Instfy Docs
/

O consumo cresceu. O varejo não ficou com ele.

A massa de renda real do trabalho cresceu 21% entre 2019 e 2025, mas o volume do varejo cresceu 11% e as ações das varejistas tradicionais perderam até 99% do valor. Este estudo mostra para onde foi a diferença e quem vai capturar a próxima fase, agora que 2026 trouxe alíquota zero para importados de até US$ 50, a proibição das bets e a isenção do IR até R$ 5 mil.

Instfy InsightsVarejo e ConsumoResearchAnalysisThesis
Pergunta central

Se a renda e o consumo crescem, quem está capturando o real a mais do consumidor brasileiro?

Publicado em 06 de outubro de 2026Atualizado em 06 de outubro de 202638 min de leituraInstfy Insights
varejoconsumocréditocross-borderretail mediajurosclasses C D E
Corredor de supermercado com prateleiras abastecidas dos dois lados
Sumário do estudo

Sumário executivo

  • O que encontramos: entre 2019 e 2025, a massa de rendimento real do trabalho subiu 21,0% e o volume do varejo restrito subiu 11,4%14. Para cada 1% de renda a mais, o varejo capturou cerca de 0,54% em volume. A diferença foi absorvida por três pedágios: o serviço da dívida (de 22,7% para 28,7% da renda, recorde da série)10, as plataformas que monetizam tráfego e crédito, e as apostas online (R$ 18 bi a R$ 21 bi por mês em Pix em 2024)22.
  • Por que importa: o varejo tradicional brasileiro virou, sem perceber, um banco sem spread. Ele financia 43% das compras no cartão em parcelado sem juros41 com custo de capital de Selic 15%15. No 2T26, a despesa financeira do Magazine Luiza equivaleu a 81% do EBITDA ajustado34.
  • Principal mudança: 2026 concentrou quatro choques de política em cinco meses: isenção do IR até R$ 5 mil (jan)24, Novo Desenrola (mai)25, alíquota zero de imposto de importação para remessas de até US$ 50 (mai, convertida em lei em set)1820 e proibição das apostas de quota fixa (set, sites fora do ar em 06/10)21.
  • Principal risco: a renda liberada pelo fim das bets e pelo IR vaza para o cross-border. Após a alíquota zero, as remessas internacionais subiram 83% (mai a jul/2026 contra o mesmo período de 2025) e a alíquota efetiva do imposto caiu de 23% para menos de 5%17.
  • Principal oportunidade: crédito de varejo com dado próprio e funding barato, retail media fora das grandes plataformas e cadeias de necessidade (farmácia, alimentar) onde a recorrência protege margem.
  • Tese Instfy: o próximo ciclo de consumo será capturado por quem controlar três ativos: crédito com custo de funding abaixo do concorrente, tráfego próprio monetizável e categorias de necessidade. Loja, estoque e parcelamento, sozinhos, deixaram de ser vantagem.
+21,0%massa de renda real do trabalho, 2025 contra 2019 (média anual)[4]
+11,4%volume do varejo restrito no mesmo período[1]
28,7%da renda das famílias vai para o serviço da dívida (jul/2026, recorde desde 2005)[10]
8,0%inadimplência do crédito livre PF (ago/2026, recorde desde 2011)[11]
+83%remessas internacionais após a alíquota zero (mai a jul/2026 contra 2025)[17]
-91%desempenho da ação MGLU3 de dez/2019 a out/2026[38]

O fenômeno em números

O ponto de partida é uma divergência que os dados oficiais mostram com clareza e que o debate público costuma ignorar: a renda voltou, o consumo de bens voltou menos, e o valor das varejistas não voltou.

Renda. A massa de rendimento real habitual do trabalho, medida pela PNAD Contínua, ficou em média 21,0% acima de 2019 em 2025, e chegou a R$ 385,6 bilhões por mês no trimestre encerrado em agosto de 2026, alta real de 4,8% em 12 meses4 Fato. O rendimento médio real foi de R$ 3.777 (jun a ago/2026), contra R$ 3.361 no fim de 20195. A desocupação caiu de 11,1% (out a dez/2019) para 5,1% (out a dez/2025) e 5,3% (jun a ago/2026)6 Fato.

Varejo. No mesmo intervalo, o volume de vendas do varejo restrito subiu 11,4% e o do ampliado (que inclui veículos, material de construção e atacado alimentar) 8,7%12. Em 2026, até julho, o restrito cresce 1,8% no acumulado do ano, contra massa salarial real em alta de 4,8%14 Fato. O descolamento não é episódico: ele se repete em 2024, 2025 e 2026.

Serviços às famílias. Seria natural supor que a renda migrou de bens para serviços. Os dados não sustentam essa leitura: o volume de serviços prestados às famílias (alimentação fora de casa, alojamento, outros) em 2025 estava só 4,8% acima de 20197 Fato.

A renda subiu o dobro do varejo desde 2019Unidade: índice, média anual, 2019 = 100 · Período: 2014-2025
Massa de renda real do trabalhoVolume do varejo restritoVolume do varejo ampliadoVolume de serviços às famílias
05010015020020142016201820202022202420252014 · Massa de renda real do trabalho: 97,8 índice, média anual, 2019 = 1002015 · Massa de renda real do trabalho: 97 índice, média anual, 2019 = 1002016 · Massa de renda real do trabalho: 93,4 índice, média anual, 2019 = 1002017 · Massa de renda real do trabalho: 94,5 índice, média anual, 2019 = 1002018 · Massa de renda real do trabalho: 97,6 índice, média anual, 2019 = 1002019 · Massa de renda real do trabalho: 100 índice, média anual, 2019 = 1002020 · Massa de renda real do trabalho: 96,7 índice, média anual, 2019 = 1002021 · Massa de renda real do trabalho: 93,8 índice, média anual, 2019 = 1002022 · Massa de renda real do trabalho: 99,1 índice, média anual, 2019 = 1002023 · Massa de renda real do trabalho: 106 índice, média anual, 2019 = 1002024 · Massa de renda real do trabalho: 114 índice, média anual, 2019 = 1002025 · Massa de renda real do trabalho: 121 índice, média anual, 2019 = 1001212014 · Volume do varejo restrito: 105 índice, média anual, 2019 = 1002015 · Volume do varejo restrito: 100 índice, média anual, 2019 = 1002016 · Volume do varejo restrito: 94 índice, média anual, 2019 = 1002017 · Volume do varejo restrito: 96 índice, média anual, 2019 = 1002018 · Volume do varejo restrito: 98,2 índice, média anual, 2019 = 1002019 · Volume do varejo restrito: 100 índice, média anual, 2019 = 1002020 · Volume do varejo restrito: 101 índice, média anual, 2019 = 1002021 · Volume do varejo restrito: 103 índice, média anual, 2019 = 1002022 · Volume do varejo restrito: 104 índice, média anual, 2019 = 1002023 · Volume do varejo restrito: 105 índice, média anual, 2019 = 1002024 · Volume do varejo restrito: 110 índice, média anual, 2019 = 1002025 · Volume do varejo restrito: 111 índice, média anual, 2019 = 1001112014 · Volume do varejo ampliado: 106 índice, média anual, 2019 = 1002015 · Volume do varejo ampliado: 96,5 índice, média anual, 2019 = 1002016 · Volume do varejo ampliado: 88,1 índice, média anual, 2019 = 1002017 · Volume do varejo ampliado: 91,7 índice, média anual, 2019 = 1002018 · Volume do varejo ampliado: 96,3 índice, média anual, 2019 = 1002019 · Volume do varejo ampliado: 100 índice, média anual, 2019 = 1002020 · Volume do varejo ampliado: 98,6 índice, média anual, 2019 = 1002021 · Volume do varejo ampliado: 103 índice, média anual, 2019 = 1002022 · Volume do varejo ampliado: 102 índice, média anual, 2019 = 1002023 · Volume do varejo ampliado: 105 índice, média anual, 2019 = 1002024 · Volume do varejo ampliado: 109 índice, média anual, 2019 = 1002025 · Volume do varejo ampliado: 109 índice, média anual, 2019 = 1001092014 · Volume de serviços às famílias: 108 índice, média anual, 2019 = 1002015 · Volume de serviços às famílias: 103 índice, média anual, 2019 = 1002016 · Volume de serviços às famílias: 98,2 índice, média anual, 2019 = 1002017 · Volume de serviços às famílias: 97,2 índice, média anual, 2019 = 1002018 · Volume de serviços às famílias: 97,3 índice, média anual, 2019 = 1002019 · Volume de serviços às famílias: 100 índice, média anual, 2019 = 1002020 · Volume de serviços às famílias: 64,4 índice, média anual, 2019 = 1002021 · Volume de serviços às famílias: 76,1 índice, média anual, 2019 = 1002022 · Volume de serviços às famílias: 94,3 índice, média anual, 2019 = 1002023 · Volume de serviços às famílias: 99 índice, média anual, 2019 = 1002024 · Volume de serviços às famílias: 104 índice, média anual, 2019 = 1002025 · Volume de serviços às famílias: 105 índice, média anual, 2019 = 100105
Fonte: [1], [2], [4], [7]Cálculo Instfy: média anual dos números-índice mensais (PMC 2022=100 e PMS 2022=100) e da massa em trimestres móveis (PNAD Contínua), rebaseados para 2019 = 100. Deflatores diferem entre as pesquisas.
Ver dados em tabela
Massa de renda real do trabalhoVolume do varejo restritoVolume do varejo ampliadoVolume de serviços às famílias
201497,8105106108
20159710096,5103
201693,49488,198,2
201794,59691,797,2
201897,698,296,397,3
2019100100100100
202096,710198,664,4
202193,810310376,1
202299,110410294,3
202310610510599
2024114110109104
2025121111109105

Unidade: índice, média anual, 2019 = 100

Para onde foi a diferença. Três fluxos cresceram muito mais do que o varejo:

Fluxo 2019 Dado mais recente Variação Fonte
Comprometimento da renda com serviço da dívida 22,65% (dez/2019) 28,72% (jul/2026) +6,1 p.p., recorde desde 2005 BCB10
Endividamento das famílias sobre a renda de 12 meses 41,46% (dez/2019) 49,86% (jul/2026) +8,4 p.p. BCB9
Saldo do crédito livre a pessoas físicas R$ 1,11 tri (dez/2019) R$ 2,57 tri (ago/2026) +131% nominal BCB14
Transferências via Pix para empresas de apostas não existia em escala R$ 18 bi a R$ 21 bi por mês (2024) n/a BCB22
Remessas internacionais de pequeno valor n/d 165,5 milhões em 2025; 27,1 milhões só em jul/2026 +83% após alíquota zero Receita Federal17

Inferência O serviço da dívida sozinho consumiu cerca de 6 pontos percentuais da renda disponível a mais. Somado a apostas e compras internacionais, ele explica de forma plausível a maior parte do hiato entre renda e varejo. Não há, porém, uma conta oficial que feche esse balanço item a item; a POF mais recente é de 2017-2018 e não captura nenhum desses fluxos.

