Instfy Docs
/

Mobilidade

A mobilidade brasileira vive duas mudanças ao mesmo tempo: a eletrificação acelerada dos carros, puxada por montadoras chinesas, e o deslocamento das viagens do ônibus para a moto, o carro e o aplicativo. Acompanhamos onde o valor dessas mudanças está sendo capturado: na fábrica, no porto, no crédito ou na operação das frotas.

Tese atual da Instfy

O carro elétrico chinês já mudou a balança comercial brasileira e ainda não mudou a indústria Tese Instfy. De janeiro a setembro de 2026 o país importou 555,8 mil automóveis, 78% deles da China, e exportou 257,5 mil1. A escada tarifária que terminou em 35% em julho de 2026 produziu picos de importação a cada junho e uma fábrica de montagem em regime SKD na Bahia, mas as baterias continuam vindo prontas de fora.

O valor da próxima fase tende a migrar para quem controla o custo por quilômetro e o crédito: financiadores capazes de precificar o valor residual da bateria, locadoras e frotas com funding barato, recarga em garagem e operadores de ônibus que separarem a propriedade do veículo da operação. É nessa camada, local por natureza, que o Brasil pode reter valor mesmo sem fabricar células.

O estudo completo, com dados do Comex Stat, BCB, ANP, Senatran e NTU, cases de Noruega, Chile, Tailândia, Alemanha, União Europeia e México, 12 oportunidades e os sinais que invalidariam a tese, está em O carro elétrico chinês vai reindustrializar o Brasil ou só reescrever a balança comercial?.

Indicadores principais

21,8%participação dos eletrificados nas vendas de leves em ago/2026[2]
78%das unidades de automóveis importadas em jan a set/2026 vieram da China[1]
R$ 222,7 bicrédito novo para compra de veículos por pessoas físicas em 2025[3]
2,19 mimotos emplacadas em 2025, recorde histórico[4]
77,5%demanda do ônibus urbano em 2025 frente a 2019[5]

Insights do setor

Principais empresas mencionadas

  • BYD: primeira fábrica chinesa de eletrificados em escala no país (Camaçari, BA), ainda em regime de montagem; termômetro da nacionalização.
  • Localiza: maior compradora de carros do país; sua depreciação por carro mostra como o preço do carro novo contamina o seminovo e o custo das frotas.
  • Montadoras associadas à Anfavea: indústria instalada que perdeu exportações e disputa as regras de tarifa e conteúdo local com as entrantes.
  • Plataformas de transporte e entrega: concentram os usuários de alta quilometragem para os quais o custo por km decide a tecnologia.
  • Operadoras de ônibus urbano (NTU): setor de R$ 75,7 bilhões por ano em transição de modelo de remuneração.

Temas relacionados

Dados oficiais

  1. [1] Comex Stat: importações e exportações por NCM e país (SH 8703), consulta via API. MDIC / Secex, 2026-09. consultado em 2026-10-06.
  2. [3] SGS 20673: Concessões de crédito com recursos livres, pessoas físicas, aquisição de veículos. Banco Central do Brasil, 2026-08. consultado em 2026-10-06.

Mercado

  1. [2] Frota eletrificada chega a um milhão de veículos no Brasil. ABVE, 2026-09-25. consultado em 2026-10-06.
  2. [4] Abraciclo: produção de motos cresce 13% em 2025; vendas batem recorde. Jornal de Brasília / Estadão Conteúdo, 2026-01-15. consultado em 2026-10-06.
  3. [5] Anuário NTU 2025-2026. NTU (via Mobilize Brasil), 2026. consultado em 2026-10-06.
Atualizado em 2026-10-07. Encontrou algo desatualizado? Escreva para relationship@instfy.com.