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type: insight
format: flagship
title: O consumo cresceu. O varejo não ficou com ele.
sector: varejo
sector_name: Varejo e Consumo
question: Se a renda e o consumo crescem, quem está capturando o real a mais do consumidor brasileiro?
published: 2026-10-06
updated: 2026-10-06
reading: 38
tags: [varejo, consumo, crédito, cross-border, retail media, juros, classes C D E]
labels: [Research, Analysis, Thesis]
image: /assets/img/insights/varejo/hero.webp
image_alt: Corredor de supermercado com prateleiras abastecidas dos dois lados
thesis_short: O real a mais do consumidor é interceptado antes da prateleira por três pedágios: juros, plataformas e apostas. O valor migra para quem controla crédito barato, tráfego próprio e necessidade.
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# O consumo cresceu. O varejo não ficou com ele.

<p class="lead">A massa de renda real do trabalho cresceu 21% entre 2019 e 2025, mas o volume do varejo cresceu 11% e as ações das varejistas tradicionais perderam até 99% do valor. Este estudo mostra para onde foi a diferença e quem vai capturar a próxima fase, agora que 2026 trouxe alíquota zero para importados de até US$ 50, a proibição das bets e a isenção do IR até R$ 5 mil.</p>

:::cover:::

## Sumário executivo {#sumario}

:::exec
- **O que encontramos:** entre 2019 e 2025, a massa de rendimento real do trabalho subiu 21,0% e o volume do varejo restrito subiu 11,4%[^1][^4]. Para cada 1% de renda a mais, o varejo capturou cerca de 0,54% em volume. A diferença foi absorvida por três pedágios: o serviço da dívida (de 22,7% para 28,7% da renda, recorde da série)[^10], as plataformas que monetizam tráfego e crédito, e as apostas online (R$ 18 bi a R$ 21 bi por mês em Pix em 2024)[^22].
- **Por que importa:** o varejo tradicional brasileiro virou, sem perceber, um banco sem spread. Ele financia 43% das compras no cartão em parcelado sem juros[^41] com custo de capital de Selic 15%[^15]. No 2T26, a despesa financeira do Magazine Luiza equivaleu a 81% do EBITDA ajustado[^34].
- **Principal mudança:** 2026 concentrou quatro choques de política em cinco meses: isenção do IR até R$ 5 mil (jan)[^24], Novo Desenrola (mai)[^25], alíquota zero de imposto de importação para remessas de até US$ 50 (mai, convertida em lei em set)[^18][^20] e proibição das apostas de quota fixa (set, sites fora do ar em 06/10)[^21].
- **Principal risco:** a renda liberada pelo fim das bets e pelo IR vaza para o cross-border. Após a alíquota zero, as remessas internacionais subiram 83% (mai a jul/2026 contra o mesmo período de 2025) e a alíquota efetiva do imposto caiu de 23% para menos de 5%[^17].
- **Principal oportunidade:** crédito de varejo com dado próprio e funding barato, retail media fora das grandes plataformas e cadeias de necessidade (farmácia, alimentar) onde a recorrência protege margem.
- **Tese Instfy:** o próximo ciclo de consumo será capturado por quem controlar três ativos: crédito com custo de funding abaixo do concorrente, tráfego próprio monetizável e categorias de necessidade. Loja, estoque e parcelamento, sozinhos, deixaram de ser vantagem.
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:::kpis
[{"value":"+21,0%","label":"massa de renda real do trabalho, 2025 contra 2019 (média anual)","src":4},
 {"value":"+11,4%","label":"volume do varejo restrito no mesmo período","src":1},
 {"value":"28,7%","label":"da renda das famílias vai para o serviço da dívida (jul/2026, recorde desde 2005)","src":10},
 {"value":"8,0%","label":"inadimplência do crédito livre PF (ago/2026, recorde desde 2011)","src":11},
 {"value":"+83%","label":"remessas internacionais após a alíquota zero (mai a jul/2026 contra 2025)","src":17},
 {"value":"-91%","label":"desempenho da ação MGLU3 de dez/2019 a out/2026","src":38}]
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## O fenômeno em números {#numeros}

O ponto de partida é uma divergência que os dados oficiais mostram com clareza e que o debate público costuma ignorar: **a renda voltou, o consumo de bens voltou menos, e o valor das varejistas não voltou**.

**Renda.** A massa de rendimento real habitual do trabalho, medida pela PNAD Contínua, ficou em média 21,0% acima de 2019 em 2025, e chegou a R$ 385,6 bilhões por mês no trimestre encerrado em agosto de 2026, alta real de 4,8% em 12 meses[^4] {{FATO}}. O rendimento médio real foi de R$ 3.777 (jun a ago/2026), contra R$ 3.361 no fim de 2019[^5]. A desocupação caiu de 11,1% (out a dez/2019) para 5,1% (out a dez/2025) e 5,3% (jun a ago/2026)[^6] {{FATO}}.

**Varejo.** No mesmo intervalo, o volume de vendas do varejo restrito subiu 11,4% e o do ampliado (que inclui veículos, material de construção e atacado alimentar) 8,7%[^1][^2]. Em 2026, até julho, o restrito cresce 1,8% no acumulado do ano, contra massa salarial real em alta de 4,8%[^1][^4] {{FATO}}. O descolamento não é episódico: ele se repete em 2024, 2025 e 2026.

**Serviços às famílias.** Seria natural supor que a renda migrou de bens para serviços. Os dados não sustentam essa leitura: o volume de serviços prestados às famílias (alimentação fora de casa, alojamento, outros) em 2025 estava só 4,8% acima de 2019[^7] {{FATO}}.

:::chart
{"type":"line","title":"A renda subiu o dobro do varejo desde 2019","unit":"índice, média anual, 2019 = 100","period":"2014-2025",
 "labels":["2014","2015","2016","2017","2018","2019","2020","2021","2022","2023","2024","2025"],
 "series":[{"name":"Massa de renda real do trabalho","values":[97.8,97.0,93.4,94.5,97.6,100.0,96.7,93.8,99.1,106.3,114.2,121.0]},
           {"name":"Volume do varejo restrito","values":[104.8,100.3,94.0,96.0,98.2,100.0,101.2,102.6,103.6,105.4,109.7,111.4]},
           {"name":"Volume do varejo ampliado","values":[105.6,96.5,88.1,91.7,96.3,100.0,98.6,103.0,102.4,104.7,108.6,108.7]},
           {"name":"Volume de serviços às famílias","values":[108.4,102.7,98.2,97.2,97.3,100.0,64.4,76.1,94.3,99.0,103.5,104.8]}],
 "src":[1,2,4,7],"note":"Cálculo Instfy: média anual dos números-índice mensais (PMC 2022=100 e PMS 2022=100) e da massa em trimestres móveis (PNAD Contínua), rebaseados para 2019 = 100. Deflatores diferem entre as pesquisas."}
:::

**Para onde foi a diferença.** Três fluxos cresceram muito mais do que o varejo:

| Fluxo | 2019 | Dado mais recente | Variação | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Comprometimento da renda com serviço da dívida | 22,65% (dez/2019) | 28,72% (jul/2026) | +6,1 p.p., recorde desde 2005 | BCB[^10] |
| Endividamento das famílias sobre a renda de 12 meses | 41,46% (dez/2019) | 49,86% (jul/2026) | +8,4 p.p. | BCB[^9] |
| Saldo do crédito livre a pessoas físicas | R$ 1,11 tri (dez/2019) | R$ 2,57 tri (ago/2026) | +131% nominal | BCB[^14] |
| Transferências via Pix para empresas de apostas | não existia em escala | R$ 18 bi a R$ 21 bi por mês (2024) | n/a | BCB[^22] |
| Remessas internacionais de pequeno valor | n/d | 165,5 milhões em 2025; 27,1 milhões só em jul/2026 | +83% após alíquota zero | Receita Federal[^17] |

{{INFERÊNCIA}} O serviço da dívida sozinho consumiu cerca de 6 pontos percentuais da renda disponível a mais. Somado a apostas e compras internacionais, ele explica de forma plausível a maior parte do hiato entre renda e varejo. Não há, porém, uma conta oficial que feche esse balanço item a item; a POF mais recente é de 2017-2018 e não captura nenhum desses fluxos.

**Valor de mercado.** O mercado precificou o hiato. Com cotações ajustadas por proventos e grupamentos, a ação do Magazine Luiza caiu 91% de dezembro de 2019 a outubro de 2026, a Lojas Renner 62%, o Grupo SBF 66%, a Casas Bahia 99,4% e a Americanas 99,9%. No mesmo período, o fundo de Ibovespa (BOVA11) subiu 82% e o Mercado Livre (em dólar) 225%[^38] {{FATO}}.

:::chart
{"type":"bar","title":"O mercado puniu o varejo tradicional e premiou plataformas e necessidade","unit":"% de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/2026","period":"2019-2026",
 "labels":["MELI (US$)","BOVA11","RADL3","VIVA3","CEAB3","AZZA3","LREN3","SBFG3","MGLU3","BHIA3","AMER3"],
 "series":[{"name":"Variação","values":[225,82,10,6,-22,-56,-62,-66,-91,-99.4,-99.9]}],
 "src":[38],"note":"Preço de fechamento ajustado mensal (Yahoo Finance), último dado de out/2026. MELI: Mercado Livre; BOVA11: fundo de Ibovespa; RADL3: Raia Drogasil; VIVA3: Vivara; CEAB3: C&A; AZZA3: Azzas 2154; LREN3: Lojas Renner; SBFG3: Grupo SBF; MGLU3: Magazine Luiza; BHIA3: Casas Bahia; AMER3: Americanas. Azzas 2154 reflete a antiga Arezzo&Co após a fusão com o Grupo Soma. Não é retorno total ao acionista em base comparável de moeda: MELI está em dólar."}
:::

## Como chegamos até aqui {#historia}

O varejo brasileiro atravessou três ciclos em doze anos, e cada um deixou uma camada de fragilidade que o seguinte cobrou.