Valor de mercado. O mercado precificou o hiato. Com cotações ajustadas por proventos e grupamentos, a ação do Magazine Luiza caiu 91% de dezembro de 2019 a outubro de 2026, a Lojas Renner 62%, o Grupo SBF 66%, a Casas Bahia 99,4% e a Americanas 99,9%. No mesmo período, o fundo de Ibovespa (BOVA11) subiu 82% e o Mercado Livre (em dólar) 225%38 Fato.

O mercado puniu o varejo tradicional e premiou plataformas e necessidadeUnidade: % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/2026 · Período: 2019-2026
-250-1250125250MELI (US$) · Variação: 225 % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/2026225MELI (US$)BOVA11 · Variação: 82 % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/202682BOVA11RADL3 · Variação: 10 % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/202610RADL3VIVA3 · Variação: 6 % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/20266VIVA3CEAB3 · Variação: -22 % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/2026-22CEAB3AZZA3 · Variação: -56 % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/2026-56AZZA3LREN3 · Variação: -62 % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/2026-62LREN3SBFG3 · Variação: -66 % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/2026-66SBFG3MGLU3 · Variação: -91 % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/2026-91MGLU3BHIA3 · Variação: -99,4 % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/2026-99,4BHIA3AMER3 · Variação: -99,9 % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/2026-99,9AMER3
Fonte: [38]Preço de fechamento ajustado mensal (Yahoo Finance), último dado de out/2026. MELI: Mercado Livre; BOVA11: fundo de Ibovespa; RADL3: Raia Drogasil; VIVA3: Vivara; CEAB3: C&A; AZZA3: Azzas 2154; LREN3: Lojas Renner; SBFG3: Grupo SBF; MGLU3: Magazine Luiza; BHIA3: Casas Bahia; AMER3: Americanas. Azzas 2154 reflete a antiga Arezzo&Co após a fusão com o Grupo Soma. Não é retorno total ao acionista em base comparável de moeda: MELI está em dólar.
Ver dados em tabela
Variação
MELI (US$)225
BOVA1182
RADL310
VIVA36
CEAB3-22
AZZA3-56
LREN3-62
SBFG3-66
MGLU3-91
BHIA3-99,4
AMER3-99,9

Unidade: % de variação da cotação ajustada, dez/2019 a out/2026

Como chegamos até aqui

O varejo brasileiro atravessou três ciclos em doze anos, e cada um deixou uma camada de fragilidade que o seguinte cobrou.

2014 a 2016: a recessão quebrou o modelo de expansão por loja. O volume do varejo ampliado caiu 8,6% em 2015 e 8,7% em 20162 Fato. Móveis e vestuário nunca recuperaram o nível de 2014: em 2025, móveis estavam 28,6% abaixo e vestuário 24,3% abaixo daquele pico3 Fato.

2020 a 2021: o dinheiro barato inflou o digital. Com a Selic em 2%, o mercado precificou o varejo como empresa de tecnologia. A ação do Magazine Luiza atingiu a máxima em janeiro de 202138. O modelo que se consolidou foi o de crescer GMV financiando o consumidor (parcelado sem juros, crediário, cartão próprio) e o lojista (antecipação, frete subsidiado), com custo de capital quase nulo.

2022 a 2026: o juro voltou e cobrou a conta. A Selic subiu até 15% em junho de 2025 e ficou nesse nível até março de 2026; está em 13,75% desde setembro de 202615 Fato. A taxa média do crédito a pessoas físicas chegou a 38,2% ao ano e a do rotativo do cartão a 444,9% ao ano em agosto de 20261213. Nesse ambiente, quem tinha dívida, estoque de baixo giro e consumidor financiado entrou em reestruturação.

  1. 2015-2016Volume do varejo ampliado cai 8,6% e 8,7%; móveis e vestuário não voltam mais ao pico de 2014 [2]
  2. jan/2021Ação do Magazine Luiza atinge a máxima histórica com Selic a 2% [38]
  3. jan/2023Americanas revela inconsistências de R$ 20 bi e pede recuperação judicial com dívida de R$ 43 bi [29] [30]
  4. ago/2023Receita Federal inicia o Programa Remessa Conforme [17]
  5. abr/2024Casas Bahia pede recuperação extrajudicial de R$ 4,1 bi em debêntures [32]
  6. ago/2024Imposto de importação passa a incidir sobre remessas de até US$ 50 dentro do Remessa Conforme [17]
  7. jun/2025Selic chega a 15% ao ano [15]
  8. ago/2025EUA suspendem a isenção de minimis para todos os países [46]
  9. jan/2026Isenção do IR até R$ 5 mil entra em vigor; CBS de teste a 0,9% [24] [26]
  10. mai/2026MP 1.357 zera o imposto de importação até US$ 50; Novo Desenrola começa; Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly) pede recuperação judicial [18] [25] [33]
  11. jul/2026União Europeia passa a cobrar € 3 por item em pacotes de até € 150 [47]
  12. set/2026Lei de conversão da MP 1.357 é sancionada; MP 1.394 proíbe apostas de quota fixa [20] [21]
  13. 06/out/2026Sites e aplicativos de apostas de quota fixa saem do ar [21]

O que está mudando agora

Quatro mudanças simultâneas tornam 2026 e 2027 um ponto de inflexão, e elas puxam em direções opostas.

1. Renda disponível extra para as classes C e D. A isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil atinge cerca de 15 milhões de pessoas, com renúncia estimada em R$ 25,4 bilhões por ano24 Fato. O Novo Desenrola, iniciado em 5 de maio de 2026, renegocia dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal vencidas entre 91 dias e 2 anos, para renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105)25 Fato.

2. Saída das apostas. A MP 1.394, de 25 de setembro de 2026, proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa, inclusive por operadores no exterior21 Fato. O Banco Central estimou que cerca de 15% do valor apostado fica com as empresas22. Inferência Sobre R$ 18 bi a R$ 21 bi mensais, a perda líquida dos apostadores era da ordem de R$ 2,7 bi a R$ 3,2 bi por mês, ou R$ 32 bi a R$ 38 bi por ano. É esse valor líquido, e não o fluxo bruto, que pode voltar ao consumo.

3. Porta aberta para o cross-border. A MP 1.357, de 12 de maio de 2026, autorizou o Ministério da Fazenda a reduzir a zero a alíquota do imposto de importação na faixa de até US$ 50 do regime simplificado, que era de 20%18 Fato. A redução foi aplicada no mesmo dia e a lei de conversão foi sancionada em 10 de setembro de 20261920. O ICMS estadual continua incidindo20.

4. Reforma tributária em teste. Em 2026 a CBS é cobrada à alíquota de teste de 0,9%26, e a Lei Complementar 214/2025 prevê o recolhimento na liquidação financeira (split payment), com obrigação de informação para plataformas digitais26 Fato. Inferência O split payment reduz o espaço da informalidade, que hoje compete com o varejo formal por preço.

Depois da alíquota zero, as remessas internacionais saltaram de 16 para 28 milhões por mêsUnidade: milhões de remessas recebidas por mês · Período: jan/2025-jul/2026
012,52537,550jan/25 · Remessas recebidas: 11,4 milhões de remessas recebidas por mêsjan/25fev/25 · Remessas recebidas: 10,5 milhões de remessas recebidas por mêsmar/25 · Remessas recebidas: 11,2 milhões de remessas recebidas por mêsmar/25abr/25 · Remessas recebidas: 11,6 milhões de remessas recebidas por mêsmai/25 · Remessas recebidas: 13,1 milhões de remessas recebidas por mêsmai/25jun/25 · Remessas recebidas: 13 milhões de remessas recebidas por mêsjul/25 · Remessas recebidas: 15 milhões de remessas recebidas por mêsjul/25ago/25 · Remessas recebidas: 14,6 milhões de remessas recebidas por mêsset/25 · Remessas recebidas: 14,9 milhões de remessas recebidas por mêsset/25out/25 · Remessas recebidas: 16 milhões de remessas recebidas por mêsnov/25 · Remessas recebidas: 17,7 milhões de remessas recebidas por mêsnov/25dez/25 · Remessas recebidas: 16,3 milhões de remessas recebidas por mêsjan/26 · Remessas recebidas: 15,4 milhões de remessas recebidas por mêsjan/26fev/26 · Remessas recebidas: 13,2 milhões de remessas recebidas por mêsmar/26 · Remessas recebidas: 16,6 milhões de remessas recebidas por mêsmar/26abr/26 · Remessas recebidas: 16,5 milhões de remessas recebidas por mêsmai/26 · Remessas recebidas: 19,9 milhões de remessas recebidas por mêsmai/26jun/26 · Remessas recebidas: 28,4 milhões de remessas recebidas por mêsjul/26 · Remessas recebidas: 27,1 milhões de remessas recebidas por mês27,1jul/26
Fonte: [17]Relatórios mensais do Programa Remessa Conforme (postal e expresso). A alíquota zero até US$ 50 vigora desde 12/05/2026.
Ver dados em tabela
Remessas recebidas
jan/2511,4
fev/2510,5
mar/2511,2
abr/2511,6
mai/2513,1
jun/2513
jul/2515
ago/2514,6
set/2514,9
out/2516
nov/2517,7
dez/2516,3
jan/2615,4
fev/2613,2
mar/2616,6
abr/2616,5
mai/2619,9
jun/2628,4
jul/2627,1

Unidade: milhões de remessas recebidas por mês

O efeito sobre o imposto foi imediato. Em dezembro de 2025, o imposto de importação devido nas remessas do programa equivalia a 23,3% do valor aduaneiro; em julho de 2026, a 4,6%17 Fato (cálculo Instfy sobre os relatórios). Em 2025 inteiro, a Receita registrou 165,5 milhões de remessas, R$ 18,6 bilhões de valor aduaneiro e R$ 5,0 bilhões de imposto devido17.

