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Climatetech e Carbono

O Brasil tem mercado regulado de carbono em lei desde 2024, exporta bens que já pagam carbono na fronteira europeia desde 2026 e perdeu espaço na oferta global de créditos voluntários. Este setor acompanha onde a economia do carbono gera valor e onde gera apenas custo de compliance.

Tese atual da Instfy

O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) cobrirá cerca de 15% das emissões nacionais e só passa a exigir conciliação de cotas a partir de 2031, começando por aço, cimento, alumínio primário, papel e celulose, óleo e gás e aviação. Esses setores são praticamente os mesmos que o CBAM europeu já cobra desde janeiro de 2026. Tese Instfy

Nossa leitura é que o SBCE, sozinho, será majoritariamente custo na primeira década, e que o valor da economia do carbono brasileira vai migrar para quem prova a tonelada: exportadores que medem emissões por instalação, verificadores acreditados, desenvolvedores de remoção com contratos antecipados e projetos florestais com titularidade limpa. Quem depende de estoque de crédito REDD+ legado, que soma 55% de tudo o que o Brasil já emitiu em créditos e não recebe o selo de integridade do ICVCM, tende a perder.

O estudo completo está em Carbono no Brasil: o valor está em provar a tonelada, não em vendê-la.

Indicadores principais

~15%das emissões nacionais cobertas pelo SBCE, cerca de 5 mil empresas[1]
2027início do monitoramento da 1a leva do SBCE; operação plena prevista para 2031[2]
3,7%participação do Brasil nas emissões globais de créditos voluntários em 2025[3]
US$ 1,78 biexportações brasileiras de bens CBAM para a UE em 2025 (cálculo Instfy)[4]
R$ 54,72preço médio do CBIO em 2025, ante R$ 113,59 em 2023[5]
757organizações com inventário publicado no ciclo 2026 do GHG Protocol[6]

Insights do setor

Principais empresas mencionadas

  • Microsoft: comprador de referência de remoções brasileiras (contratos com Mombak e re.green); ilustra a migração do mercado à vista para contratos antecipados.
  • Mombak e re.green: desenvolvedoras brasileiras de reflorestamento com contratos de remoção de longo prazo; exemplos do modelo que captura valor.
  • Verra: principal registro voluntário; suspendeu três projetos REDD+ no Amazonas após operação policial em 2024 e emitiu a maior parte do estoque legado brasileiro.
  • Petrobras e BNDES: anunciaram na COP30 o ProFloresta+, programa de 25 anos para adquirir 5 milhões de créditos; sinal de demanda doméstica estatal.
  • Coalizão LEAF e Governo do Pará: contrato jurisdicional de até US$ 180 milhões, hoje sob revisão do Ministério Público; teste da viabilidade do REDD+ estadual.
  • Distribuidoras de combustíveis (RenovaBio): os únicos regulados de carbono que o Brasil já tem; seu histórico de inadimplência e preço é o melhor laboratório para o SBCE.

Temas relacionados

Mercado

  1. [1] Nova lei regula o comércio de emissões de gases de efeito estufa no Brasil (estimativa do Ministério da Fazenda). STCP, 2024-12-16. consultado em 2026-10-06.
  2. [6] Número de empresas que publicam dados sobre emissões de carbono bate recorde no Brasil. Diário do Comércio / Folhapress, 2026-08-26. consultado em 2026-10-06.

Internacional

  1. [2] Brazil advances ETS on scope and governance. ICAP, 2026-07-06. consultado em 2026-10-06.

Academia

  1. [3] Voluntary Registry Offsets Database v2026-08. Berkeley Carbon Trading Project, UC Berkeley, 2026-08. consultado em 2026-10-06.

Dados oficiais

  1. [4] Comex Stat: exportações por SH6 e bloco econômico, 2025 (API). MDIC, 2025. consultado em 2026-10-06.
  2. [5] Relatório Anual RenovaBio 2025. Ministério de Minas e Energia, 2026. consultado em 2026-10-06.
Atualizado em 2026-10-07. Encontrou algo desatualizado? Escreva para relationship@instfy.com.