**2014 a 2016: a recessão quebrou o modelo de expansão por loja.** O volume do varejo ampliado caiu 8,6% em 2015 e 8,7% em 2016[^2] {{FATO}}. Móveis e vestuário nunca recuperaram o nível de 2014: em 2025, móveis estavam 28,6% abaixo e vestuário 24,3% abaixo daquele pico[^3] {{FATO}}.

**2020 a 2021: o dinheiro barato inflou o digital.** Com a Selic em 2%, o mercado precificou o varejo como empresa de tecnologia. A ação do Magazine Luiza atingiu a máxima em janeiro de 2021[^38]. O modelo que se consolidou foi o de crescer GMV financiando o consumidor (parcelado sem juros, crediário, cartão próprio) e o lojista (antecipação, frete subsidiado), com custo de capital quase nulo.

**2022 a 2026: o juro voltou e cobrou a conta.** A Selic subiu até 15% em junho de 2025 e ficou nesse nível até março de 2026; está em 13,75% desde setembro de 2026[^15] {{FATO}}. A taxa média do crédito a pessoas físicas chegou a 38,2% ao ano e a do rotativo do cartão a 444,9% ao ano em agosto de 2026[^12][^13]. Nesse ambiente, quem tinha dívida, estoque de baixo giro e consumidor financiado entrou em reestruturação.

:::timeline
[{"year":"2015-2016","text":"Volume do varejo ampliado cai 8,6% e 8,7%; móveis e vestuário não voltam mais ao pico de 2014","src":2},
 {"year":"jan/2021","text":"Ação do Magazine Luiza atinge a máxima histórica com Selic a 2%","src":38},
 {"year":"jan/2023","text":"Americanas revela inconsistências de R$ 20 bi e pede recuperação judicial com dívida de R$ 43 bi","src":[29,30]},
 {"year":"ago/2023","text":"Receita Federal inicia o Programa Remessa Conforme","src":17},
 {"year":"abr/2024","text":"Casas Bahia pede recuperação extrajudicial de R$ 4,1 bi em debêntures","src":32},
 {"year":"ago/2024","text":"Imposto de importação passa a incidir sobre remessas de até US$ 50 dentro do Remessa Conforme","src":17},
 {"year":"jun/2025","text":"Selic chega a 15% ao ano","src":15},
 {"year":"ago/2025","text":"EUA suspendem a isenção de minimis para todos os países","src":46},
 {"year":"jan/2026","text":"Isenção do IR até R$ 5 mil entra em vigor; CBS de teste a 0,9%","src":[24,26]},
 {"year":"mai/2026","text":"MP 1.357 zera o imposto de importação até US$ 50; Novo Desenrola começa; Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly) pede recuperação judicial","src":[18,25,33]},
 {"year":"jul/2026","text":"União Europeia passa a cobrar € 3 por item em pacotes de até € 150","src":47},
 {"year":"set/2026","text":"Lei de conversão da MP 1.357 é sancionada; MP 1.394 proíbe apostas de quota fixa","src":[20,21]},
 {"year":"06/out/2026","text":"Sites e aplicativos de apostas de quota fixa saem do ar","src":21}]
:::

## O que está mudando agora {#mudancas}

Quatro mudanças simultâneas tornam 2026 e 2027 um ponto de inflexão, e elas puxam em direções opostas.

**1. Renda disponível extra para as classes C e D.** A isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil atinge cerca de 15 milhões de pessoas, com renúncia estimada em R$ 25,4 bilhões por ano[^24] {{FATO}}. O Novo Desenrola, iniciado em 5 de maio de 2026, renegocia dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal vencidas entre 91 dias e 2 anos, para renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105)[^25] {{FATO}}.

**2. Saída das apostas.** A MP 1.394, de 25 de setembro de 2026, proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa, inclusive por operadores no exterior[^21] {{FATO}}. O Banco Central estimou que cerca de 15% do valor apostado fica com as empresas[^22]. {{INFERÊNCIA}} Sobre R$ 18 bi a R$ 21 bi mensais, a perda líquida dos apostadores era da ordem de R$ 2,7 bi a R$ 3,2 bi por mês, ou R$ 32 bi a R$ 38 bi por ano. É esse valor líquido, e não o fluxo bruto, que pode voltar ao consumo.

**3. Porta aberta para o cross-border.** A MP 1.357, de 12 de maio de 2026, autorizou o Ministério da Fazenda a reduzir a zero a alíquota do imposto de importação na faixa de até US$ 50 do regime simplificado, que era de 20%[^18] {{FATO}}. A redução foi aplicada no mesmo dia e a lei de conversão foi sancionada em 10 de setembro de 2026[^19][^20]. O ICMS estadual continua incidindo[^20].

**4. Reforma tributária em teste.** Em 2026 a CBS é cobrada à alíquota de teste de 0,9%[^26], e a Lei Complementar 214/2025 prevê o recolhimento na liquidação financeira (split payment), com obrigação de informação para plataformas digitais[^26] {{FATO}}. {{INFERÊNCIA}} O split payment reduz o espaço da informalidade, que hoje compete com o varejo formal por preço.

:::chart
{"type":"bar","title":"Depois da alíquota zero, as remessas internacionais saltaram de 16 para 28 milhões por mês","unit":"milhões de remessas recebidas por mês","period":"jan/2025-jul/2026",
 "labels":["jan/25","fev/25","mar/25","abr/25","mai/25","jun/25","jul/25","ago/25","set/25","out/25","nov/25","dez/25","jan/26","fev/26","mar/26","abr/26","mai/26","jun/26","jul/26"],
 "series":[{"name":"Remessas recebidas","values":[11.4,10.5,11.2,11.6,13.1,13.0,15.0,14.6,14.9,16.0,17.7,16.3,15.4,13.2,16.6,16.5,19.9,28.4,27.1]}],
 "src":[17],"note":"Relatórios mensais do Programa Remessa Conforme (postal e expresso). A alíquota zero até US$ 50 vigora desde 12/05/2026."}
:::

O efeito sobre o imposto foi imediato. Em dezembro de 2025, o imposto de importação devido nas remessas do programa equivalia a 23,3% do valor aduaneiro; em julho de 2026, a 4,6%[^17] {{FATO}} (cálculo Instfy sobre os relatórios). Em 2025 inteiro, a Receita registrou 165,5 milhões de remessas, R$ 18,6 bilhões de valor aduaneiro e R$ 5,0 bilhões de imposto devido[^17].

{{INFERÊNCIA}} No ritmo de julho de 2026, o cross-border anualiza cerca de 325 milhões de pacotes e R$ 32 bilhões em valor aduaneiro, o equivalente a 13% do faturamento do e-commerce nacional de 2025 (R$ 235,5 bi)[^39]. O valor aduaneiro exclui ICMS e frete, portanto o gasto do consumidor é maior.

## A economia do setor {#economia}

O varejo é uma operação de margem líquida baixa que vive de três alavancas: giro de estoque, prazo com fornecedor e custo de financiar o cliente. A PAC 2023 mostra a escala: R$ 2,92 trilhões de receita líquida, valor adicionado de R$ 598,8 bilhões, 1,13 milhão de empresas e 7,67 milhões de pessoas ocupadas[^8] {{FATO}}.

**A conta que mudou: o parcelado sem juros.** No primeiro trimestre de 2026, as compras parceladas sem juros somaram R$ 390,5 bilhões, 43,2% do valor transacionado no cartão de crédito; 62,4% delas em até seis parcelas[^41] {{FATO}}. Quem vende parcelado sem juros recebe em parcelas ou antecipa com desconto. O consumidor não paga juros; o lojista paga.

{{INFERÊNCIA}} Numa venda em 6 parcelas, o prazo médio do recebível é de cerca de 3,5 meses. Com custo de funding entre 1,2% e 1,4% ao mês (CDI de 13% a 15% ao ano mais spread), o custo de carregar ou antecipar fica entre 4% e 5% do valor da venda, comparável à margem líquida de um varejista eficiente. Com a Selic a 2% (2020), esse custo era inferior a 1%.

O balanço do Magazine Luiza no 2T26 confirma a ordem de grandeza: despesa financeira líquida de R$ 572,3 milhões, 6,4% da receita líquida de R$ 8,89 bilhões, contra EBITDA ajustado de R$ 708,8 milhões (margem de 7,6%)[^34] {{FATO}}. A operação gera caixa; o financiamento do consumidor o consome.

| Empresa (2T26) | Receita líquida | EBITDA ajustado | Resultado financeiro | Financeiro sobre EBITDA | Leitura |
|---|---|---|---|---|---|
| Magazine Luiza[^34] | R$ 8,89 bi (-2,6%) | R$ 708,8 mi | -R$ 572,3 mi | 81% | banco sem spread |
| Assaí[^35] | R$ 19,2 bi (+0,9%) | R$ 1,07 bi | -R$ 421 mi | 39% (aprox.) | desalavancando, alavancagem 2,37x |
| Lojas Renner[^36] | R$ 3,69 bi no varejo (+1,1%) | R$ 791,2 mi no varejo | caixa líquido de R$ 1,2 bi | n/a | opera bem, mas corta guidance |

{{INFERÊNCIA}} A comparação do Assaí mistura bases (resultado financeiro pré-IFRS 16 e EBITDA ajustado), por isso o percentual é aproximado. A mensagem não depende da precisão: o custo do dinheiro ficou do tamanho do lucro operacional para quem financia o cliente, e muito menor para quem vende necessidade à vista.

**Unit economics das plataformas é outra.** O Mercado Livre teve receita líquida de US$ 5,53 bilhões no Brasil no 2T26, alta de 42% em moeda constante, publicidade crescendo 62% e carteira de crédito acima de US$ 16 bilhões, alta de 75%[^37] {{FATO}}. {{INFERÊNCIA}} Convertida pelo dólar médio do trimestre (R$ 5,05)[^16], a receita brasileira do Mercado Livre foi de cerca de R$ 27,9 bilhões, 3,1 vezes a do Magazine Luiza. A diferença essencial não é o tamanho: é que a plataforma cobra para financiar (juros do Mercado Pago) e cobra para dar visibilidade (anúncios), enquanto o varejista tradicional paga pelas duas coisas.