Inferência No ritmo de julho de 2026, o cross-border anualiza cerca de 325 milhões de pacotes e R$ 32 bilhões em valor aduaneiro, o equivalente a 13% do faturamento do e-commerce nacional de 2025 (R$ 235,5 bi)39. O valor aduaneiro exclui ICMS e frete, portanto o gasto do consumidor é maior.

A economia do setor

O varejo é uma operação de margem líquida baixa que vive de três alavancas: giro de estoque, prazo com fornecedor e custo de financiar o cliente. A PAC 2023 mostra a escala: R$ 2,92 trilhões de receita líquida, valor adicionado de R$ 598,8 bilhões, 1,13 milhão de empresas e 7,67 milhões de pessoas ocupadas8 Fato.

A conta que mudou: o parcelado sem juros. No primeiro trimestre de 2026, as compras parceladas sem juros somaram R$ 390,5 bilhões, 43,2% do valor transacionado no cartão de crédito; 62,4% delas em até seis parcelas41 Fato. Quem vende parcelado sem juros recebe em parcelas ou antecipa com desconto. O consumidor não paga juros; o lojista paga.

Inferência Numa venda em 6 parcelas, o prazo médio do recebível é de cerca de 3,5 meses. Com custo de funding entre 1,2% e 1,4% ao mês (CDI de 13% a 15% ao ano mais spread), o custo de carregar ou antecipar fica entre 4% e 5% do valor da venda, comparável à margem líquida de um varejista eficiente. Com a Selic a 2% (2020), esse custo era inferior a 1%.

O balanço do Magazine Luiza no 2T26 confirma a ordem de grandeza: despesa financeira líquida de R$ 572,3 milhões, 6,4% da receita líquida de R$ 8,89 bilhões, contra EBITDA ajustado de R$ 708,8 milhões (margem de 7,6%)34 Fato. A operação gera caixa; o financiamento do consumidor o consome.

Empresa (2T26) Receita líquida EBITDA ajustado Resultado financeiro Financeiro sobre EBITDA Leitura
Magazine Luiza34 R$ 8,89 bi (-2,6%) R$ 708,8 mi -R$ 572,3 mi 81% banco sem spread
Assaí35 R$ 19,2 bi (+0,9%) R$ 1,07 bi -R$ 421 mi 39% (aprox.) desalavancando, alavancagem 2,37x
Lojas Renner36 R$ 3,69 bi no varejo (+1,1%) R$ 791,2 mi no varejo caixa líquido de R$ 1,2 bi n/a opera bem, mas corta guidance

Inferência A comparação do Assaí mistura bases (resultado financeiro pré-IFRS 16 e EBITDA ajustado), por isso o percentual é aproximado. A mensagem não depende da precisão: o custo do dinheiro ficou do tamanho do lucro operacional para quem financia o cliente, e muito menor para quem vende necessidade à vista.

Unit economics das plataformas é outra. O Mercado Livre teve receita líquida de US$ 5,53 bilhões no Brasil no 2T26, alta de 42% em moeda constante, publicidade crescendo 62% e carteira de crédito acima de US$ 16 bilhões, alta de 75%37 Fato. Inferência Convertida pelo dólar médio do trimestre (R$ 5,05)16, a receita brasileira do Mercado Livre foi de cerca de R$ 27,9 bilhões, 3,1 vezes a do Magazine Luiza. A diferença essencial não é o tamanho: é que a plataforma cobra para financiar (juros do Mercado Pago) e cobra para dar visibilidade (anúncios), enquanto o varejista tradicional paga pelas duas coisas.

Cadeia de valor

  1. Indústria e importaçãoFabricantes nacionais, confecções, importadores; agora também vendedores chineses diretos via Remessa Conformepressionada
  2. Plataforma e tráfegoMarketplaces, buscadores, redes sociais; cobram take rate, frete e anúnciosalta
  3. Financiamento do consumidorCartão, parcelado sem juros, crediário, carnê, BNPL, crédito de plataforma; spread e tarifasalta
  4. Varejo físico e estoqueLojas, centros de distribuição, capital de giro em estoque e recebíveisbaixa
  5. Logística de última milhaCorreios, couriers, malhas próprias de plataformas, lockers e lojas como ponto de coletamédia
  6. Mídia e dadosRetail media, dados de primeira parte, programas de fidelidade e assinaturaalta
  7. Pós-venda e serviçosGarantia estendida, seguros, montagem, assistência, serviços de saúde em farmáciasmédia

Inferência O desenho mostra o problema central: as etapas de margem alta (tráfego, crédito, mídia) são exatamente as que o varejo tradicional terceirizou ou subsidiou. A loja ficou com a etapa intensiva em capital e de margem baixa.

Onde o valor está sendo capturado

Retail media cresce três vezes mais que a publicidade digital. O investimento em publicidade digital no Brasil chegou a R$ 42,7 bilhões em 2025 (+12,7%), e o retail media a R$ 4,8 bilhões (+37%)40 Fato. O Mercado Livre declarou ter superado 10% do mercado de publicidade digital da América Latina no 2T2637. Inferência Quem tem tráfego de intenção de compra vende a mesma atenção duas vezes: para o consumidor (produto) e para a indústria (anúncio).

Crédito é o produto mais rentável do varejo, quando o funding é barato. A operação financeira da Renner (Realize) entregou R$ 53,5 milhões no 2T26, contra R$ 118,5 milhões um ano antes, com carteira de R$ 6,65 bilhões e concessão seletiva36 Fato. O Mercado Pago, com funding de depósitos de clientes, expandiu a carteira em 75%37. Inferência Em juro alto, o crédito separa quem tem funding próprio (plataformas com conta digital) de quem depende de banco (varejo tradicional).

Necessidade venceu o discricionário. Entre 2019 e 2025, o volume de farmácias e perfumaria subiu 48,5%, o de super e hipermercados 16,1% e o de eletrodomésticos 12,6%; vestuário caiu 12,9%, móveis 6,2%, informática e escritório 10,7%, e livros e papelaria 42,1%3 Fato.

Farmácia e supermercado cresceram; moda, móveis e papelaria encolheramUnidade: % de variação do volume de vendas, 2025 contra 2019 · Período: 2019-2025
-50-2502550Farmácia · Volume: 48,5 % de variação do volume de vendas, 2025 contra 201948,5FarmáciaSuper e hiper · Volume: 16,1 % de variação do volume de vendas, 2025 contra 201916,1Super e hiperVeículos · Volume: 14,6 % de variação do volume de vendas, 2025 contra 201914,6VeículosEletrodom. · Volume: 12,6 % de variação do volume de vendas, 2025 contra 201912,6Eletrodom.Combustíveis · Volume: 8,6 % de variação do volume de vendas, 2025 contra 20198,6CombustíveisMat. constr. · Volume: 8,5 % de variação do volume de vendas, 2025 contra 20198,5Mat. constr.Outros pessoais · Volume: 3,2 % de variação do volume de vendas, 2025 contra 20193,2Outros pessoaisMóveis · Volume: -6,2 % de variação do volume de vendas, 2025 contra 2019-6,2MóveisInformática · Volume: -10,7 % de variação do volume de vendas, 2025 contra 2019-10,7InformáticaVestuário · Volume: -12,9 % de variação do volume de vendas, 2025 contra 2019-12,9VestuárioLivros e papel. · Volume: -42,1 % de variação do volume de vendas, 2025 contra 2019-42,1Livros e papel.
Fonte: [3]Cálculo Instfy: média anual do número-índice de volume da PMC (2022=100), tabela 8883.
Ver dados em tabela
Volume
Farmácia48,5
Super e hiper16,1
Veículos14,6
Eletrodom.12,6
Combustíveis8,6
Mat. constr.8,5
Outros pessoais3,2
Móveis-6,2
Informática-10,7
Vestuário-12,9
Livros e papel.-42,1

Unidade: % de variação do volume de vendas, 2025 contra 2019

Brasil

O consumidor das classes C, D e E está mais endividado e mais inadimplente do que em qualquer momento da série. Em julho de 2026, 82% das famílias tinham dívidas e 29,8% estavam inadimplentes, segundo a CNC; entre famílias com renda de até 3 salários mínimos, 84,9% endividadas e 38,5% inadimplentes. O cartão de crédito responde por 85,3% das dívidas e o atraso médio é de 64,6 dias27 Fato. No dado do Banco Central, a inadimplência do crédito livre a pessoas físicas chegou a 8,01% em agosto de 2026, o maior nível da série iniciada em 201111 Fato.

O serviço da dívida bateu recorde junto com o desemprego mínimoUnidade: % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência) · Período: 2014-2026
Comprometimento de renda com serviço da dívidaInadimplência do crédito livre PF
012,52537,550201420162018202020222024jul/262014 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 23,5 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2015 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 23 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2016 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 23,2 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2017 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 22,1 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2018 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 22,6 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2019 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 22,7 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2020 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 21,8 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2021 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 25,6 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2022 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 27,6 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2023 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 25,8 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2024 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 26,8 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2025 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 28,1 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)jul/26 · Comprometimento de renda com serviço da dívida: 28,7 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)28,72014 · Inadimplência do crédito livre PF: 5,36 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2015 · Inadimplência do crédito livre PF: 6,24 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2016 · Inadimplência do crédito livre PF: 6,13 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2017 · Inadimplência do crédito livre PF: 5,31 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2018 · Inadimplência do crédito livre PF: 4,88 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2019 · Inadimplência do crédito livre PF: 5,1 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2020 · Inadimplência do crédito livre PF: 4,23 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2021 · Inadimplência do crédito livre PF: 4,45 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2022 · Inadimplência do crédito livre PF: 6,02 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2023 · Inadimplência do crédito livre PF: 5,73 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2024 · Inadimplência do crédito livre PF: 5,4 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)2025 · Inadimplência do crédito livre PF: 7,06 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)jul/26 · Inadimplência do crédito livre PF: 7,78 % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)7,78
Fonte: [10], [11]Valores de dezembro de cada ano e de julho de 2026. Desde jan/2025 a Resolução CMN 4.966 alterou critérios contábeis de provisão, o que afeta a comparabilidade da inadimplência.
Ver dados em tabela
Comprometimento de renda com serviço da dívidaInadimplência do crédito livre PF
201423,55,36
2015236,24
201623,26,13
201722,15,31
201822,64,88
201922,75,1
202021,84,23
202125,64,45
202227,66,02
202325,85,73
202426,85,4
202528,17,06
jul/2628,77,78

Unidade: % da renda (comprometimento) e % da carteira (inadimplência)

Inferência O par "desemprego mínimo e inadimplência máxima" diz que o problema não é falta de renda, é custo do dinheiro e destinação da renda. Isso muda o diagnóstico: políticas que aumentam renda (IR, salário mínimo) ajudam menos o varejo do que políticas que reduzem o custo da dívida existente (Desenrola, queda da Selic).

