/c166/all/c161/0/c163/0,3054","date":"2º semestre de 2025","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":7,"group":"Dados oficiais","title":"Nota Balança do Agronegócio: agosto de 2026","publisher":"MAPA, Secretaria de Comércio e Relações Internacionais","url":"https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/relacoes-internacionais/Notaimprensa08_2026.pdf","date":"2026-09","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":8,"group":"Dados oficiais","title":"Agronegócio fecha 2025 com recorde em exportações de US$ 169 bilhões (dados MAPA)","publisher":"Safras & Mercado","url":"https://safras.com.br/agronegocio-do-brasil-fecha-2025-com-recorde-em-exportacoes-de-us-169-bilhoes-e-superavit-de-us-14907-bilhoes-mapa/","date":"2026-01","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":9,"group":"Dados oficiais","title":"Comex Stat, API de dados gerais (exportações de soja e carne bovina por país; importações do capítulo 31, adubos)","publisher":"MDIC","url":"https://api-comexstat.mdic.gov.br/general","date":"2026-09","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":10,"group":"Dados oficiais","title":"Inadimplência da carteira de crédito rural com recursos direcionados, séries SGS 21148, 21146, 21147 e 21136","publisher":"Banco Central do Brasil","url":"https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.21148/dados?formato=json","date":"2026-08","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":11,"group":"Dados oficiais","title":"Saldo, concessões e taxa média do crédito rural, séries SGS 20609, 20597, 20701 e 20771","publisher":"Banco Central do Brasil","url":"https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.20609/dados?formato=json","date":"2026-08","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":12,"group":"Dados oficiais","title":"Meta da taxa Selic, série SGS 432","publisher":"Banco Central do Brasil","url":"https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.432/dados?formato=json","date":"2026-09-17","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":13,"group":"Dados oficiais","title":"Boletim de Finanças Privadas do Agro, julho de 2026 (CPR, LCA, CDCA, CRA e Fiagro)","publisher":"MAPA, Secretaria de Política Agrícola","url":"https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/politica-agricola/boletim-de-financas-privadas-do-agro/boletim-de-financas-privadas-do-agro-jul.2026","date":"2026-07","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":14,"group":"Mercado","title":"Recuperação judicial no agro tem alta de 22% e acumula 474 pedidos no primeiro trimestre de 2026","publisher":"Serasa Experian","url":"https://www.serasaexperian.com.br/sala-de-imprensa/agronegocios/recuperacao-judicial-agro-tem-alta-de-22-por-cento-e-acumula-474-pedidos-do-recurso-no-primeiro-trimestre-de-2026-mostram-dados-ineditos-da-serasa-experian/","date":"2026-08-12","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":15,"group":"Mercado","title":"Pedidos de recuperação judicial no agro aumentaram 56,4% em 2025, diz Serasa","publisher":"Money Times (dados Serasa Experian)","url":"https://www.moneytimes.com.br/pedidos-de-recuperacao-judicial-no-agro-aumentaram-564-em-2025-diz-serasa-mabe/","date":"2026-03-09","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":16,"group":"Empresas","title":"Crise das revendas agrícolas já destruiu R$ 5 bi dos credores","publisher":"The AgriBiz","url":"https://www.theagribiz.com/credito-rural/crise-das-revendas-agricolas-ja-destruiu-r-5-bi-dos-credores/","date":"2025-2026","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":17,"group":"Regulação","title":"Lei 11.101/2005, texto compilado com a Lei 14.112/2020 (arts. 48, 49 e 70-A)","publisher":"Presidência da República","url":"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm","date":"2020-12-24","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":18,"group":"Regulação","title":"Lei 8.929/1994, Cédula de Produto Rural, texto compilado (art. 11)","publisher":"Presidência da República","url":"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8929.htm","date":"2020","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":19,"group":"Regulação","title":"Medida Provisória 1.314, de 5 de setembro de 2025","publisher":"Presidência da República","url":"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/mpv/mpv1314.htm","date":"2025-09-05","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":20,"group":"Regulação","title":"Plano