## Cadeia de valor {#cadeia}

:::chain
[{"step":"Indústria e importação","detail":"Fabricantes nacionais, confecções, importadores; agora também vendedores chineses diretos via Remessa Conforme","margin":"pressionada"},
 {"step":"Plataforma e tráfego","detail":"Marketplaces, buscadores, redes sociais; cobram take rate, frete e anúncios","margin":"alta"},
 {"step":"Financiamento do consumidor","detail":"Cartão, parcelado sem juros, crediário, carnê, BNPL, crédito de plataforma; spread e tarifas","margin":"alta"},
 {"step":"Varejo físico e estoque","detail":"Lojas, centros de distribuição, capital de giro em estoque e recebíveis","margin":"baixa"},
 {"step":"Logística de última milha","detail":"Correios, couriers, malhas próprias de plataformas, lockers e lojas como ponto de coleta","margin":"média"},
 {"step":"Mídia e dados","detail":"Retail media, dados de primeira parte, programas de fidelidade e assinatura","margin":"alta"},
 {"step":"Pós-venda e serviços","detail":"Garantia estendida, seguros, montagem, assistência, serviços de saúde em farmácias","margin":"média"}]
:::

{{INFERÊNCIA}} O desenho mostra o problema central: as etapas de margem alta (tráfego, crédito, mídia) são exatamente as que o varejo tradicional terceirizou ou subsidiou. A loja ficou com a etapa intensiva em capital e de margem baixa.

## Onde o valor está sendo capturado {#valor}

**Retail media cresce três vezes mais que a publicidade digital.** O investimento em publicidade digital no Brasil chegou a R$ 42,7 bilhões em 2025 (+12,7%), e o retail media a R$ 4,8 bilhões (+37%)[^40] {{FATO}}. O Mercado Livre declarou ter superado 10% do mercado de publicidade digital da América Latina no 2T26[^37]. {{INFERÊNCIA}} Quem tem tráfego de intenção de compra vende a mesma atenção duas vezes: para o consumidor (produto) e para a indústria (anúncio).

**Crédito é o produto mais rentável do varejo, quando o funding é barato.** A operação financeira da Renner (Realize) entregou R$ 53,5 milhões no 2T26, contra R$ 118,5 milhões um ano antes, com carteira de R$ 6,65 bilhões e concessão seletiva[^36] {{FATO}}. O Mercado Pago, com funding de depósitos de clientes, expandiu a carteira em 75%[^37]. {{INFERÊNCIA}} Em juro alto, o crédito separa quem tem funding próprio (plataformas com conta digital) de quem depende de banco (varejo tradicional).

**Necessidade venceu o discricionário.** Entre 2019 e 2025, o volume de farmácias e perfumaria subiu 48,5%, o de super e hipermercados 16,1% e o de eletrodomésticos 12,6%; vestuário caiu 12,9%, móveis 6,2%, informática e escritório 10,7%, e livros e papelaria 42,1%[^3] {{FATO}}.

:::chart
{"type":"bar","title":"Farmácia e supermercado cresceram; moda, móveis e papelaria encolheram","unit":"% de variação do volume de vendas, 2025 contra 2019","period":"2019-2025",
 "labels":["Farmácia","Super e hiper","Veículos","Eletrodom.","Combustíveis","Mat. constr.","Outros pessoais","Móveis","Informática","Vestuário","Livros e papel."],
 "series":[{"name":"Volume","values":[48.5,16.1,14.6,12.6,8.6,8.5,3.2,-6.2,-10.7,-12.9,-42.1]}],
 "src":[3],"note":"Cálculo Instfy: média anual do número-índice de volume da PMC (2022=100), tabela 8883."}
:::

## Brasil {#brasil}

**O consumidor das classes C, D e E está mais endividado e mais inadimplente do que em qualquer momento da série.** Em julho de 2026, 82% das famílias tinham dívidas e 29,8% estavam inadimplentes, segundo a CNC; entre famílias com renda de até 3 salários mínimos, 84,9% endividadas e 38,5% inadimplentes. O cartão de crédito responde por 85,3% das dívidas e o atraso médio é de 64,6 dias[^27] {{FATO}}. No dado do Banco Central, a inadimplência do crédito livre a pessoas físicas chegou a 8,01% em agosto de 2026, o maior nível da série iniciada em 2011[^11] {{FATO}}.

:::chart
{"type":"line","title":"O serviço da dívida bateu recorde junto com o desemprego mínimo","unit":"% da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)","period":"2014-2026",
 "labels":["2014","2015","2016","2017","2018","2019","2020","2021","2022","2023","2024","2025","jul/26"],
 "series":[{"name":"Comprometimento de renda com serviço da dívida","values":[23.48,22.99,23.22,22.09,22.58,22.65,21.84,25.58,27.57,25.84,26.80,28.09,28.72]},
           {"name":"Inadimplência do crédito livre PF","values":[5.36,6.24,6.13,5.31,4.88,5.10,4.23,4.45,6.02,5.73,5.40,7.06,7.78]}],
 "src":[10,11],"note":"Valores de dezembro de cada ano e de julho de 2026. Desde jan/2025 a Resolução CMN 4.966 alterou critérios contábeis de provisão, o que afeta a comparabilidade da inadimplência."}
:::

{{INFERÊNCIA}} O par "desemprego mínimo e inadimplência máxima" diz que o problema não é falta de renda, é custo do dinheiro e destinação da renda. Isso muda o diagnóstico: políticas que aumentam renda (IR, salário mínimo) ajudam menos o varejo do que políticas que reduzem o custo da dívida existente (Desenrola, queda da Selic).

**O varejo físico não morreu, mas mudou de função.** No 2T26 do Magazine Luiza, as vendas das lojas físicas cresceram 10,3% enquanto o e-commerce caiu 11,9%[^34] {{FATO}}. {{HIPÓTESE}} Num ambiente de crédito restrito, a loja volta a ser o lugar onde se concede crédito (crediário, carnê, cartão próprio) e onde se vende para quem não é aprovado no digital. A CNC registra que carnês de loja seguem relevantes nas dívidas das famílias[^27].

**Crise e recuperações judiciais.** A Serasa Experian contou 2.466 empresas com pedido de recuperação judicial em 2025, alta de 12,9% e maior número desde 2012[^28] {{FATO}}. No varejo, a sequência é conhecida: Americanas (jan/2023, dívida de R$ 43 bi, inconsistências de R$ 20 bi)[^29][^30], Casas Bahia (recuperação extrajudicial de R$ 4,1 bi em abr/2024, trocando dívida a CDI + 2,7% em 22 meses por CDI + 1,2% em 72 meses e direito de conversão de 63% em ações)[^32], e Grupo Toky, dono de Tok&Stok e Mobly (RJ autorizada em 11/05/2026, citando juros elevados, endividamento das famílias e crédito restrito)[^33] {{FATO}}.

A Americanas, por sua vez, pediu o encerramento da RJ em março de 2026, após aporte de cerca de R$ 12 bilhões dos acionistas e conversão de dívida dos bancos, e fechou 2025 com 1.470 lojas (eram 1.587 em 2024)[^31] {{FATO}}.

## Mapa regional {#regional}

O crescimento do varejo não foi homogêneo. Entre 2019 e 2025, o volume do varejo restrito subiu 48,3% no Amapá, 28,9% no Pará, 28,2% no Maranhão e 27,3% no Espírito Santo, enquanto o Rio de Janeiro recuou 3,4% e o Distrito Federal ficou estável (+0,5%). São Paulo cresceu 7,9%, abaixo da média nacional[^1] {{FATO}}.

:::chart
{"type":"bar","title":"O varejo cresceu no Norte, no Nordeste e na fronteira agrícola; encolheu no Rio","unit":"% de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019","period":"2019-2025",
 "labels":["AP","PA","MA","RR","ES","PI","MS","PB","SC","RS","MT","MG","CE","SP","PR","BA","PE","GO","DF","RJ"],
 "series":[{"name":"Volume","values":[48.3,28.9,28.2,28.1,27.3,26.9,26.8,26.1,22.5,21.6,21.2,17.7,14.2,7.9,7.5,5.8,5.3,3.1,0.5,-3.4]}],
 "src":[1],"note":"Cálculo Instfy sobre a PMC por UF (tabela 8880). A PMC registra a venda no estado do estabelecimento; vendas on-line podem ser atribuídas ao estado do centro de distribuição, o que distorce UFs com grandes CDs."}
:::

{{INFERÊNCIA}} O mapa sugere duas forças: transferências de renda e agronegócio sustentaram o consumo em estados de renda mais baixa e na fronteira agrícola, enquanto as capitais de serviços (Rio, Brasília) sofreram mais com o endividamento da classe média e a migração para o digital. {{HIPÓTESE}} Parte do recuo do Rio pode refletir a relocalização contábil de vendas on-line para CDs em outros estados.