O varejo físico não morreu, mas mudou de função. No 2T26 do Magazine Luiza, as vendas das lojas físicas cresceram 10,3% enquanto o e-commerce caiu 11,9%34 Fato. Hipótese Num ambiente de crédito restrito, a loja volta a ser o lugar onde se concede crédito (crediário, carnê, cartão próprio) e onde se vende para quem não é aprovado no digital. A CNC registra que carnês de loja seguem relevantes nas dívidas das famílias27.

Crise e recuperações judiciais. A Serasa Experian contou 2.466 empresas com pedido de recuperação judicial em 2025, alta de 12,9% e maior número desde 201228 Fato. No varejo, a sequência é conhecida: Americanas (jan/2023, dívida de R$ 43 bi, inconsistências de R$ 20 bi)2930, Casas Bahia (recuperação extrajudicial de R$ 4,1 bi em abr/2024, trocando dívida a CDI + 2,7% em 22 meses por CDI + 1,2% em 72 meses e direito de conversão de 63% em ações)32, e Grupo Toky, dono de Tok&Stok e Mobly (RJ autorizada em 11/05/2026, citando juros elevados, endividamento das famílias e crédito restrito)33 Fato.

A Americanas, por sua vez, pediu o encerramento da RJ em março de 2026, após aporte de cerca de R$ 12 bilhões dos acionistas e conversão de dívida dos bancos, e fechou 2025 com 1.470 lojas (eram 1.587 em 2024)31 Fato.

Mapa regional

O crescimento do varejo não foi homogêneo. Entre 2019 e 2025, o volume do varejo restrito subiu 48,3% no Amapá, 28,9% no Pará, 28,2% no Maranhão e 27,3% no Espírito Santo, enquanto o Rio de Janeiro recuou 3,4% e o Distrito Federal ficou estável (+0,5%). São Paulo cresceu 7,9%, abaixo da média nacional1 Fato.

O varejo cresceu no Norte, no Nordeste e na fronteira agrícola; encolheu no RioUnidade: % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019 · Período: 2019-2025
-50-2502550AP · Volume: 48,3 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019APPA · Volume: 28,9 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019MA · Volume: 28,2 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019MARR · Volume: 28,1 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019ES · Volume: 27,3 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019ESPI · Volume: 26,9 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019MS · Volume: 26,8 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019MSPB · Volume: 26,1 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019SC · Volume: 22,5 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019SCRS · Volume: 21,6 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019MT · Volume: 21,2 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019MTMG · Volume: 17,7 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019CE · Volume: 14,2 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019CESP · Volume: 7,9 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019PR · Volume: 7,5 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019PRBA · Volume: 5,8 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019PE · Volume: 5,3 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019PEGO · Volume: 3,1 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019DF · Volume: 0,5 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019DFRJ · Volume: -3,4 % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019-3,4RJ
Fonte: [1]Cálculo Instfy sobre a PMC por UF (tabela 8880). A PMC registra a venda no estado do estabelecimento; vendas on-line podem ser atribuídas ao estado do centro de distribuição, o que distorce UFs com grandes CDs.
Ver dados em tabela
Volume
AP48,3
PA28,9
MA28,2
RR28,1
ES27,3
PI26,9
MS26,8
PB26,1
SC22,5
RS21,6
MT21,2
MG17,7
CE14,2
SP7,9
PR7,5
BA5,8
PE5,3
GO3,1
DF0,5
RJ-3,4

Unidade: % de variação do volume do varejo restrito, 2025 contra 2019

Inferência O mapa sugere duas forças: transferências de renda e agronegócio sustentaram o consumo em estados de renda mais baixa e na fronteira agrícola, enquanto as capitais de serviços (Rio, Brasília) sofreram mais com o endividamento da classe média e a migração para o digital. Hipótese Parte do recuo do Rio pode refletir a relocalização contábil de vendas on-line para CDs em outros estados.

Quem está ganhando

Quem Por que ganha Evidência
Plataformas com crédito e anúncios (Mercado Livre, Shopee) Funding próprio, tráfego de intenção, publicidade de alta margem Receita Brasil +42% em moeda constante e anúncios +62% no 2T2637; Mercado Livre e Shopee lideram acessos42
Plataformas cross-border (Shein, Temu, AliExpress) Alíquota zero até US$ 50 desde mai/2026; logística direta Remessas de 16 para 28 milhões/mês17; Temu passou de 9,8 mi para 107 mi de acessos em cinco meses de 202442
Farmácias Envelhecimento, recorrência, categoria de necessidade Volume +48,5% (2019-2025)3; RADL3 +10% no período38
Supermercados e atacarejo Necessidade, venda à vista ou no débito, giro alto Volume de super e hiper +16,1%3; Assaí desalavancou para 2,37x35
Estados (ICMS) O ICMS continua sobre o cross-border, cuja base cresceu Lei de conversão preserva ICMS20 Inferência
Vendedores nacionais em plataformas estrangeiras Shein afirma que 60% das vendas no país vêm do marketplace e 85% do vestuário é produzido no Brasil Declaração da empresa43 Indício

Quem está perdendo

Quem Por que perde Evidência
Varejo de duráveis financiado (eletro, móveis) Financia o cliente a Selic alta, compete com plataforma em preço Magalu: financeiro = 81% do EBITDA34; Casas Bahia em RExtra32; Grupo Toky em RJ33
Moda de preço médio e baixo Cross-border sem imposto, consumo de vestuário abaixo de 2019 Vestuário -12,9% em volume3; Renner corta guidance de 9-13% para 4-8% citando cross-border36
Varejo esportivo e de lazer Discricionário, ticket alto, financiado SBFG3 -66% desde 201938
Papelarias, livrarias, informática Substituição digital e cross-border Livros e papelaria -42,1%, informática -10,7%3
Consumidor de baixa renda Juro real alto, cartão rotativo a 444,9% a.a., bets até out/2026 38,5% de inadimplentes até 3 SM27; rotativo13
Operadores de apostas e sua cadeia de mídia Proibição desde 25/09/2026 MP 1.39421

O que o mundo ensina

Três lições internacionais, com mecânica econômica, ajudam a ler o Brasil.

1. O varejista vencedor monetiza o cliente além da margem da mercadoria. Walmart e Costco ganham dinheiro com assinatura e mídia, linhas que não dependem do preço do produto. O varejo brasileiro monetiza o cliente com crédito, que depende do juro. Inferência Assinatura e mídia são receitas de baixo capital; crédito é receita de alto capital. Em país de juro alto, a primeira escala e a segunda trava.

2. Os países centrais estão fechando a porta do pacote barato; o Brasil abriu. Os EUA suspenderam a isenção de minimis para todos os países em 29/08/2025, e uma lei federal revoga o limite de US$ 800 em definitivo a partir de 01/07/202746. A União Europeia passou a cobrar € 3 por item em remessas de até € 150 a partir de 01/07/202647 Fato. O Brasil fez o movimento inverso em maio de 2026. Inferência Quando o maior mercado do mundo fecha a porta, a capacidade ociosa de plataformas e fábricas exportadoras procura mercados abertos. O salto de 83% nas remessas ao Brasil em três meses é coerente com esse redirecionamento, ainda que a alíquota zero seja a causa mais direta.

3. Varejo que vira financeira sem governança de banco quebra de forma súbita. O caso La Polar, no Chile, é o espelho mais próximo do risco brasileiro de crediário (ver Cases).

Cases internacionais

Walmart: mídia e assinatura como segunda fonte de lucro (positivo)

No quarto trimestre do ano fiscal 2026, a publicidade global do Walmart cresceu 37% (41% no Walmart Connect nos EUA), a receita de anuidades cresceu 15,1% e o e-commerce global 24%44 Fato. Mecânica: o Walmart usa preço baixo para gerar tráfego e vende esse tráfego à indústria como mídia. A margem do anúncio é muito superior à da mercadoria e não exige estoque. Para o Brasil: supermercados e farmácias têm tráfego físico recorrente e dados de cupom fiscal, mas raramente vendem mídia. Inferência

Costco: o lucro está na carteirinha (positivo)

No ano fiscal 2025, a Costco faturou US$ 269,9 bilhões em vendas e US$ 5,32 bilhões em anuidades, com lucro operacional de US$ 10,38 bilhões45 Fato. Mecânica: as anuidades equivalem a 51% do lucro operacional; a mercadoria é vendida quase a custo para garantir renovação. O cliente paga antecipado, e não financiado. Para o Brasil: o atacarejo tem o perfil operacional (giro, sortimento curto), mas não cobra pela fidelidade. Hipótese Um clube pago para pequeno varejista e família numerosa poderia trocar receita financeira por receita recorrente.

Mercado Livre: o flywheel de crédito e anúncio (positivo, latino-americano)

Receita no Brasil de US$ 5,53 bilhões no 2T26, carteira de crédito acima de US$ 16 bilhões (+75%), NIMAL de 20,7% e inadimplência de 15 a 90 dias de 7,0% na carteira37 Fato. Mecânica: os dados de venda reduzem o custo de originação; os depósitos da conta digital reduzem o custo de funding; os anúncios financiam o frete grátis, que aumenta a conversão. Alerta embutido: a inadimplência da carteira de 7% mostra que o modelo também carrega risco de crédito no ciclo atual.

La Polar (Chile, 2011): o crediário que inventou lucro (alerta)

Em 9 de junho de 2011, a La Polar reconheceu um "serio problema de provisiones" após repactuar unilateralmente a dívida de milhares de clientes; a ação caiu de cerca de 2.000 para 14 pesos e a recuperação exigiu cerca de US$ 300 milhões de capitalização48 Fato. Mecânica: renegociar dívida sem o consentimento do cliente transforma inadimplência em carteira "em dia", infla receita financeira e esconde perdas. Para o Brasil: com inadimplência recorde e carteiras próprias de varejistas, renegociações em massa (inclusive via Desenrola) exigem auditoria de safra e provisão. A Americanas mostrou que o mercado brasileiro também não detecta a tempo inconsistências de grande porte30.

