Transição Energética
O sistema elétrico brasileiro saiu de um regime de escassez de energia para um regime de escassez de flexibilidade. Este setor acompanha geração distribuída, cortes de eólicas e solares, abertura do mercado livre, preços, encargos, transmissão e armazenamento, com foco em quem ganha e quem perde em cada mudança.
Tese atual da Instfy
O Brasil conectou 54 GW de micro e minigeração distribuída e dezenas de GW de eólicas e solares em uma década, enquanto a carga cresce cerca de 1% ao ano. Em 2025, cerca de um quinto da produção eólica e solar monitorada pelo ONS foi cortada, e em 2026 a maior parte dos cortes passou a ser por sobreoferta, categoria que a Lei 15.269/2025 deixou sem ressarcimento. Tese Instfy
Nossa leitura é que o valor migra de quem produz MWh ao meio-dia para quem entrega energia na hora e no lugar certos (hidrelétricas flexíveis, baterias, transmissão) e para quem detém a relação com o consumidor de baixa tensão, que entra no mercado livre entre novembro de 2027 e novembro de 2028. A próxima fase da geração distribuída tende a ser capturada por grupos que combinem base de clientes, licença varejista e capacidade de deslocar energia no tempo, e não por quem vende painel ou monta fazendas de compensação remota.
O estudo completo, com dados primários da ANEEL, do ONS, do IBGE e do Comex Stat processados pela Instfy, está em O kWh do meio-dia perdeu valor. Quem captura a próxima fase da energia no Brasil?.
Indicadores principais
Insights do setor
Principais empresas mencionadas
- Auren Energia: caso documentado de perda com cortes (R$ 97,8 milhões no 2T26) compensada em parte por ganhos de modulação hídrica; ilustra a migração do valor para a flexibilidade.
- Axia Energia (ex-Eletrobras): maior dona de hidrelétricas do país e vencedora de lotes de transmissão em 2026.
- Engie Brasil e Cymi: principais vencedoras do leilão de transmissão de março de 2026.
- CPFL, Alupar, Comerc e Equatorial: citadas com cortes relevantes em 2026, segundo relatório de banco reportado pela imprensa.
- Grupos com GD em escala (como os consórcios Cemig SIM e Comerc): exemplos de quem já controla base de clientes na geração compartilhada.
Temas relacionados
Dados oficiais
- [1] Relação de empreendimentos de geração distribuída. ANEEL, Dados Abertos, 2026-10-03. consultado em 2026-10-06.
- [2] Restrição de operação por constrained-off de usinas eólicas e fotovoltaicas. ONS, Dados Abertos, 2026-10-05. consultado em 2026-10-06.
- [3] Custo Marginal de Operação semi-horário. ONS, Dados Abertos, 2026-10-05. consultado em 2026-10-06.
- [6] Comex Stat: importações da NCM 8507.60.00. MDIC, 2026-09. consultado em 2026-10-06.
Mercado
- [4] Mercado livre já concentra 95% do consumo industrial (Boletim Abraceel). Cenário Energia, 2026-02-04. consultado em 2026-10-06.
Regulação
- [5] CDE 2026 deve chegar a R$ 52,7 bilhões. Cenário Energia, 2025-12-04. consultado em 2026-10-06.