## Quem está ganhando {#ganhando}

| Quem | Por que ganha | Evidência |
|---|---|---|
| Plataformas com crédito e anúncios (Mercado Livre, Shopee) | Funding próprio, tráfego de intenção, publicidade de alta margem | Receita Brasil +42% em moeda constante e anúncios +62% no 2T26[^37]; Mercado Livre e Shopee lideram acessos[^42] |
| Plataformas cross-border (Shein, Temu, AliExpress) | Alíquota zero até US$ 50 desde mai/2026; logística direta | Remessas de 16 para 28 milhões/mês[^17]; Temu passou de 9,8 mi para 107 mi de acessos em cinco meses de 2024[^42] |
| Farmácias | Envelhecimento, recorrência, categoria de necessidade | Volume +48,5% (2019-2025)[^3]; RADL3 +10% no período[^38] |
| Supermercados e atacarejo | Necessidade, venda à vista ou no débito, giro alto | Volume de super e hiper +16,1%[^3]; Assaí desalavancou para 2,37x[^35] |
| Estados (ICMS) | O ICMS continua sobre o cross-border, cuja base cresceu | Lei de conversão preserva ICMS[^20] {{INFERÊNCIA}} |
| Vendedores nacionais em plataformas estrangeiras | Shein afirma que 60% das vendas no país vêm do marketplace e 85% do vestuário é produzido no Brasil | Declaração da empresa[^43] {{INDÍCIO}} |

## Quem está perdendo {#perdendo}

| Quem | Por que perde | Evidência |
|---|---|---|
| Varejo de duráveis financiado (eletro, móveis) | Financia o cliente a Selic alta, compete com plataforma em preço | Magalu: financeiro = 81% do EBITDA[^34]; Casas Bahia em RExtra[^32]; Grupo Toky em RJ[^33] |
| Moda de preço médio e baixo | Cross-border sem imposto, consumo de vestuário abaixo de 2019 | Vestuário -12,9% em volume[^3]; Renner corta guidance de 9-13% para 4-8% citando cross-border[^36] |
| Varejo esportivo e de lazer | Discricionário, ticket alto, financiado | SBFG3 -66% desde 2019[^38] |
| Papelarias, livrarias, informática | Substituição digital e cross-border | Livros e papelaria -42,1%, informática -10,7%[^3] |
| Consumidor de baixa renda | Juro real alto, cartão rotativo a 444,9% a.a., bets até out/2026 | 38,5% de inadimplentes até 3 SM[^27]; rotativo[^13] |
| Operadores de apostas e sua cadeia de mídia | Proibição desde 25/09/2026 | MP 1.394[^21] |

## O que o mundo ensina {#mundo}

Três lições internacionais, com mecânica econômica, ajudam a ler o Brasil.

**1. O varejista vencedor monetiza o cliente além da margem da mercadoria.** Walmart e Costco ganham dinheiro com assinatura e mídia, linhas que não dependem do preço do produto. O varejo brasileiro monetiza o cliente com crédito, que depende do juro. {{INFERÊNCIA}} Assinatura e mídia são receitas de baixo capital; crédito é receita de alto capital. Em país de juro alto, a primeira escala e a segunda trava.

**2. Os países centrais estão fechando a porta do pacote barato; o Brasil abriu.** Os EUA suspenderam a isenção de minimis para todos os países em 29/08/2025, e uma lei federal revoga o limite de US$ 800 em definitivo a partir de 01/07/2027[^46]. A União Europeia passou a cobrar € 3 por item em remessas de até € 150 a partir de 01/07/2026[^47] {{FATO}}. O Brasil fez o movimento inverso em maio de 2026. {{INFERÊNCIA}} Quando o maior mercado do mundo fecha a porta, a capacidade ociosa de plataformas e fábricas exportadoras procura mercados abertos. O salto de 83% nas remessas ao Brasil em três meses é coerente com esse redirecionamento, ainda que a alíquota zero seja a causa mais direta.

**3. Varejo que vira financeira sem governança de banco quebra de forma súbita.** O caso La Polar, no Chile, é o espelho mais próximo do risco brasileiro de crediário (ver Cases).

## Cases internacionais {#cases}

### Walmart: mídia e assinatura como segunda fonte de lucro (positivo)
No quarto trimestre do ano fiscal 2026, a publicidade global do Walmart cresceu 37% (41% no Walmart Connect nos EUA), a receita de anuidades cresceu 15,1% e o e-commerce global 24%[^44] {{FATO}}. **Mecânica:** o Walmart usa preço baixo para gerar tráfego e vende esse tráfego à indústria como mídia. A margem do anúncio é muito superior à da mercadoria e não exige estoque. **Para o Brasil:** supermercados e farmácias têm tráfego físico recorrente e dados de cupom fiscal, mas raramente vendem mídia. {{INFERÊNCIA}}

### Costco: o lucro está na carteirinha (positivo)
No ano fiscal 2025, a Costco faturou US$ 269,9 bilhões em vendas e US$ 5,32 bilhões em anuidades, com lucro operacional de US$ 10,38 bilhões[^45] {{FATO}}. **Mecânica:** as anuidades equivalem a 51% do lucro operacional; a mercadoria é vendida quase a custo para garantir renovação. O cliente paga antecipado, e não financiado. **Para o Brasil:** o atacarejo tem o perfil operacional (giro, sortimento curto), mas não cobra pela fidelidade. {{HIPÓTESE}} Um clube pago para pequeno varejista e família numerosa poderia trocar receita financeira por receita recorrente.

### Mercado Livre: o flywheel de crédito e anúncio (positivo, latino-americano)
Receita no Brasil de US$ 5,53 bilhões no 2T26, carteira de crédito acima de US$ 16 bilhões (+75%), NIMAL de 20,7% e inadimplência de 15 a 90 dias de 7,0% na carteira[^37] {{FATO}}. **Mecânica:** os dados de venda reduzem o custo de originação; os depósitos da conta digital reduzem o custo de funding; os anúncios financiam o frete grátis, que aumenta a conversão. **Alerta embutido:** a inadimplência da carteira de 7% mostra que o modelo também carrega risco de crédito no ciclo atual.

### La Polar (Chile, 2011): o crediário que inventou lucro (alerta)
Em 9 de junho de 2011, a La Polar reconheceu um "serio problema de provisiones" após repactuar unilateralmente a dívida de milhares de clientes; a ação caiu de cerca de 2.000 para 14 pesos e a recuperação exigiu cerca de US$ 300 milhões de capitalização[^48] {{FATO}}. **Mecânica:** renegociar dívida sem o consentimento do cliente transforma inadimplência em carteira "em dia", infla receita financeira e esconde perdas. **Para o Brasil:** com inadimplência recorde e carteiras próprias de varejistas, renegociações em massa (inclusive via Desenrola) exigem auditoria de safra e provisão. A Americanas mostrou que o mercado brasileiro também não detecta a tempo inconsistências de grande porte[^30].

### Hudson's Bay (Canadá, 2025): marca centenária não paga dívida (alerta)
A varejista mais antiga do Canadá pediu proteção contra credores em março de 2025, liquidou as 96 lojas e demitiu cerca de 8.300 empregados até junho; a marca foi vendida por mais de 30 milhões de dólares canadenses[^49] {{FATO}}. **Mecânica:** tráfego em queda, dívida garantida elevada e subinvestimento tornam a loja física um passivo fixo. **Para o Brasil:** lojas de departamento e duráveis com aluguel alto e dívida cara estão na mesma equação.

### EUA e União Europeia: a política comercial como variável do varejo (alerta regulatório)
A decisão norte-americana de suspender o de minimis (29/08/2025)[^46] e a europeia de cobrar € 3 por item (01/07/2026)[^47] mostram que o tratamento tributário do pacote pequeno muda em meses e redistribui fluxos globais. **Para o Brasil:** a alíquota zero, por ser fixada por ato do Ministro da Fazenda dentro do teto legal[^18], pode ser revertida com a mesma rapidez. Planejar capacidade industrial com base nela é arriscado nos dois sentidos.

## O que não fecha? {#contradicoes}

1. **Desemprego mínimo e inadimplência máxima.** A desocupação de 5,1% (4T25) é a menor da série recente[^6], mas a inadimplência PF em recursos livres é a maior desde 2011[^11]. {{INFERÊNCIA}} O ciclo de crédito, e não o de emprego, está no comando. Parte do salto pode refletir a mudança contábil da Resolução 4.966 (2025).
2. **Renner opera bem e perde valor.** Margem EBITDA de 21,4% no varejo e caixa líquido de R$ 1,2 bi[^36], mas ação 62% abaixo de 2019[^38]. {{INFERÊNCIA}} O mercado não está punindo só a execução; está reprecificando o formato, com desconto pelo risco cross-border e pelo juro estrutural.
3. **O Brasil arrecadava mais e abriu mão.** O imposto sobre remessas rendeu R$ 5,0 bi em 2025[^17]; a exposição de motivos da MP 1.357 afirma que a medida "não ocasiona renúncia de receitas tributárias"[^18]. {{INFERÊNCIA}} Com alíquota efetiva de 23% caindo para menos de 5%, a afirmação só se sustenta se o volume e a formalização compensarem integralmente, o que os números de julho (II devido de R$ 106 mi no PRC contra R$ 342 mi em dez/2025) ainda não mostram.
4. **A loja física cresce e o e-commerce cai no mesmo varejista.** No 2T26 do Magazine Luiza, lojas +10,3% e on-line -11,9%[^34]. {{HIPÓTESE}} O digital 1P perdeu para marketplaces e cross-border; a loja manteve o cliente que depende de crédito presencial.
5. **Retail media cresce 37% enquanto as varejistas encolhem.** O dinheiro da indústria está indo para mídia de varejo[^40], mas concentrado em quem tem tráfego digital. {{INFERÊNCIA}} O varejista físico, dono do maior tráfego do país, não está capturando essa verba.
6. **O fim das bets libera renda, a alíquota zero a exporta.** As duas medidas foram tomadas em 2026 com quatro meses de diferença. {{INFERÊNCIA}} O efeito líquido para o varejo nacional discricionário pode ser próximo de zero, enquanto para supermercado e farmácia tende a ser positivo.