Hudson's Bay (Canadá, 2025): marca centenária não paga dívida (alerta)

A varejista mais antiga do Canadá pediu proteção contra credores em março de 2025, liquidou as 96 lojas e demitiu cerca de 8.300 empregados até junho; a marca foi vendida por mais de 30 milhões de dólares canadenses49 Fato. Mecânica: tráfego em queda, dívida garantida elevada e subinvestimento tornam a loja física um passivo fixo. Para o Brasil: lojas de departamento e duráveis com aluguel alto e dívida cara estão na mesma equação.

EUA e União Europeia: a política comercial como variável do varejo (alerta regulatório)

A decisão norte-americana de suspender o de minimis (29/08/2025)46 e a europeia de cobrar € 3 por item (01/07/2026)47 mostram que o tratamento tributário do pacote pequeno muda em meses e redistribui fluxos globais. Para o Brasil: a alíquota zero, por ser fixada por ato do Ministro da Fazenda dentro do teto legal18, pode ser revertida com a mesma rapidez. Planejar capacidade industrial com base nela é arriscado nos dois sentidos.

O que não fecha?

  1. Desemprego mínimo e inadimplência máxima. A desocupação de 5,1% (4T25) é a menor da série recente6, mas a inadimplência PF em recursos livres é a maior desde 201111. Inferência O ciclo de crédito, e não o de emprego, está no comando. Parte do salto pode refletir a mudança contábil da Resolução 4.966 (2025).
  2. Renner opera bem e perde valor. Margem EBITDA de 21,4% no varejo e caixa líquido de R$ 1,2 bi36, mas ação 62% abaixo de 201938. Inferência O mercado não está punindo só a execução; está reprecificando o formato, com desconto pelo risco cross-border e pelo juro estrutural.
  3. O Brasil arrecadava mais e abriu mão. O imposto sobre remessas rendeu R$ 5,0 bi em 202517; a exposição de motivos da MP 1.357 afirma que a medida "não ocasiona renúncia de receitas tributárias"18. Inferência Com alíquota efetiva de 23% caindo para menos de 5%, a afirmação só se sustenta se o volume e a formalização compensarem integralmente, o que os números de julho (II devido de R$ 106 mi no PRC contra R$ 342 mi em dez/2025) ainda não mostram.
  4. A loja física cresce e o e-commerce cai no mesmo varejista. No 2T26 do Magazine Luiza, lojas +10,3% e on-line -11,9%34. Hipótese O digital 1P perdeu para marketplaces e cross-border; a loja manteve o cliente que depende de crédito presencial.
  5. Retail media cresce 37% enquanto as varejistas encolhem. O dinheiro da indústria está indo para mídia de varejo40, mas concentrado em quem tem tráfego digital. Inferência O varejista físico, dono do maior tráfego do país, não está capturando essa verba.
  6. O fim das bets libera renda, a alíquota zero a exporta. As duas medidas foram tomadas em 2026 com quatro meses de diferença. Inferência O efeito líquido para o varejo nacional discricionário pode ser próximo de zero, enquanto para supermercado e farmácia tende a ser positivo.

Forças de transformação

Força Direção Intensidade 2026-2028 Quem se beneficia
Custo do capital (Selic 13,75% e juro real alto) contra o varejo financiado alta quem vende à vista e quem tem funding próprio
Endividamento recorde das famílias contra duráveis alta cobrança, renegociação, crédito consignado
Proibição das bets a favor do consumo média, incerta supermercado, farmácia, serviços
Isenção do IR até R$ 5 mil a favor do consumo das classes C e D média varejo de necessidade e de bens de entrada
Alíquota zero até US$ 50 contra moda e utilidades nacionais alta plataformas cross-border, logística, ICMS
Retail media e dados de primeira parte a favor de quem tem tráfego alta plataformas, redes com app e fidelidade
Reforma tributária e split payment a favor do formal contra o informal média, crescente a partir de 2027 grandes redes formais
Social commerce e criadores a favor de marcas nativas digitais média marcas pequenas com comunidade

Mapa de riscos

Mapa de riscos do varejo brasileiro, 2026 a 2028
1122334455Probabilidade →Impacto →MonitorarZona crítica11. Juro real alto por mais tempo (Probabilidade 3, Impacto 5)22. Inadimplência PF segue em alta (Probabilidade 4, Impacto 4)33. Cross-border avança sobre moda e utilidades (Probabilidade 5, Impacto 4)44. Bets migram para a ilegalidade se a MP cair (Probabilidade 3, Impacto 3)55. Custo de transição da reforma tributária (Probabilidade 4, Impacto 3)66. Nova fraude contábil em varejista listada (Probabilidade 2, Impacto 5)77. Concentração de tráfego e alta de take rate (Probabilidade 3, Impacto 4)88. Mudança de política após a eleição de 2026 (Probabilidade 3, Impacto 2)99. Choque cambial encarece importados (Probabilidade 2, Impacto 3)1010. Ressaca de duráveis pós-Copa (Probabilidade 2, Impacto 2)
  1. Juro real alto por mais tempo
  2. Inadimplência PF segue em alta
  3. Cross-border avança sobre moda e utilidades
  4. Bets migram para a ilegalidade se a MP cair
  5. Custo de transição da reforma tributária
  6. Nova fraude contábil em varejista listada
  7. Concentração de tráfego e alta de take rate
  8. Mudança de política após a eleição de 2026
  9. Choque cambial encarece importados
  10. Ressaca de duráveis pós-Copa
Fonte: [11], [15], [17], [21], [26]Avaliação qualitativa da Instfy (1 a 5), com base nos dados citados no estudo.
Ver dados em tabela
#ItemProbabilidadeImpacto
1Juro real alto por mais tempo35
2Inadimplência PF segue em alta44
3Cross-border avança sobre moda e utilidades54
4Bets migram para a ilegalidade se a MP cair33
5Custo de transição da reforma tributária43
6Nova fraude contábil em varejista listada25
7Concentração de tráfego e alta de take rate34
8Mudança de política após a eleição de 202632
9Choque cambial encarece importados23
10Ressaca de duráveis pós-Copa22

Os riscos 2 e 7 estão entre os mais críticos e se alimentam: quanto mais inadimplente o consumidor de baixa renda, mais o crédito se concentra em quem tem dados e funding melhores, o que reforça as plataformas. O risco 6 tem probabilidade baixa e impacto máximo; a lição de Americanas e La Polar é que ele aparece justamente em ciclos de inadimplência alta.

Oportunidades

Cada oportunidade abaixo nasce de um dado deste estudo. Capital e prazos são estimativas da Instfy para ordem de grandeza Hipótese.

1. Crédito de varejo com dado de cupom e Pix

  • Problema: varejistas médios financiam o cliente a custo de banco e não têm dado para precificar risco; inadimplência PF em recorde de 8%11.
  • Cliente: redes regionais de móveis, eletro e moda com crediário próprio.
  • Solução: motor de crédito que usa histórico de compra e pagamento (cupom, Pix, carnê) e repassa a carteira a FIDC ou banco parceiro.
  • Modelo econômico: taxa por concessão + participação no spread; varejista sai do balanço do risco.
  • Por que agora: Selic começa a cair; Desenrola limpa cadastro; varejistas precisam de crédito sem carregar recebível.
  • Barreira: acesso a funding e licença (SCD ou parceria).
  • Risco: safra originada no pico de inadimplência.
  • Capital: R$ 20 mi a R$ 50 mi (tecnologia e primeira perda).
  • Time-to-market: 9 a 15 meses.

2. Rede de retail media para supermercados e farmácias regionais

  • Problema: retail media cresce 37% ao ano40, mas a verba vai para quem tem tráfego digital; redes físicas não têm escala para vender mídia sozinhas.
  • Cliente: indústria de bens de consumo e redes regionais.
  • Solução: rede compartilhada que agrega dados de fidelidade, telas de loja e app de várias redes e mede vendas incrementais.
  • Modelo: comissão sobre mídia vendida (20% a 30%), receita dividida com as redes.
  • Por que agora: saída das bets, grandes anunciantes de 2024-2026, libera inventário e verba de mídia Inferência.
  • Barreira: padronizar dados entre redes; LGPD.
  • Risco: grandes plataformas oferecem o mesmo com mais escala.
  • Capital: R$ 10 mi a R$ 30 mi.
  • Time-to-market: 6 a 12 meses.

3. Precificação dinâmica do parcelamento

  • Problema: 43,2% do crédito no cartão é parcelado sem juros41; o custo de 4% a 5% da venda (estimativa Instfy) é dado como fixo.
  • Cliente: varejo de ticket médio e alto, físico e on-line.
  • Solução: software que decide, por produto, cliente e canal, quantas parcelas oferecer e qual desconto à vista vale mais que o parcelamento.
  • Modelo: SaaS + fee sobre economia financeira comprovada.
  • Por que agora: Selic acima de 13% torna cada parcela cara; Pix e Pix Automático oferecem alternativa à vista.
  • Barreira: integração com adquirência e ERP.
  • Risco: perda de conversão mal calibrada.
  • Capital: R$ 3 mi a R$ 8 mi.
  • Time-to-market: 4 a 8 meses.

4. Confecção sob demanda para competir com o cross-border

  • Problema: vestuário caiu 12,9% em volume desde 20193 e enfrenta remessas sem imposto até US$ 50.
  • Cliente: varejistas de moda nacionais e marcas próprias.
  • Solução: rede de confecções do Agreste, de Santa Catarina e de Goiás integrada por software de pedido em lotes pequenos (300 a 1.000 peças) com reposição em 15 dias.
  • Modelo: margem de intermediação industrial + SaaS.
  • Por que agora: o lead time é a única vantagem que o produtor nacional mantém sobre o pacote de 15 a 30 dias vindo da Ásia Inferência.
  • Barreira: qualidade e capital de giro das confecções.
  • Risco: plataformas cross-border fazem o mesmo com produtores locais (a Shein afirma ter 85% do vestuário produzido no Brasil43).
  • Capital: R$ 15 mi a R$ 40 mi.
  • Time-to-market: 12 a 18 meses.

5. Serviço de conformidade e fulfillment para vendedores nacionais em marketplaces globais

  • Problema: marketplaces estrangeiros recrutam vendedores brasileiros, que não dominam padrões de catálogo, logística e tributação.
  • Cliente: pequenas indústrias e marcas.
  • Solução: operação terceirizada de catálogo, estoque, emissão fiscal sob IBS/CBS e atendimento.
  • Modelo: fee mensal + percentual do GMV.
  • Por que agora: reforma tributária e split payment26 exigem conformidade nova; plataformas querem oferta local.
  • Barreira: baixa.
  • Risco: plataformas internalizam o serviço.
  • Capital: R$ 2 mi a R$ 6 mi.
  • Time-to-market: 3 a 6 meses.