Safra 2026/27 terá R$ 610,3 bilhões em recursos para agricultura empresarial e familiar","publisher":"Diário do Grande ABC (Estadão Conteúdo)","url":"https://www.dgabc.com.br/Noticia/4332527/plano-safra-2026-27-tera-r-610-3-bilhoes-em-recursos-para-agricultura-empresarial-e-familiar","date":"2026-06","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":21,"group":"Mercado","title":"Custo da soja sobe e rentabilidade deve cair 35% na safra 26/27, aponta estudo do Imea/Senar MT","publisher":"CNA","url":"https://cnabrasil.org.br/noticias/custo-da-soja-sobe-e-rentabilidade-deve-cair-35-na-safra-26-27-aponta-estudo-do-imea-senar-mt","date":"2026-09-11","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":22,"group":"Internacional","title":"Commodity Price Data (Pink Sheet), séries mensais","publisher":"Banco Mundial","url":"https://thedocs.worldbank.org/en/doc/18675f1d1639c7a34d463f59263ba0a2-0050012025/related/CMO-Historical-Data-Monthly.xlsx","date":"2025-12","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":23,"group":"Internacional","title":"World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE 675), soja","publisher":"USDA","url":"https://www.usda.gov/oce/commodity/wasde/wasde0926.txt","date":"2026-09","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":24,"group":"Internacional","title":"China to impose 55% beef tariff above import quotas","publisher":"The Cattle Site","url":"https://thecattlesite.com/news/china-to-impose-55-beef-tariff-above-import-quotas","date":"2025-12","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":25,"group":"Regulação","title":"Regulation on deforestation-free products (EUDR)","publisher":"Comissão Europeia","url":"https://environment.ec.europa.eu/topics/forests/deforestation/regulation-deforestation-free-products_en","date":"2026","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":26,"group":"Internacional","title":"Tariffs in the second Trump administration","publisher":"Wikipedia","url":"https://en.wikipedia.org/wiki/Tariffs_in_the_second_Trump_administration","date":"2026","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":27,"group":"Mercado","title":"Agtechs chegam a 2.075 no Brasil e ampliam atuação fora do eixo tradicional (Radar Agtech Brasil 2025)","publisher":"Forbes Brasil (Embrapa, SP Ventures, Homo Ludens)","url":"https://forbes.com.br/forbes-agro/2026/03/agtechs-chegam-a-2-075-no-brasil-e-ampliam-atuacao-fora-do-eixo-tradicional/","date":"2026-03","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":28,"group":"Mercado","title":"Agricultor do Brasil eleva adoção de bioinsumos e área tratada cresce 13% em 24/25 (Blink/CropLife Brasil)","publisher":"Notícias Agrícolas","url":"https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/401246-agricultor-do-brasil-eleva-adocao-de-bioinsumos-e-area-tratada-cresce-13-em-2425.html","date":"2025-05-27","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":29,"group":"Cases","title":"History of the Eighties, Lessons for the Future, cap. 8: Banking and the Agricultural Problems of the 1980s","publisher":"FDIC","url":"https://www.fdic.gov/resources/publications/history-eighties/volume-1/history-80s-volume-1-part2-08.pdf","date":"1997","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":30,"group":"Cases","title":"Crop Insurance at a Glance","publisher":"USDA, Economic Research Service","url":"https://www.ers.usda.gov/topics/farm-practices-management/risk-management/crop-insurance-at-a-glance","date":"2025-09-23","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":31,"group":"Cases","title":"AgriStability","publisher":"Agriculture and Agri-Food Canada","url":"https://agriculture.canada.ca/en/programs/agristability","date":"2025","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":32,"group":"Cases","title":"Chapter 12: Bankruptcy Basics","publisher":"United States Courts","url":"https://www.uscourts.gov/court-programs/bankruptcy/bankruptcy-basics/chapter-12-bankruptcy-basics","date":"2025","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":33,"group":"Cases","title":"Vicentin (empresa)","publisher":"Wikipedia","url":"https://es.wikipedia.org/wiki/Vicentin_(empresa)","date":"2026","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":34,"group":"Empresas","title":"JBS N.V.","publisher":"Wikipedia","url":"https://en.wikipedia.org/wiki/JBS_S.A.","date":"2026","accessed":"2026-10-06"}]
:::