## Forças de transformação {#forcas}

| Força | Direção | Intensidade 2026-2028 | Quem se beneficia |
|---|---|---|---|
| Custo do capital (Selic 13,75% e juro real alto) | contra o varejo financiado | alta | quem vende à vista e quem tem funding próprio |
| Endividamento recorde das famílias | contra duráveis | alta | cobrança, renegociação, crédito consignado |
| Proibição das bets | a favor do consumo | média, incerta | supermercado, farmácia, serviços |
| Isenção do IR até R$ 5 mil | a favor do consumo das classes C e D | média | varejo de necessidade e de bens de entrada |
| Alíquota zero até US$ 50 | contra moda e utilidades nacionais | alta | plataformas cross-border, logística, ICMS |
| Retail media e dados de primeira parte | a favor de quem tem tráfego | alta | plataformas, redes com app e fidelidade |
| Reforma tributária e split payment | a favor do formal contra o informal | média, crescente a partir de 2027 | grandes redes formais |
| Social commerce e criadores | a favor de marcas nativas digitais | média | marcas pequenas com comunidade |

## Mapa de riscos {#riscos}

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{"type":"matrix","title":"Mapa de riscos do varejo brasileiro, 2026 a 2028","x":"Probabilidade","y":"Impacto","max":5,
 "points":[{"id":1,"x":3,"y":5,"label":"Juro real alto por mais tempo"},
           {"id":2,"x":4,"y":4,"label":"Inadimplência PF segue em alta"},
           {"id":3,"x":5,"y":4,"label":"Cross-border avança sobre moda e utilidades"},
           {"id":4,"x":3,"y":3,"label":"Bets migram para a ilegalidade se a MP cair"},
           {"id":5,"x":4,"y":3,"label":"Custo de transição da reforma tributária"},
           {"id":6,"x":2,"y":5,"label":"Nova fraude contábil em varejista listada"},
           {"id":7,"x":3,"y":4,"label":"Concentração de tráfego e alta de take rate"},
           {"id":8,"x":3,"y":2,"label":"Mudança de política após a eleição de 2026"},
           {"id":9,"x":2,"y":3,"label":"Choque cambial encarece importados"},
           {"id":10,"x":2,"y":2,"label":"Ressaca de duráveis pós-Copa"}],
 "quadrants":["Monitorar","Zona crítica"],"src":[11,15,17,21,26],
 "note":"Avaliação qualitativa da Instfy (1 a 5), com base nos dados citados no estudo."}
:::

Os riscos 2 e 7 estão entre os mais críticos e se alimentam: quanto mais inadimplente o consumidor de baixa renda, mais o crédito se concentra em quem tem dados e funding melhores, o que reforça as plataformas. O risco 6 tem probabilidade baixa e impacto máximo; a lição de Americanas e La Polar é que ele aparece justamente em ciclos de inadimplência alta.

## Oportunidades {#oportunidades}

Cada oportunidade abaixo nasce de um dado deste estudo. Capital e prazos são estimativas da Instfy para ordem de grandeza {{HIPÓTESE}}.

### 1. Crédito de varejo com dado de cupom e Pix
- **Problema:** varejistas médios financiam o cliente a custo de banco e não têm dado para precificar risco; inadimplência PF em recorde de 8%[^11].
- **Cliente:** redes regionais de móveis, eletro e moda com crediário próprio.
- **Solução:** motor de crédito que usa histórico de compra e pagamento (cupom, Pix, carnê) e repassa a carteira a FIDC ou banco parceiro.
- **Modelo econômico:** taxa por concessão + participação no spread; varejista sai do balanço do risco.
- **Por que agora:** Selic começa a cair; Desenrola limpa cadastro; varejistas precisam de crédito sem carregar recebível.
- **Barreira:** acesso a funding e licença (SCD ou parceria).
- **Risco:** safra originada no pico de inadimplência.
- **Capital:** R$ 20 mi a R$ 50 mi (tecnologia e primeira perda).
- **Time-to-market:** 9 a 15 meses.

### 2. Rede de retail media para supermercados e farmácias regionais
- **Problema:** retail media cresce 37% ao ano[^40], mas a verba vai para quem tem tráfego digital; redes físicas não têm escala para vender mídia sozinhas.
- **Cliente:** indústria de bens de consumo e redes regionais.
- **Solução:** rede compartilhada que agrega dados de fidelidade, telas de loja e app de várias redes e mede vendas incrementais.
- **Modelo:** comissão sobre mídia vendida (20% a 30%), receita dividida com as redes.
- **Por que agora:** saída das bets, grandes anunciantes de 2024-2026, libera inventário e verba de mídia {{INFERÊNCIA}}.
- **Barreira:** padronizar dados entre redes; LGPD.
- **Risco:** grandes plataformas oferecem o mesmo com mais escala.
- **Capital:** R$ 10 mi a R$ 30 mi.
- **Time-to-market:** 6 a 12 meses.

### 3. Precificação dinâmica do parcelamento
- **Problema:** 43,2% do crédito no cartão é parcelado sem juros[^41]; o custo de 4% a 5% da venda (estimativa Instfy) é dado como fixo.
- **Cliente:** varejo de ticket médio e alto, físico e on-line.
- **Solução:** software que decide, por produto, cliente e canal, quantas parcelas oferecer e qual desconto à vista vale mais que o parcelamento.
- **Modelo:** SaaS + fee sobre economia financeira comprovada.
- **Por que agora:** Selic acima de 13% torna cada parcela cara; Pix e Pix Automático oferecem alternativa à vista.
- **Barreira:** integração com adquirência e ERP.
- **Risco:** perda de conversão mal calibrada.
- **Capital:** R$ 3 mi a R$ 8 mi.
- **Time-to-market:** 4 a 8 meses.

### 4. Confecção sob demanda para competir com o cross-border
- **Problema:** vestuário caiu 12,9% em volume desde 2019[^3] e enfrenta remessas sem imposto até US$ 50.
- **Cliente:** varejistas de moda nacionais e marcas próprias.
- **Solução:** rede de confecções do Agreste, de Santa Catarina e de Goiás integrada por software de pedido em lotes pequenos (300 a 1.000 peças) com reposição em 15 dias.
- **Modelo:** margem de intermediação industrial + SaaS.
- **Por que agora:** o lead time é a única vantagem que o produtor nacional mantém sobre o pacote de 15 a 30 dias vindo da Ásia {{INFERÊNCIA}}.
- **Barreira:** qualidade e capital de giro das confecções.
- **Risco:** plataformas cross-border fazem o mesmo com produtores locais (a Shein afirma ter 85% do vestuário produzido no Brasil[^43]).
- **Capital:** R$ 15 mi a R$ 40 mi.
- **Time-to-market:** 12 a 18 meses.

### 5. Serviço de conformidade e fulfillment para vendedores nacionais em marketplaces globais
- **Problema:** marketplaces estrangeiros recrutam vendedores brasileiros, que não dominam padrões de catálogo, logística e tributação.
- **Cliente:** pequenas indústrias e marcas.
- **Solução:** operação terceirizada de catálogo, estoque, emissão fiscal sob IBS/CBS e atendimento.
- **Modelo:** fee mensal + percentual do GMV.
- **Por que agora:** reforma tributária e split payment[^26] exigem conformidade nova; plataformas querem oferta local.
- **Barreira:** baixa.
- **Risco:** plataformas internalizam o serviço.
- **Capital:** R$ 2 mi a R$ 6 mi.
- **Time-to-market:** 3 a 6 meses.

### 6. Cobrança e renegociação inteligente pós-Desenrola e pós-bets
- **Problema:** 29,8% das famílias inadimplentes, atraso médio de 64,6 dias[^27].
- **Cliente:** varejistas com carteira própria, financeiras, FIDCs.
- **Solução:** cobrança digital com segmentação por capacidade de pagamento e oferta de acordo por Pix parcelado.
- **Modelo:** success fee sobre valor recuperado.
- **Por que agora:** a renda antes perdida em apostas (R$ 32 bi a R$ 38 bi líquidos por ano, estimativa Instfy) pode voltar a pagar dívida.
- **Barreira:** regulação de cobrança e reputação.
- **Risco:** reincidência após o Desenrola.
- **Capital:** R$ 5 mi a R$ 15 mi.
- **Time-to-market:** 4 a 9 meses.

### 7. Tributário de transição para o pequeno varejo
- **Problema:** 1,13 milhão de empresas varejistas[^8] terão de conviver com ICMS, PIS/Cofins, CBS e IBS ao mesmo tempo a partir de 2027.
- **Cliente:** PMEs varejistas e contadores.
- **Solução:** módulo de ERP que simula preço, crédito de IBS/CBS e efeito do split payment no caixa.
- **Modelo:** SaaS por CNPJ.
- **Por que agora:** CBS de teste em 2026 e cobrança efetiva a partir de 2027[^26].
- **Barreira:** atualização normativa constante.
- **Risco:** ERPs grandes embutem a função.
- **Capital:** R$ 3 mi a R$ 10 mi.
- **Time-to-market:** 6 a 9 meses.

### 8. Farmácia como hub de cuidado recorrente
- **Problema:** farmácia é a categoria que mais cresce (+48,5% em volume desde 2019)[^3], mas a margem do medicamento é regulada.
- **Cliente:** redes regionais de farmácias.
- **Solução:** serviços clínicos (testes, vacinação, acompanhamento de crônicos), assinatura de medicamentos de uso contínuo e mídia de saúde.
- **Modelo:** assinatura + serviço + mídia.
- **Por que agora:** envelhecimento e recorrência; consumidor busca previsibilidade de gasto.
- **Barreira:** regulação sanitária e profissional.
- **Risco:** grandes redes e plataformas de saúde.
- **Capital:** R$ 5 mi a R$ 20 mi por rede.
- **Time-to-market:** 6 a 12 meses.

### 9. Abastecimento B2B do pequeno varejo alimentar
- **Problema:** mercadinhos de bairro compram mal e não têm crédito.
- **Cliente:** cerca de centenas de milhares de pequenos comércios alimentares (número exato não verificado neste estudo).
- **Solução:** pedido por app, entrega programada e crédito de prazo com base no histórico de compra.
- **Modelo:** margem de distribuição + receita financeira de prazo.
- **Por que agora:** supermercado é a segunda categoria que mais cresce[^3]; a renda extra das classes C e D é gasta perto de casa {{HIPÓTESE}}.
- **Barreira:** logística de última milha capilar.
- **Risco:** atacarejos e indústria competem diretamente.
- **Capital:** R$ 30 mi a R$ 100 mi.
- **Time-to-market:** 12 a 24 meses.