6. Cobrança e renegociação inteligente pós-Desenrola e pós-bets

  • Problema: 29,8% das famílias inadimplentes, atraso médio de 64,6 dias27.
  • Cliente: varejistas com carteira própria, financeiras, FIDCs.
  • Solução: cobrança digital com segmentação por capacidade de pagamento e oferta de acordo por Pix parcelado.
  • Modelo: success fee sobre valor recuperado.
  • Por que agora: a renda antes perdida em apostas (R$ 32 bi a R$ 38 bi líquidos por ano, estimativa Instfy) pode voltar a pagar dívida.
  • Barreira: regulação de cobrança e reputação.
  • Risco: reincidência após o Desenrola.
  • Capital: R$ 5 mi a R$ 15 mi.
  • Time-to-market: 4 a 9 meses.

7. Tributário de transição para o pequeno varejo

  • Problema: 1,13 milhão de empresas varejistas8 terão de conviver com ICMS, PIS/Cofins, CBS e IBS ao mesmo tempo a partir de 2027.
  • Cliente: PMEs varejistas e contadores.
  • Solução: módulo de ERP que simula preço, crédito de IBS/CBS e efeito do split payment no caixa.
  • Modelo: SaaS por CNPJ.
  • Por que agora: CBS de teste em 2026 e cobrança efetiva a partir de 202726.
  • Barreira: atualização normativa constante.
  • Risco: ERPs grandes embutem a função.
  • Capital: R$ 3 mi a R$ 10 mi.
  • Time-to-market: 6 a 9 meses.

8. Farmácia como hub de cuidado recorrente

  • Problema: farmácia é a categoria que mais cresce (+48,5% em volume desde 2019)3, mas a margem do medicamento é regulada.
  • Cliente: redes regionais de farmácias.
  • Solução: serviços clínicos (testes, vacinação, acompanhamento de crônicos), assinatura de medicamentos de uso contínuo e mídia de saúde.
  • Modelo: assinatura + serviço + mídia.
  • Por que agora: envelhecimento e recorrência; consumidor busca previsibilidade de gasto.
  • Barreira: regulação sanitária e profissional.
  • Risco: grandes redes e plataformas de saúde.
  • Capital: R$ 5 mi a R$ 20 mi por rede.
  • Time-to-market: 6 a 12 meses.

9. Abastecimento B2B do pequeno varejo alimentar

  • Problema: mercadinhos de bairro compram mal e não têm crédito.
  • Cliente: cerca de centenas de milhares de pequenos comércios alimentares (número exato não verificado neste estudo).
  • Solução: pedido por app, entrega programada e crédito de prazo com base no histórico de compra.
  • Modelo: margem de distribuição + receita financeira de prazo.
  • Por que agora: supermercado é a segunda categoria que mais cresce3; a renda extra das classes C e D é gasta perto de casa Hipótese.
  • Barreira: logística de última milha capilar.
  • Risco: atacarejos e indústria competem diretamente.
  • Capital: R$ 30 mi a R$ 100 mi.
  • Time-to-market: 12 a 24 meses.

10. Special situations em varejo: pontos, marcas e carteiras

  • Problema: recorde de 2.466 pedidos de RJ em 202528; marcas e pontos comerciais vendidos com desconto.
  • Cliente: fundos de crédito estressado e operadores estratégicos.
  • Solução: veículo que compra marcas, pontos e carteiras de recebíveis de varejistas em reestruturação e as opera ou revende.
  • Modelo: retorno de capital (TIR-alvo acima de 25%, hipótese).
  • Por que agora: Americanas vendeu a Uni.co (Imaginarium, Puket) por R$ 152,9 mi31; Grupo Toky em RJ33; mais casos devem surgir com juro alto.
  • Barreira: due diligence e capacidade operacional.
  • Risco: passivos trabalhistas e tributários ocultos.
  • Capital: R$ 100 mi a R$ 500 mi.
  • Time-to-market: 6 a 12 meses.

11. Inteligência de expansão para o Norte, Nordeste e fronteira agrícola

  • Problema: o varejo cresceu 20% a 48% em estados como Amapá, Pará, Maranhão, Piauí e Mato Grosso do Sul, contra 7,9% em São Paulo1.
  • Cliente: redes nacionais e regionais planejando lojas.
  • Solução: modelo de potencial por município combinando PMC, PNAD, transferências, crédito do BCB e dados de agro.
  • Modelo: projeto + assinatura de dados.
  • Por que agora: expansão de lojas volta a fazer sentido onde o crédito presencial é decisivo.
  • Barreira: qualidade de dados municipais.
  • Risco: ciclo de commodities.
  • Capital: R$ 1 mi a R$ 3 mi.
  • Time-to-market: 3 a 6 meses.

12. Live e social commerce para marcas nacionais

  • Problema: marcas pequenas não têm acesso ao tráfego pago caro das plataformas.
  • Cliente: marcas de moda, beleza e casa.
  • Solução: operação de vendas ao vivo com criadores, pagamento por Pix e logística integrada.
  • Modelo: comissão sobre venda.
  • Por que agora: classe C responde por 54% das compras on-line39; criadores substituem anúncio.
  • Barreira: baixa.
  • Risco: dependência de algoritmo de rede social.
  • Capital: R$ 1 mi a R$ 5 mi.
  • Time-to-market: 2 a 4 meses.

Matriz de oportunidades

Matriz de oportunidades: atratividade contra viabilidade
1122334455Viabilidade (capital, barreira, prazo) →Atratividade (tamanho, margem, timing) →Testar baratoPriorizar11. Crédito com dado de cupom e Pix (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 3, Atratividade (tamanho, margem, timing) 5)22. Retail media para redes regionais (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 3, Atratividade (tamanho, margem, timing) 4)33. Precificação do parcelamento (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 5, Atratividade (tamanho, margem, timing) 4)44. Confecção sob demanda (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 1, Atratividade (tamanho, margem, timing) 3)55. Fulfillment para vendedores nacionais (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 4, Atratividade (tamanho, margem, timing) 2)66. Cobrança pós-Desenrola (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 4, Atratividade (tamanho, margem, timing) 4)77. Tributário de transição (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 4, Atratividade (tamanho, margem, timing) 3)88. Farmácia como hub de cuidado (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 4, Atratividade (tamanho, margem, timing) 5)99. Abastecimento B2B do pequeno varejo (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 2, Atratividade (tamanho, margem, timing) 3)1010. Special situations em varejo (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 2, Atratividade (tamanho, margem, timing) 4)1111. Inteligência de expansão regional (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 5, Atratividade (tamanho, margem, timing) 3)1212. Live e social commerce (Viabilidade (capital, barreira, prazo) 5, Atratividade (tamanho, margem, timing) 2)
  1. Crédito com dado de cupom e Pix
  2. Retail media para redes regionais
  3. Precificação do parcelamento
  4. Confecção sob demanda
  5. Fulfillment para vendedores nacionais
  6. Cobrança pós-Desenrola
  7. Tributário de transição
  8. Farmácia como hub de cuidado
  9. Abastecimento B2B do pequeno varejo
  10. Special situations em varejo
  11. Inteligência de expansão regional
  12. Live e social commerce
Fonte: elaboração InstfyNotas de 1 a 5 atribuídas pela Instfy. Atratividade: tamanho do problema medido no estudo, margem e janela de tempo. Viabilidade: inverso do capital, da barreira e do prazo.
Ver dados em tabela
#ItemViabilidade (capital, barreira, prazo)Atratividade (tamanho, margem, timing)
1Crédito com dado de cupom e Pix35
2Retail media para redes regionais34
3Precificação do parcelamento54
4Confecção sob demanda13
5Fulfillment para vendedores nacionais42
6Cobrança pós-Desenrola44
7Tributário de transição43
8Farmácia como hub de cuidado45
9Abastecimento B2B do pequeno varejo23
10Special situations em varejo24
11Inteligência de expansão regional53
12Live e social commerce52

Os quadrantes de prioridade concentram as oportunidades que atacam a mesma causa raiz do estudo: o custo de financiar o consumidor (1, 3, 6) e a monetização do tráfego e da recorrência que o varejo físico já tem (2, 8).

O que parece óbvio, mas pode estar errado

"Shein e Temu mataram o varejo de moda." O volume de vestuário já estava 13% abaixo de 2014 em 2019 e caiu mais 13% até 20253. A queda é anterior ao cross-border em escala. Inferência O cross-border acelerou um declínio que tem causas de preço relativo, crédito e mudança de hábito. A alíquota zero agrava, mas não inaugura.

"O e-commerce vai substituir a loja." No 2T26, o maior varejista multicanal do país cresceu nas lojas e encolheu no on-line34. O digital cresce, mas o digital do varejista tradicional (1P) perde para marketplaces. Inferência A pergunta certa não é loja contra site, e sim quem detém o cliente e o crédito.

"Juro caindo salva o varejo." A Renner tem caixa líquido e mesmo assim perdeu 62% do valor38. A Selic a 13,75% ainda é juro real alto. Inferência A queda dos juros ajuda quem está alavancado, mas não devolve ao varejo tradicional as receitas de tráfego e de mídia que migraram para plataformas.

"O fim das bets devolve R$ 240 bilhões ao varejo." A estimativa da CNC de R$ 103 bilhões de perdas do varejo em 2024 parte de um gasto de cerca de R$ 240 bilhões com apostas23. O próprio Banco Central lembra que cerca de 85% do valor apostado volta como prêmio22. Inferência O que pode voltar ao consumo é a perda líquida (R$ 32 bi a R$ 38 bi por ano, cálculo Instfy), e parte dela pode ir para pagar dívidas ou para apostas ilegais. Tratamos o número da CNC como Indício.

"A alíquota zero é ruim para todo o varejo nacional." Plataformas com marketplace local e vendedores brasileiros podem ganhar volume, e os estados ganham ICMS sobre uma base maior20. O prejuízo concentra-se no varejo de moda, utilidades e eletrônicos de baixo valor.