### 10. Special situations em varejo: pontos, marcas e carteiras
- **Problema:** recorde de 2.466 pedidos de RJ em 2025[^28]; marcas e pontos comerciais vendidos com desconto.
- **Cliente:** fundos de crédito estressado e operadores estratégicos.
- **Solução:** veículo que compra marcas, pontos e carteiras de recebíveis de varejistas em reestruturação e as opera ou revende.
- **Modelo:** retorno de capital (TIR-alvo acima de 25%, hipótese).
- **Por que agora:** Americanas vendeu a Uni.co (Imaginarium, Puket) por R$ 152,9 mi[^31]; Grupo Toky em RJ[^33]; mais casos devem surgir com juro alto.
- **Barreira:** due diligence e capacidade operacional.
- **Risco:** passivos trabalhistas e tributários ocultos.
- **Capital:** R$ 100 mi a R$ 500 mi.
- **Time-to-market:** 6 a 12 meses.

### 11. Inteligência de expansão para o Norte, Nordeste e fronteira agrícola
- **Problema:** o varejo cresceu 20% a 48% em estados como Amapá, Pará, Maranhão, Piauí e Mato Grosso do Sul, contra 7,9% em São Paulo[^1].
- **Cliente:** redes nacionais e regionais planejando lojas.
- **Solução:** modelo de potencial por município combinando PMC, PNAD, transferências, crédito do BCB e dados de agro.
- **Modelo:** projeto + assinatura de dados.
- **Por que agora:** expansão de lojas volta a fazer sentido onde o crédito presencial é decisivo.
- **Barreira:** qualidade de dados municipais.
- **Risco:** ciclo de commodities.
- **Capital:** R$ 1 mi a R$ 3 mi.
- **Time-to-market:** 3 a 6 meses.

### 12. Live e social commerce para marcas nacionais
- **Problema:** marcas pequenas não têm acesso ao tráfego pago caro das plataformas.
- **Cliente:** marcas de moda, beleza e casa.
- **Solução:** operação de vendas ao vivo com criadores, pagamento por Pix e logística integrada.
- **Modelo:** comissão sobre venda.
- **Por que agora:** classe C responde por 54% das compras on-line[^39]; criadores substituem anúncio.
- **Barreira:** baixa.
- **Risco:** dependência de algoritmo de rede social.
- **Capital:** R$ 1 mi a R$ 5 mi.
- **Time-to-market:** 2 a 4 meses.

## Matriz de oportunidades {#matriz}

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{"type":"matrix","title":"Matriz de oportunidades: atratividade contra viabilidade","x":"Viabilidade (capital, barreira, prazo)","y":"Atratividade (tamanho, margem, timing)","max":5,
 "points":[{"id":1,"x":3,"y":5,"label":"Crédito com dado de cupom e Pix"},
           {"id":2,"x":3,"y":4,"label":"Retail media para redes regionais"},
           {"id":3,"x":5,"y":4,"label":"Precificação do parcelamento"},
           {"id":4,"x":1,"y":3,"label":"Confecção sob demanda"},
           {"id":5,"x":4,"y":2,"label":"Fulfillment para vendedores nacionais"},
           {"id":6,"x":4,"y":4,"label":"Cobrança pós-Desenrola"},
           {"id":7,"x":4,"y":3,"label":"Tributário de transição"},
           {"id":8,"x":4,"y":5,"label":"Farmácia como hub de cuidado"},
           {"id":9,"x":2,"y":3,"label":"Abastecimento B2B do pequeno varejo"},
           {"id":10,"x":2,"y":4,"label":"Special situations em varejo"},
           {"id":11,"x":5,"y":3,"label":"Inteligência de expansão regional"},
           {"id":12,"x":5,"y":2,"label":"Live e social commerce"}],
 "quadrants":["Testar barato","Priorizar"],"src":[],
 "note":"Notas de 1 a 5 atribuídas pela Instfy. Atratividade: tamanho do problema medido no estudo, margem e janela de tempo. Viabilidade: inverso do capital, da barreira e do prazo."}
:::

Os quadrantes de prioridade concentram as oportunidades que atacam a mesma causa raiz do estudo: o custo de financiar o consumidor (1, 3, 6) e a monetização do tráfego e da recorrência que o varejo físico já tem (2, 8).

## O que parece óbvio, mas pode estar errado {#obvio}

**"Shein e Temu mataram o varejo de moda."** O volume de vestuário já estava 13% abaixo de 2014 em 2019 e caiu mais 13% até 2025[^3]. A queda é anterior ao cross-border em escala. {{INFERÊNCIA}} O cross-border acelerou um declínio que tem causas de preço relativo, crédito e mudança de hábito. A alíquota zero agrava, mas não inaugura.

**"O e-commerce vai substituir a loja."** No 2T26, o maior varejista multicanal do país cresceu nas lojas e encolheu no on-line[^34]. O digital cresce, mas o digital do varejista tradicional (1P) perde para marketplaces. {{INFERÊNCIA}} A pergunta certa não é loja contra site, e sim quem detém o cliente e o crédito.

**"Juro caindo salva o varejo."** A Renner tem caixa líquido e mesmo assim perdeu 62% do valor[^38]. A Selic a 13,75% ainda é juro real alto. {{INFERÊNCIA}} A queda dos juros ajuda quem está alavancado, mas não devolve ao varejo tradicional as receitas de tráfego e de mídia que migraram para plataformas.

**"O fim das bets devolve R$ 240 bilhões ao varejo."** A estimativa da CNC de R$ 103 bilhões de perdas do varejo em 2024 parte de um gasto de cerca de R$ 240 bilhões com apostas[^23]. O próprio Banco Central lembra que cerca de 85% do valor apostado volta como prêmio[^22]. {{INFERÊNCIA}} O que pode voltar ao consumo é a perda líquida (R$ 32 bi a R$ 38 bi por ano, cálculo Instfy), e parte dela pode ir para pagar dívidas ou para apostas ilegais. Tratamos o número da CNC como {{INDÍCIO}}.

**"A alíquota zero é ruim para todo o varejo nacional."** Plataformas com marketplace local e vendedores brasileiros podem ganhar volume, e os estados ganham ICMS sobre uma base maior[^20]. O prejuízo concentra-se no varejo de moda, utilidades e eletrônicos de baixo valor.

## Segunda ordem {#segunda-ordem}

1. **Mídia mais barata para o varejo.** {{HIPÓTESE}} As casas de apostas estavam entre os maiores anunciantes do país até 2026; a proibição da publicidade[^21] libera espaço em TV, esporte e digital. O custo de mídia pode cair em 2027, favorecendo varejistas que reinvestirem em marca.
2. **Pressão logística e fiscal no cross-border.** Remessas de 27 a 28 milhões por mês[^17] tensionam Correios, couriers e fiscalização. {{INFERÊNCIA}} Atrasos e devoluções podem reduzir a vantagem do pacote barato antes de qualquer mudança tributária.
3. **Reabertura do crédito em 2027.** {{HIPÓTESE}} Se Desenrola, isenção do IR e fim das bets reduzirem a inadimplência em 2027, o crédito para classes C e D reabre, e duráveis (eletro, móveis) podem ter um ciclo forte, desde que a Selic esteja abaixo de 12%.
4. **A formalização tributária muda o preço relativo.** {{INFERÊNCIA}} Com split payment, o informal perde a vantagem de não recolher, e o varejo formal de bairro ganha competitividade. O efeito se materializa a partir de 2027 e cresce até 2033[^26].
5. **Varejistas virando bancos sob nova regra contábil.** A Resolução CMN 4.966 (2025) antecipa provisões. {{INFERÊNCIA}} Varejistas com carteira própria terão lucro mais volátil e precisarão escolher entre ser banco de verdade (com funding) ou vender a carteira.
6. **Eleição e política de consumo.** {{HIPÓTESE}} Com eleição em outubro de 2026, a combinação de alíquota zero, isenção do IR e Desenrola pode ser revista em 2027 por razões fiscais, inclusive a volta da tributação de remessas, que depende só de ato do Ministro dentro do teto legal[^18].

## Cenários {#cenarios}

| Cenário | 2027 | 2030 | 2035 | Sinais |
|---|---|---|---|---|
| **Base: recuperação desigual** | Selic entre 11% e 12%; varejo restrito cresce 2% a 3%; cross-border estabiliza perto de 25 milhões de remessas/mês; necessidade cresce mais que discricionário | Plataformas detêm a maior parte do e-commerce; varejistas físicos reestruturados operam com menos lojas e mais crédito de terceiros | Varejo dividido entre plataformas, atacarejo/farmácia e nichos de marca | Comprometimento de renda abaixo de 27%; inadimplência PF abaixo de 7% |
| **Aceleração: ciclo de crédito** | Selic abaixo de 10%; inadimplência cai após Desenrola e fim das bets; duráveis crescem acima de 6% | Varejistas que limparam balanço (Casas Bahia, Americanas, Magalu) reprecificam; retail media passa de 15% da publicidade digital | Varejo físico integrado a mídia e crédito, com margens maiores que em 2025 | Vendas de móveis e eletro voltam ao nível de 2014; ações do setor sobem acima do Ibovespa |
| **Ruptura: plataformização completa** | Selic estável acima de 13%; nova RJ de varejista grande; cross-border acima de 35 milhões de remessas/mês | Moda e utilidades de baixo valor dominadas por cross-border; varejo nacional restrito a necessidade e serviços | Três ou quatro plataformas controlam tráfego, crédito e mídia | Volume de vestuário cai mais 10%; alíquota zero mantida; take rates sobem |

## Tese Instfy {#tese}

:::thesis
O real a mais do consumidor brasileiro está sendo interceptado antes da prateleira por três pedágios: o custo do crédito, as plataformas que monetizam tráfego e financiamento, e, até outubro de 2026, as apostas. O varejo tradicional perdeu valor porque ficou com a etapa da cadeia que exige capital e entrega margem baixa, e porque financiou o consumo a custo de banco sem cobrar spread. O próximo ciclo será capturado por quem controlar crédito com funding barato, tráfego próprio monetizável e categorias de necessidade.
:::

### O que acreditamos que está acontecendo?
{{TESE}} Desde 2022, o crescimento da renda deixou de se converter em vendas de bens na mesma proporção. A cada 1% de massa salarial real, o varejo restrito captura cerca de 0,54% em volume (2019 a 2025)[^1][^4]. A diferença foi para o serviço da dívida, para apostas e para compras internacionais. O varejo que financia o cliente (duráveis, moda) carregou o custo; o varejo de necessidade e as plataformas capturaram o volume.

### O que o mercado ainda pode não estar precificando?
{{TESE}} Que os choques de 2026 se anulam para o varejo discricionário nacional: a renda liberada por IR e fim das bets tende a vazar para o cross-border com alíquota zero. E que o fim das bets favorece mais o pagamento de dívidas e o supermercado do que o varejo de duráveis no curto prazo. Também é pouco discutido que a publicidade das apostas libera inventário de mídia, o que pode baratear a construção de marca para varejistas em 2027.

### Para onde o valor vai migrar?
{{TESE}} Para três ativos: (1) **crédito com custo de funding inferior** (contas digitais, depósitos, FIDCs com dado proprietário); (2) **tráfego próprio monetizável** (retail media, assinatura, dados de primeira parte); (3) **categorias de necessidade e recorrência** (farmácia, alimentar, saúde). Loja, estoque e parcelamento sem juros deixaram de ser vantagem competitiva por si sós.

### Quem tende a ganhar?
Plataformas com conta digital e anúncios; farmácias e supermercados com programas de fidelidade; atacarejos desalavancados; operadores de crédito e cobrança com dados; vendedores nacionais com lead time curto; fundos de special situations.

### Quem tende a perder?
Varejo de duráveis e moda que financia o cliente com balanço próprio; lojas de departamento com aluguel alto; o pequeno varejo de utilidades e eletrônicos de baixo valor exposto ao cross-border sem imposto; o consumidor de baixa renda se o crédito voltar sem educação financeira.

### O que invalidaria a nossa tese?
1. A razão entre crescimento do volume do varejo e crescimento da massa salarial voltar a ficar acima de 0,9 por dois anos seguidos.
2. O volume de vestuário e móveis voltar ao nível de 2019 com a alíquota zero mantida.
3. Varejistas tradicionais passarem a gerar receita relevante de mídia (acima de 2% da receita) ou de assinatura.
4. A Selic cair abaixo de 10% e ainda assim as ações de varejo tradicional não superarem o Ibovespa em 12 meses (isso indicaria que o problema não era juro, e enfraqueceria a parte da tese sobre crédito).

## Indicadores para acompanhar {#indicadores}

| Indicador | Valor atual | Confirmaria a tese | Enfraqueceria a tese | Frequência e fonte |
|---|---|---|---|---|
| Volume do varejo restrito, acumulado no ano | +1,8% (jan a jul/2026)[^1] | abaixo de metade da alta da massa salarial | igual ou acima da massa | mensal, IBGE PMC |
| Massa de rendimento real | +4,8% em 12 meses (jun a ago/2026)[^4] | segue crescendo acima do varejo | desacelera para o ritmo do varejo | mensal, IBGE PNAD |
| Comprometimento de renda com dívida | 28,72% (jul/2026)[^10] | acima de 28% em 2027 | abaixo de 26% | mensal, BCB SGS 29034 |
| Inadimplência crédito livre PF | 8,01% (ago/2026)[^11] | acima de 7,5% | abaixo de 6% | mensal, BCB SGS 21112 |
| Selic meta | 13,75% (set/2026)[^15] | acima de 12% no fim de 2027 | abaixo de 10% | Copom |
| Remessas internacionais por mês | 27,1 milhões (jul/2026)[^17] | acima de 25 milhões | abaixo de 18 milhões | mensal, Receita Federal |
| Alíquota efetiva do II no PRC | 4,6% (jul/2026)[^17] | mantida abaixo de 10% | volta acima de 20% | mensal, Receita Federal |
| Volume de vestuário (PMC) | -0,9% no acumulado de 2026 até jul[^3] | segue negativo | crescimento acima de 3% | mensal, IBGE PMC |
| Retail media sobre publicidade digital | 11,2% (2025)[^40] | acima de 15% em 2027 | estagnado | anual, IAB Brasil |
| Despesa financeira sobre EBITDA (Magalu) | 81% (2T26)[^34] | acima de 60% | abaixo de 40% | trimestral, RI |
| Famílias inadimplentes (CNC) | 29,8% (jul/2026)[^27] | acima de 28% | abaixo de 25% | mensal, CNC PEIC |
| Pedidos de recuperação judicial | 2.466 (2025)[^28] | novo recorde em 2026 | queda acima de 15% | mensal, Serasa Experian |

## Implicações {#implicacoes}

### Para empresários
- Calcule o custo real do parcelamento por produto e canal. Se ele for maior que a margem líquida, você está doando lucro ao consumidor e ao banco.
- Separe o negócio de varejo do negócio de crédito: ou vire banco com funding e governança, ou venda a carteira.
- Trate tráfego de loja e app como ativo de mídia; mesmo uma rede regional pode vender exposição à indústria.
- Em moda e utilidades, compita por prazo de reposição e por produto que o pacote internacional não entrega bem (tamanho, troca, ajuste).

### Para investidores
- Separe varejo de necessidade (farmácia, alimentar) de varejo financiado (duráveis, moda); os dados mostram trajetórias opostas.
- Use a razão despesa financeira sobre EBITDA como filtro primário em varejo listado.
- Acompanhe o cross-border mensal da Receita: ele antecipa a receita de moda e utilidades.
- Special situations em varejo devem ganhar oferta em 2026 e 2027; a disciplina de due diligence de passivos é o diferencial (lições de Americanas e La Polar).

### Para executivos
- Retail media, assinatura e serviços são as linhas que mais crescem no varejo global; coloque metas para elas no plano de 2027.
- Monte cenários com a alíquota de remessas voltando a 20% e com ela mantida em zero; a decisão é de ato ministerial e pode mudar rápido.
- Prepare o caixa para a reforma tributária: o split payment altera o momento do recolhimento e o capital de giro a partir de 2027.

### Para novos entrantes
- Não entre como mais um varejista de estoque. Entre como infraestrutura do varejo: crédito, cobrança, mídia, dados, conformidade.
- Norte, Nordeste e fronteira agrícola cresceram até seis vezes mais que São Paulo desde 2019 (Amapá +48,3% contra +7,9%); o mapa de expansão mudou.
- Nichos de necessidade com recorrência (saúde, pets, alimentação especial) suportam melhor juro alto.

## Conclusão {#conclusao}

O Brasil de 2026 tem pleno emprego estatístico, renda real em alta e varejistas em recuperação judicial. A contradição se resolve quando se olha para onde o dinheiro vai antes de chegar à prateleira: juros, plataformas e apostas. O varejo tradicional perdeu valor não porque o consumo sumiu, mas porque ele ficou com a parte cara da cadeia e terceirizou a parte rentável.

Os choques de 2026 redistribuem esse jogo. O fim das bets e a isenção do IR põem renda no bolso das classes C e D; a alíquota zero manda parte dela para fora. Quem ganhar o próximo ciclo não será quem tiver mais lojas, e sim quem financiar mais barato, conhecer melhor o cliente e vender o que ele precisa todo mês.

## Metodologia {#metodologia}

**Período de coleta:** 6 de outubro de 2026. Dados mais recentes disponíveis: PMC até jul/2026, PNAD Contínua até o trimestre jun a ago/2026, BCB até ago/2026, Receita Federal (Remessa Conforme) até jul/2026, resultados de empresas do 2T26.

**Fontes e cálculos:** séries oficiais foram baixadas diretamente das APIs do IBGE (SIDRA) e do Banco Central (SGS). Médias anuais foram calculadas sobre os números-índice mensais. Os relatórios mensais do Programa Remessa Conforme (out/2024 a jul/2026) foram lidos um a um; totais anuais e alíquotas efetivas são cálculos da Instfy. Variações de ações usam preço ajustado mensal do Yahoo Finance. Dados de empresas vêm de comunicados e de imprensa financeira que reproduz os releases de resultados; o release do Mercado Livre foi consultado no arquivo da SEC.

**Rótulos:** {{FATO}} para dado publicado por fonte identificada; {{INDÍCIO}} para declaração de empresa ou estimativa de entidade com metodologia não auditada; {{INFERÊNCIA}} para conclusões derivadas pela Instfy dos dados; {{HIPÓTESE}} para proposições que precisam de validação; {{TESE}} para a posição da Instfy.

**Matrizes:** riscos e oportunidades receberam notas de 1 a 5 por um analista da Instfy, com base nos números do estudo; não foram validadas por painel.

**Limitações:**
- Não há conta oficial que decomponha o uso da renda adicional das famílias entre 2019 e 2026; a POF mais recente é de 2017-2018. A decomposição em dívida, apostas e cross-border é inferencial.
- Os deflatores da PMC (por atividade) e da PNAD (IPCA) diferem; a comparação renda contra volume é indicativa.
- A inadimplência do BCB desde 2025 é afetada pela Resolução CMN 4.966.
- Não foi possível acessar dados de Neotrust, NielsenIQ ou ABRAS sobre participação de canais (atacarejo, e-commerce por categoria); por isso o estudo não publica participação de mercado do atacarejo.
- O número de lojas do Assaí reportado pela imprensa (1.705 unidades) não foi usado por inconsistência com o histórico da companhia.
- A lei de conversão da MP 1.357 foi confirmada por fonte secundária (Legisweb); o texto final da lei não foi consultado.
- A estimativa da CNC sobre perdas do varejo com bets não teve metodologia publicada acessível.
- Não publicamos índice proprietário. O desenho do Instfy Consumer Capture Index está em construção (variáveis e pesos no backlog do setor).