Segunda ordem

  1. Mídia mais barata para o varejo. Hipótese As casas de apostas estavam entre os maiores anunciantes do país até 2026; a proibição da publicidade21 libera espaço em TV, esporte e digital. O custo de mídia pode cair em 2027, favorecendo varejistas que reinvestirem em marca.
  2. Pressão logística e fiscal no cross-border. Remessas de 27 a 28 milhões por mês17 tensionam Correios, couriers e fiscalização. Inferência Atrasos e devoluções podem reduzir a vantagem do pacote barato antes de qualquer mudança tributária.
  3. Reabertura do crédito em 2027. Hipótese Se Desenrola, isenção do IR e fim das bets reduzirem a inadimplência em 2027, o crédito para classes C e D reabre, e duráveis (eletro, móveis) podem ter um ciclo forte, desde que a Selic esteja abaixo de 12%.
  4. A formalização tributária muda o preço relativo. Inferência Com split payment, o informal perde a vantagem de não recolher, e o varejo formal de bairro ganha competitividade. O efeito se materializa a partir de 2027 e cresce até 203326.
  5. Varejistas virando bancos sob nova regra contábil. A Resolução CMN 4.966 (2025) antecipa provisões. Inferência Varejistas com carteira própria terão lucro mais volátil e precisarão escolher entre ser banco de verdade (com funding) ou vender a carteira.
  6. Eleição e política de consumo. Hipótese Com eleição em outubro de 2026, a combinação de alíquota zero, isenção do IR e Desenrola pode ser revista em 2027 por razões fiscais, inclusive a volta da tributação de remessas, que depende só de ato do Ministro dentro do teto legal18.

Cenários

Cenário 2027 2030 2035 Sinais
Base: recuperação desigual Selic entre 11% e 12%; varejo restrito cresce 2% a 3%; cross-border estabiliza perto de 25 milhões de remessas/mês; necessidade cresce mais que discricionário Plataformas detêm a maior parte do e-commerce; varejistas físicos reestruturados operam com menos lojas e mais crédito de terceiros Varejo dividido entre plataformas, atacarejo/farmácia e nichos de marca Comprometimento de renda abaixo de 27%; inadimplência PF abaixo de 7%
Aceleração: ciclo de crédito Selic abaixo de 10%; inadimplência cai após Desenrola e fim das bets; duráveis crescem acima de 6% Varejistas que limparam balanço (Casas Bahia, Americanas, Magalu) reprecificam; retail media passa de 15% da publicidade digital Varejo físico integrado a mídia e crédito, com margens maiores que em 2025 Vendas de móveis e eletro voltam ao nível de 2014; ações do setor sobem acima do Ibovespa
Ruptura: plataformização completa Selic estável acima de 13%; nova RJ de varejista grande; cross-border acima de 35 milhões de remessas/mês Moda e utilidades de baixo valor dominadas por cross-border; varejo nacional restrito a necessidade e serviços Três ou quatro plataformas controlam tráfego, crédito e mídia Volume de vestuário cai mais 10%; alíquota zero mantida; take rates sobem

Tese Instfy

O real a mais do consumidor brasileiro está sendo interceptado antes da prateleira por três pedágios: o custo do crédito, as plataformas que monetizam tráfego e financiamento, e, até outubro de 2026, as apostas. O varejo tradicional perdeu valor porque ficou com a etapa da cadeia que exige capital e entrega margem baixa, e porque financiou o consumo a custo de banco sem cobrar spread. O próximo ciclo será capturado por quem controlar crédito com funding barato, tráfego próprio monetizável e categorias de necessidade.

O que acreditamos que está acontecendo?

Tese Instfy Desde 2022, o crescimento da renda deixou de se converter em vendas de bens na mesma proporção. A cada 1% de massa salarial real, o varejo restrito captura cerca de 0,54% em volume (2019 a 2025)14. A diferença foi para o serviço da dívida, para apostas e para compras internacionais. O varejo que financia o cliente (duráveis, moda) carregou o custo; o varejo de necessidade e as plataformas capturaram o volume.

O que o mercado ainda pode não estar precificando?

Tese Instfy Que os choques de 2026 se anulam para o varejo discricionário nacional: a renda liberada por IR e fim das bets tende a vazar para o cross-border com alíquota zero. E que o fim das bets favorece mais o pagamento de dívidas e o supermercado do que o varejo de duráveis no curto prazo. Também é pouco discutido que a publicidade das apostas libera inventário de mídia, o que pode baratear a construção de marca para varejistas em 2027.

Para onde o valor vai migrar?

Tese Instfy Para três ativos: (1) crédito com custo de funding inferior (contas digitais, depósitos, FIDCs com dado proprietário); (2) tráfego próprio monetizável (retail media, assinatura, dados de primeira parte); (3) categorias de necessidade e recorrência (farmácia, alimentar, saúde). Loja, estoque e parcelamento sem juros deixaram de ser vantagem competitiva por si sós.

Quem tende a ganhar?

Plataformas com conta digital e anúncios; farmácias e supermercados com programas de fidelidade; atacarejos desalavancados; operadores de crédito e cobrança com dados; vendedores nacionais com lead time curto; fundos de special situations.

Quem tende a perder?

Varejo de duráveis e moda que financia o cliente com balanço próprio; lojas de departamento com aluguel alto; o pequeno varejo de utilidades e eletrônicos de baixo valor exposto ao cross-border sem imposto; o consumidor de baixa renda se o crédito voltar sem educação financeira.

O que invalidaria a nossa tese?

  1. A razão entre crescimento do volume do varejo e crescimento da massa salarial voltar a ficar acima de 0,9 por dois anos seguidos.
  2. O volume de vestuário e móveis voltar ao nível de 2019 com a alíquota zero mantida.
  3. Varejistas tradicionais passarem a gerar receita relevante de mídia (acima de 2% da receita) ou de assinatura.
  4. A Selic cair abaixo de 10% e ainda assim as ações de varejo tradicional não superarem o Ibovespa em 12 meses (isso indicaria que o problema não era juro, e enfraqueceria a parte da tese sobre crédito).

Indicadores para acompanhar

Indicador Valor atual Confirmaria a tese Enfraqueceria a tese Frequência e fonte
Volume do varejo restrito, acumulado no ano +1,8% (jan a jul/2026)1 abaixo de metade da alta da massa salarial igual ou acima da massa mensal, IBGE PMC
Massa de rendimento real +4,8% em 12 meses (jun a ago/2026)4 segue crescendo acima do varejo desacelera para o ritmo do varejo mensal, IBGE PNAD
Comprometimento de renda com dívida 28,72% (jul/2026)10 acima de 28% em 2027 abaixo de 26% mensal, BCB SGS 29034
Inadimplência crédito livre PF 8,01% (ago/2026)11 acima de 7,5% abaixo de 6% mensal, BCB SGS 21112
Selic meta 13,75% (set/2026)15 acima de 12% no fim de 2027 abaixo de 10% Copom
Remessas internacionais por mês 27,1 milhões (jul/2026)17 acima de 25 milhões abaixo de 18 milhões mensal, Receita Federal
Alíquota efetiva do II no PRC 4,6% (jul/2026)17 mantida abaixo de 10% volta acima de 20% mensal, Receita Federal
Volume de vestuário (PMC) -0,9% no acumulado de 2026 até jul3 segue negativo crescimento acima de 3% mensal, IBGE PMC
Retail media sobre publicidade digital 11,2% (2025)40 acima de 15% em 2027 estagnado anual, IAB Brasil
Despesa financeira sobre EBITDA (Magalu) 81% (2T26)34 acima de 60% abaixo de 40% trimestral, RI
Famílias inadimplentes (CNC) 29,8% (jul/2026)27 acima de 28% abaixo de 25% mensal, CNC PEIC
Pedidos de recuperação judicial 2.466 (2025)28 novo recorde em 2026 queda acima de 15% mensal, Serasa Experian

Implicações

Para empresários

  • Calcule o custo real do parcelamento por produto e canal. Se ele for maior que a margem líquida, você está doando lucro ao consumidor e ao banco.
  • Separe o negócio de varejo do negócio de crédito: ou vire banco com funding e governança, ou venda a carteira.
  • Trate tráfego de loja e app como ativo de mídia; mesmo uma rede regional pode vender exposição à indústria.
  • Em moda e utilidades, compita por prazo de reposição e por produto que o pacote internacional não entrega bem (tamanho, troca, ajuste).

Para investidores

  • Separe varejo de necessidade (farmácia, alimentar) de varejo financiado (duráveis, moda); os dados mostram trajetórias opostas.
  • Use a razão despesa financeira sobre EBITDA como filtro primário em varejo listado.
  • Acompanhe o cross-border mensal da Receita: ele antecipa a receita de moda e utilidades.
  • Special situations em varejo devem ganhar oferta em 2026 e 2027; a disciplina de due diligence de passivos é o diferencial (lições de Americanas e La Polar).

Para executivos

  • Retail media, assinatura e serviços são as linhas que mais crescem no varejo global; coloque metas para elas no plano de 2027.
  • Monte cenários com a alíquota de remessas voltando a 20% e com ela mantida em zero; a decisão é de ato ministerial e pode mudar rápido.
  • Prepare o caixa para a reforma tributária: o split payment altera o momento do recolhimento e o capital de giro a partir de 2027.

Para novos entrantes

  • Não entre como mais um varejista de estoque. Entre como infraestrutura do varejo: crédito, cobrança, mídia, dados, conformidade.
  • Norte, Nordeste e fronteira agrícola cresceram até seis vezes mais que São Paulo desde 2019 (Amapá +48,3% contra +7,9%); o mapa de expansão mudou.
  • Nichos de necessidade com recorrência (saúde, pets, alimentação especial) suportam melhor juro alto.

Conclusão

O Brasil de 2026 tem pleno emprego estatístico, renda real em alta e varejistas em recuperação judicial. A contradição se resolve quando se olha para onde o dinheiro vai antes de chegar à prateleira: juros, plataformas e apostas. O varejo tradicional perdeu valor não porque o consumo sumiu, mas porque ele ficou com a parte cara da cadeia e terceirizou a parte rentável.

Os choques de 2026 redistribuem esse jogo. O fim das bets e a isenção do IR põem renda no bolso das classes C e D; a alíquota zero manda parte dela para fora. Quem ganhar o próximo ciclo não será quem tiver mais lojas, e sim quem financiar mais barato, conhecer melhor o cliente e vender o que ele precisa todo mês.

Metodologia

Período de coleta: 6 de outubro de 2026. Dados mais recentes disponíveis: PMC até jul/2026, PNAD Contínua até o trimestre jun a ago/2026, BCB até ago/2026, Receita Federal (Remessa Conforme) até jul/2026, resultados de empresas do 2T26.