## Fontes {#fontes}

:::sources
[{"n":1,"group":"Dados oficiais","title":"Pesquisa Mensal de Comércio, tabela 8880: varejo restrito, Brasil e UFs (volume e receita nominal)","publisher":"IBGE/SIDRA","url":"https://sidra.ibge.gov.br/tabela/8880","date":"2026-07","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":2,"group":"Dados oficiais","title":"Pesquisa Mensal de Comércio, tabela 8881: varejo ampliado","publisher":"IBGE/SIDRA","url":"https://sidra.ibge.gov.br/tabela/8881","date":"2026-07","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":3,"group":"Dados oficiais","title":"Pesquisa Mensal de Comércio, tabela 8883: varejo ampliado por atividades","publisher":"IBGE/SIDRA","url":"https://sidra.ibge.gov.br/tabela/8883","date":"2026-07","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":4,"group":"Dados oficiais","title":"PNAD Contínua, tabela 6392: massa de rendimento real habitual do trabalho","publisher":"IBGE/SIDRA","url":"https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6392","date":"2026-08","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":5,"group":"Dados oficiais","title":"PNAD Contínua, tabela 6390: rendimento médio real habitual","publisher":"IBGE/SIDRA","url":"https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6390","date":"2026-08","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":6,"group":"Dados oficiais","title":"PNAD Contínua, tabela 6381: taxa de desocupação","publisher":"IBGE/SIDRA","url":"https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6381","date":"2026-08","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":7,"group":"Dados oficiais","title":"Pesquisa Mensal de Serviços, tabela 8688: volume de serviços por atividade (serviços prestados às famílias)","publisher":"IBGE/SIDRA","url":"https://sidra.ibge.gov.br/tabela/8688","date":"2025-12","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":8,"group":"Dados oficiais","title":"Pesquisa Anual de Comércio 2023, tabela 1399","publisher":"IBGE/SIDRA","url":"https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1399","date":"2023","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":9,"group":"Dados oficiais","title":"SGS 29037 e 29038: endividamento das famílias com o SFN em relação à renda de 12 meses","publisher":"Banco Central do Brasil","url":"https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.29037/dados?formato=json","date":"2026-07","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":10,"group":"Dados oficiais","title":"SGS 29034: comprometimento de renda das famílias com o serviço da dívida (com ajuste sazonal)","publisher":"Banco Central do Brasil","url":"https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.29034/dados?formato=json","date":"2026-07","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":11,"group":"Dados oficiais","title":"SGS 21112: inadimplência da carteira de crédito com recursos livres, pessoas físicas","publisher":"Banco Central do Brasil","url":"https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.21112/dados?formato=json","date":"2026-08","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":12,"group":"Dados oficiais","title":"SGS 20716: taxa média de juros das operações de crédito, pessoas físicas","publisher":"Banco Central do Brasil","url":"https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.20716/dados?formato=json","date":"2026-08","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":13,"group":"Dados oficiais","title":"SGS 22022: taxa média de juros do cartão de crédito rotativo, pessoas físicas","publisher":"Banco Central do Brasil","url":"https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.22022/dados?formato=json","date":"2026-08","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":14,"group":"Dados oficiais","title":"SGS 20570: saldo da carteira de crédito com recursos livres, pessoas físicas","publisher":"Banco Central do Brasil","url":"https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.20570/dados?formato=json","date":"2026-08","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":15,"group":"Dados oficiais","title":"SGS 432: meta da taxa Selic","publisher":"Banco Central do Brasil","url":"https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.432/dados?formato=json","date":"2026-09","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":16,"group":"Dados oficiais","title":"SGS 1: taxa de câmbio livre, dólar americano (venda), diário","publisher":"Banco Central do Brasil","url":"https://api.bcb.gov.br/dados/serie/bcdata.sgs.1/dados?formato=json","date":"2026-06","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":17,"group":"Regulação","title":"Relatórios de Resultados do Programa Remessa Conforme (out/2024 a jul/2026)","publisher":"Receita Federal","url":"https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/relatorios/remessas-internacionais","date":"2026-07","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":18,"group":"Regulação","title":"Exposição de Motivos EMI 1146/2026 da Medida Provisória 1.357/2026","publisher":"Presidência da República","url":"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/exm/exm-mp-1357-26.pdf","date":"2026-05-12","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":19,"group":"Regulação","title":"Medida provisória zera taxa das blusinhas para importações de até US$ 50","publisher":"Agência Senado","url":"https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/05/13/medida-provisoria-zera-taxa-das-blusinhas-para-importacoes-de-ate-us-50","date":"2026-05-13","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":20,"group":"Regulação","title":"Fim da taxa das blusinhas: sancionada MP que zera Imposto de Importação para compras de até US$ 50","publisher":"Legisweb","url":"https://www.legisweb.com.br/noticia/?id=34369","date":"2026-09","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":21,"group":"Regulação","title":"Medida Provisória 1.394, de 25 de setembro de 2026 (proíbe apostas de quota fixa)","publisher":"Presidência da República","url":"https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/Mpv/mpv1394.htm","date":"2026-09-25","accessed":"2026-10-06"},
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 {"n":34,"group":"Empresas","title":"Magazine Luiza tem prejuízo no 2T26 (resultados do segundo trimestre de 2026)","publisher":"Money Times","url":"https://www.moneytimes.com.br/magazine-luiza-mglu3-tem-prejuizo-de-r-725-milhoes-no-2t26-estamos-fazendo-tudo-para-voltar-a-dar-lucro-sem-depender-dos-juros-diz-cfo-lmrs/","date":"2026-08-06","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":35,"group":"Empresas","title":"Assaí mais do que dobra lucro no 2T26","publisher":"Money Times","url":"https://www.moneytimes.com.br/assai-asai3-mais-do-que-dobra-lucro-no-2t26-para-r-537-milhoes-vtra/","date":"2026-08-06","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":36,"group":"Empresas","title":"Renner lucra R$ 405 milhões no 2T26 e corta guidance de receita para 2026","publisher":"Money Times","url":"https://www.moneytimes.com.br/renner-lren3-lucra-r-405-milhoes-no-2t26-e-corta-guidance-de-receita-para-2026-vtra/","date":"2026-08-06","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":37,"group":"Empresas","title":"MercadoLibre, Inc. Reports Second Quarter 2026 Financial Results (Form 8-K, Exhibit 99.1)","publisher":"MercadoLibre / SEC","url":"https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/0001099590/000109959026000021/meli-20260805xex991.htm","date":"2026-08-05","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":38,"group":"Mercado","title":"Cotações mensais ajustadas de MGLU3, LREN3, BHIA3, AMER3, SBFG3, AZZA3, CEAB3, RADL3, VIVA3, BOVA11 e MELI","publisher":"Yahoo Finance","url":"https://finance.yahoo.com/quote/MGLU3.SA/history/","date":"2026-10","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":39,"group":"Mercado","title":"E-commerce brasileiro cresce 15,3% e fatura R$ 235,5 bilhões em 2025 (ABIACOM)","publisher":"Mundo do Marketing","url":"https://mundodomarketing.com.br/e-commerce-brasileiro-cresce-15-3-e-fatura-r-235-5-bilhoes-em-2025","date":"2026-02-19","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":40,"group":"Mercado","title":"Publicidade digital bate R$ 42,7 bilhões no Brasil em 2025 (IAB Brasil, Digital AdSpend 2026)","publisher":"Propmark","url":"https://propmark.com.br/mercado/publicidade-digital-bate-r-42-7-bilhoes-no-brasil-em-2025-e-cresce-acima-de-12-mostra-iab-brasil/","date":"2026-04-29","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":41,"group":"Mercado","title":"Abecs: apresentação de resultados do mercado de cartões, 1T26","publisher":"Abecs (via Finsiders)","url":"https://uploads.finsidersbrasil.com.br/2026/05/Abecs-Apresentacao-1T26.pdf","date":"2026-05","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":42,"group":"Mercado","title":"Temu passa Magalu, Shein e AliExpress e se torna o 5º e-commerce mais acessado do país (Conversion)","publisher":"Mercado&Consumo","url":"https://mercadoeconsumo.com.br/18/12/2024/ecommerce/temu-passa-magalu-shein-e-aliexpress-e-se-torna-o-5o-e-commerce-mais-acessado-do-pais/","date":"2024-12-18","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":43,"group":"Empresas","title":"Shein acelera produção no Brasil","publisher":"Forbes Brasil","url":"https://forbes.com.br/forbes-money/2025/02/shein-acelera-producao-no-brasil/","date":"2025-02","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":44,"group":"Cases","title":"Walmart releases Q4 FY26 earnings","publisher":"Walmart","url":"https://corporate.walmart.com/news/2026/02/19/walmart-releases-q4-fy26-earnings","date":"2026-02-19","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":45,"group":"Cases","title":"Costco Wholesale Corporation Reports Fourth Quarter and Fiscal Year 2025 Operating Results","publisher":"Costco","url":"https://s201.q4cdn.com/287523651/files/doc_news/Costco-Wholesale-Corporation-Reports-Fourth-Quarter-and-Fiscal-Year-2025-Operating-Results-2025.pdf","date":"2025-09","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":46,"group":"Internacional","title":"De minimis customs exception for small packages entered into the United States to end in August 2025","publisher":"Hogan Lovells","url":"https://hlc.com/en/publications/de-minimis-customs-exception-for-small-packages-entered-into-the-united-states-to-end-in-august-2025","date":"2025-08","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":47,"group":"Internacional","title":"The end of the EUR 150 customs duty exemption: the EU introduces a flat-rate EUR 3 duty on small parcels","publisher":"Andersen","url":"https://be-api.be.andersen.com/the-end-of-the-eur-150-customs-duty-exemption-the-european-union-introduces-a-flat-rate-eur-3-duty-on-small-parcels/","date":"2026-07","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":48,"group":"Cases","title":"La Polar, diez años después de las repactaciones unilaterales","publisher":"La Tercera","url":"https://www.latercera.com/pulso/noticia/la-polar-diez-anos-despues-de-las-repactaciones-unilaterales/MPTUFCBJYNDKLKYOMOF6RAK2OQ/","date":"2021-06","accessed":"2026-10-06"},
 {"n":49,"group":"Cases","title":"Hudson's Bay to close stores and terminate 8,300 employees by June 1","publisher":"Retail Insider","url":"https://retail-insider.com/retail-insider/2025/05/hudsons-bay-to-lay-off-8300-employees-as-stores-close/","date":"2025-05","accessed":"2026-10-06"}]
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