Fontes e cálculos: séries oficiais foram baixadas diretamente das APIs do IBGE (SIDRA) e do Banco Central (SGS). Médias anuais foram calculadas sobre os números-índice mensais. Os relatórios mensais do Programa Remessa Conforme (out/2024 a jul/2026) foram lidos um a um; totais anuais e alíquotas efetivas são cálculos da Instfy. Variações de ações usam preço ajustado mensal do Yahoo Finance. Dados de empresas vêm de comunicados e de imprensa financeira que reproduz os releases de resultados; o release do Mercado Livre foi consultado no arquivo da SEC.

Rótulos: Fato para dado publicado por fonte identificada; Indício para declaração de empresa ou estimativa de entidade com metodologia não auditada; Inferência para conclusões derivadas pela Instfy dos dados; Hipótese para proposições que precisam de validação; Tese Instfy para a posição da Instfy.

Matrizes: riscos e oportunidades receberam notas de 1 a 5 por um analista da Instfy, com base nos números do estudo; não foram validadas por painel.

Limitações:

  • Não há conta oficial que decomponha o uso da renda adicional das famílias entre 2019 e 2026; a POF mais recente é de 2017-2018. A decomposição em dívida, apostas e cross-border é inferencial.
  • Os deflatores da PMC (por atividade) e da PNAD (IPCA) diferem; a comparação renda contra volume é indicativa.
  • A inadimplência do BCB desde 2025 é afetada pela Resolução CMN 4.966.
  • Não foi possível acessar dados de Neotrust, NielsenIQ ou ABRAS sobre participação de canais (atacarejo, e-commerce por categoria); por isso o estudo não publica participação de mercado do atacarejo.
  • O número de lojas do Assaí reportado pela imprensa (1.705 unidades) não foi usado por inconsistência com o histórico da companhia.
  • A lei de conversão da MP 1.357 foi confirmada por fonte secundária (Legisweb); o texto final da lei não foi consultado.
  • A estimativa da CNC sobre perdas do varejo com bets não teve metodologia publicada acessível.
  • Não publicamos índice proprietário. O desenho do Instfy Consumer Capture Index está em construção (variáveis e pesos no backlog do setor).

Fontes

Dados oficiais

  1. [1] Pesquisa Mensal de Comércio, tabela 8880: varejo restrito, Brasil e UFs (volume e receita nominal). IBGE/SIDRA, 2026-07. consultado em 2026-10-06.
  2. [2] Pesquisa Mensal de Comércio, tabela 8881: varejo ampliado. IBGE/SIDRA, 2026-07. consultado em 2026-10-06.
  3. [3] Pesquisa Mensal de Comércio, tabela 8883: varejo ampliado por atividades. IBGE/SIDRA, 2026-07. consultado em 2026-10-06.
  4. [4] PNAD Contínua, tabela 6392: massa de rendimento real habitual do trabalho. IBGE/SIDRA, 2026-08. consultado em 2026-10-06.
  5. [5] PNAD Contínua, tabela 6390: rendimento médio real habitual. IBGE/SIDRA, 2026-08. consultado em 2026-10-06.
  6. [6] PNAD Contínua, tabela 6381: taxa de desocupação. IBGE/SIDRA, 2026-08. consultado em 2026-10-06.
  7. [7] Pesquisa Mensal de Serviços, tabela 8688: volume de serviços por atividade (serviços prestados às famílias). IBGE/SIDRA, 2025-12. consultado em 2026-10-06.
  8. [8] Pesquisa Anual de Comércio 2023, tabela 1399. IBGE/SIDRA, 2023. consultado em 2026-10-06.
  9. [9] SGS 29037 e 29038: endividamento das famílias com o SFN em relação à renda de 12 meses. Banco Central do Brasil, 2026-07. consultado em 2026-10-06.
  10. [10] SGS 29034: comprometimento de renda das famílias com o serviço da dívida (com ajuste sazonal). Banco Central do Brasil, 2026-07. consultado em 2026-10-06.
  11. [11] SGS 21112: inadimplência da carteira de crédito com recursos livres, pessoas físicas. Banco Central do Brasil, 2026-08. consultado em 2026-10-06.
  12. [12] SGS 20716: taxa média de juros das operações de crédito, pessoas físicas. Banco Central do Brasil, 2026-08. consultado em 2026-10-06.
  13. [13] SGS 22022: taxa média de juros do cartão de crédito rotativo, pessoas físicas. Banco Central do Brasil, 2026-08. consultado em 2026-10-06.
  14. [14] SGS 20570: saldo da carteira de crédito com recursos livres, pessoas físicas. Banco Central do Brasil, 2026-08. consultado em 2026-10-06.
  15. [15] SGS 432: meta da taxa Selic. Banco Central do Brasil, 2026-09. consultado em 2026-10-06.
  16. [16] SGS 1: taxa de câmbio livre, dólar americano (venda), diário. Banco Central do Brasil, 2026-06. consultado em 2026-10-06.
  17. [22] Estudo Especial 119/2024: análise técnica sobre o mercado de apostas online no Brasil e o perfil dos apostadores. Banco Central do Brasil, 2024-10. consultado em 2026-10-06.

Regulação

  1. [17] Relatórios de Resultados do Programa Remessa Conforme (out/2024 a jul/2026). Receita Federal, 2026-07. consultado em 2026-10-06.
  2. [18] Exposição de Motivos EMI 1146/2026 da Medida Provisória 1.357/2026. Presidência da República, 2026-05-12. consultado em 2026-10-06.
  3. [19] Medida provisória zera taxa das blusinhas para importações de até US$ 50. Agência Senado, 2026-05-13. consultado em 2026-10-06.
  4. [20] Fim da taxa das blusinhas: sancionada MP que zera Imposto de Importação para compras de até US$ 50. Legisweb, 2026-09. consultado em 2026-10-06.
  5. [21] Medida Provisória 1.394, de 25 de setembro de 2026 (proíbe apostas de quota fixa). Presidência da República, 2026-09-25. consultado em 2026-10-06.
  6. [24] Isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil entra em vigor. Agência Brasil, 2025-12. consultado em 2026-10-06.
  7. [25] Novo Desenrola começa a valer nesta terça-feira. Agência Brasil, 2026-05. consultado em 2026-10-06.
  8. [26] Lei Complementar 214/2025 (IBS, CBS e Imposto Seletivo), arts. 31 a 35 e 346. Presidência da República, 2025-01. consultado em 2026-10-06.

Mercado

  1. [23] CNC diz que bets causaram perdas de R$ 103 bilhões ao varejo em 2024. Agência Brasil, 2025-01. consultado em 2026-10-06.
  2. [27] CNC: endividamento das famílias sobe para 82%, mas inadimplência cai (PEIC julho/2026). Mercado&Consumo, 2026-08. consultado em 2026-10-06.
  3. [28] Serasa Experian: recuperação judicial cresce em 2025 e atinge maior número desde 2012. InfoMoney, 2026-04. consultado em 2026-10-06.
  4. [38] Cotações mensais ajustadas de MGLU3, LREN3, BHIA3, AMER3, SBFG3, AZZA3, CEAB3, RADL3, VIVA3, BOVA11 e MELI. Yahoo Finance, 2026-10. consultado em 2026-10-06.
  5. [39] E-commerce brasileiro cresce 15,3% e fatura R$ 235,5 bilhões em 2025 (ABIACOM). Mundo do Marketing, 2026-02-19. consultado em 2026-10-06.
  6. [40] Publicidade digital bate R$ 42,7 bilhões no Brasil em 2025 (IAB Brasil, Digital AdSpend 2026). Propmark, 2026-04-29. consultado em 2026-10-06.
  7. [41] Abecs: apresentação de resultados do mercado de cartões, 1T26. Abecs (via Finsiders), 2026-05. consultado em 2026-10-06.
  8. [42] Temu passa Magalu, Shein e AliExpress e se torna o 5º e-commerce mais acessado do país (Conversion). Mercado&Consumo, 2024-12-18. consultado em 2026-10-06.

Empresas

  1. [29] Recuperação judicial da Americanas é a 4ª maior da história do Brasil. A Gazeta, 2023-01. consultado em 2026-10-06.
  2. [30] Americanas pede recuperação judicial. Migalhas, 2023-01-19. consultado em 2026-10-06.
  3. [31] Americanas salta após pedir fim da RJ, vender ativos e divulgar resultados. InfoMoney, 2026-03-26. consultado em 2026-10-06.
  4. [32] Casas Bahia entra com pedido de recuperação extrajudicial para dívida de R$ 4,1 bilhões. Mercado&Consumo, 2024-04-29. consultado em 2026-10-06.
  5. [33] Grupo Toky, dono de Tok&Stok e Mobly, pede recuperação judicial após pressão de juros. Bloomberg Línea, 2026-05. consultado em 2026-10-06.
  6. [34] Magazine Luiza tem prejuízo no 2T26 (resultados do segundo trimestre de 2026). Money Times, 2026-08-06. consultado em 2026-10-06.
  7. [35] Assaí mais do que dobra lucro no 2T26. Money Times, 2026-08-06. consultado em 2026-10-06.
  8. [36] Renner lucra R$ 405 milhões no 2T26 e corta guidance de receita para 2026. Money Times, 2026-08-06. consultado em 2026-10-06.
  9. [37] MercadoLibre, Inc. Reports Second Quarter 2026 Financial Results (Form 8-K, Exhibit 99.1). MercadoLibre / SEC, 2026-08-05. consultado em 2026-10-06.
  10. [43] Shein acelera produção no Brasil. Forbes Brasil, 2025-02. consultado em 2026-10-06.

Cases

  1. [44] Walmart releases Q4 FY26 earnings. Walmart, 2026-02-19. consultado em 2026-10-06.
  2. [45] Costco Wholesale Corporation Reports Fourth Quarter and Fiscal Year 2025 Operating Results. Costco, 2025-09. consultado em 2026-10-06.
  3. [48] La Polar, diez años después de las repactaciones unilaterales. La Tercera, 2021-06. consultado em 2026-10-06.
  4. [49] Hudson's Bay to close stores and terminate 8,300 employees by June 1. Retail Insider, 2025-05. consultado em 2026-10-06.

Internacional

  1. [46] De minimis customs exception for small packages entered into the United States to end in August 2025. Hogan Lovells, 2025-08. consultado em 2026-10-06.
  2. [47] The end of the EUR 150 customs duty exemption: the EU introduces a flat-rate EUR 3 duty on small parcels. Andersen, 2026-07. consultado em 2026-10-06.
Atualizado em 2026-10-07. Encontrou algo desatualizado? Escreva para relationship@instfy.com.