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O Pix zerou a margem do pagamento. Quem fica com o lucro agora?

Em 2025 o Pix movimentou R$ 35,4 trilhões em quase 80 bilhões de transações, e no primeiro semestre de 2026 os pagamentos de pessoas a empresas via Pix já somavam 18,3 bilhões de operações contra 23,9 bilhões de todos os cartões. Ao mesmo tempo, os bancos lucraram um recorde e a inadimplência das famílias voltou a subir. A pergunta deixou de ser se o Pix venceu. É para onde foi o dinheiro que antes ficava no pagamento.

Instfy InsightsServiços financeirosResearchAnalysisThesis
Pregunta central

Se o Pix virou o meio de pagamento do país, onde foi parar a margem do sistema financeiro e quem vai capturá-la na próxima fase?

Publicado el 06 de octubre de 2026Actualizado el 06 de octubre de 202636 min de lecturaInstfy Insights
pixcréditoconsignadoopen financeadquirênciaregulaçãobancos digitais
Mão segurando um smartphone que exibe um QR Code de pagamento na tela
Índice del estudio

Sumário executivo

  • O que encontramos: o pagamento virou infraestrutura pública de custo próximo de zero e a receita de transação parou de crescer onde ela era o negócio. Na Stone, o volume em cartões caiu 3,1% no 2T26 enquanto o Pix por QR Code subiu 44,3%; no PagBank, o volume total cresceu 3% e a receita, 0,4%. O lucro foi para o balanço: no Nubank, 75% do lucro bruto do 2T26 veio de crédito (41%) e de float (34%), e só 25% de tarifas.
  • Por que importa: o sistema lucrou cerca de R$ 255 bilhões em 2025 com ROE de 16,8%, mas o componente que mais cresce no spread é a inadimplência, que já responde por 36,6% dele, contra 20% da margem financeira. Quem ganha a próxima fase não é quem distribui mais barato, é quem perde menos no crédito.
  • Principal mudança: o consignado privado via eSocial triplicou em 20 meses (de R$ 40,2 bilhões em dez/2024 para R$ 122,1 bilhões em ago/2026), mas com juros de 56,3% ao ano e inadimplência de 10,6%, quase igual à do crédito pessoal sem garantia (11,0%). A garantia que justificava o produto não está funcionando como garantia.
  • Principal risco: a combinação de Selic ainda em 13,75%, comprometimento de renda das famílias em 28,7% (jul/2026) e inadimplência total subindo de 3,1% para 5,0% em 20 meses. Instituições que cresceram crédito para compensar a perda da receita de pagamento estão entrando no pior momento do ciclo.
  • Principal oportunidade: infraestrutura de risco e de cobrança para o novo crédito (consignado privado, crédito a lojista baseado em fluxo Pix, refinanciamento via portabilidade) e serviços de conformidade para um ambiente regulatório que fechou, em 12 meses, as arbitragens de capital, de BaaS e de apostas.
  • Tese Instfy: o Pix não destruiu a margem do sistema, mudou o endereço dela. A margem saiu da transação e foi para o balanço: conta principal, float e crédito. Entre 2026 e 2030 vence quem combina funding barato com dado transacional para precificar risco em um ciclo de inadimplência alta, e não quem processa pagamentos.
R$ 35,4 trimovimentados via Pix em 2025, em 79,8 bilhões de transações[2]
29%participação do Pix nos pagamentos de varejo no 2S25[3]
-3,1%volume em cartões na Stone no 2T26, enquanto o Pix por QR Code cresceu 44,3%[11]
R$ 122 bisaldo do consignado privado em ago/2026, 3 vezes o de dez/2024[4]
36,6%peso da inadimplência no spread do crédito em 2025 (margem financeira: 20%)[3]
5,04%inadimplência total da carteira em ago/2026, ante 3,08% em dez/2024[4]

O fenômeno em números

O Pix é hoje a maior infraestrutura de pagamentos do país em quantidade de transações. Em 2025 foram R$ 35,36 trilhões movimentados em 79,8 bilhões de operações, alta de 33,8% em valor e de 25,7% em quantidade sobre 2024, com 148 milhões de pessoas físicas (86% da população adulta) e 12,8 milhões de empresas usando o sistema ao longo do ano2 Fato. O diretório de chaves (DICT) tinha 186,97 milhões de usuários cadastrados em set/2026, sendo 168,2 milhões de pessoas físicas e 18,7 milhões de pessoas jurídicas37 Fato.

Os números deste estudo vêm de duas bases do Banco Central que precisam ser lidas juntas. A estatística oficial agregada (R$ 35,4 trilhões em 2025) inclui transações liquidadas dentro da própria instituição. A base de dados abertos que usamos para a composição por natureza e forma de iniciação cobre as transações liquidadas no Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), que somaram 71,3 bilhões de operações e R$ 29,6 trilhões em 20251 Fato. O REF confirma a diferença: em dez/2025 foram 7.099 milhões de Pix liquidados no SPI e 763 milhões dentro das instituições3 Fato.

O Pix multiplicou por nove o número de transações em quatro anosUnidade: bilhões de transações liquidadas no SPI · Período: 2021-2025
02550751002021 · Transações Pix (SPI): 7,98 bilhões de transações liquidadas no SPI7,9820212022 · Transações Pix (SPI): 20,4 bilhões de transações liquidadas no SPI20,420222023 · Transações Pix (SPI): 36,2 bilhões de transações liquidadas no SPI36,220232024 · Transações Pix (SPI): 56,3 bilhões de transações liquidadas no SPI56,320242025 · Transações Pix (SPI): 71,3 bilhões de transações liquidadas no SPI71,32025
Fonte: [1]Soma mensal da base EstatisticasTransacoesPix do BCB. Exclui Pix liquidados dentro da mesma instituição, por isso fica abaixo da estatística oficial agregada (79,8 bilhões em 2025).
Ver dados em tabela
Transações Pix (SPI)
20217,98
202220,4
202336,2
202456,3
202571,3

Unidade: bilhões de transações liquidadas no SPI

Três números explicam por que este é o momento de perguntar quem fica com a margem.

Primeiro, o Pix entrou no varejo de ticket baixo. No segundo semestre de 2025 ele chegou a 29,0% de todos os pagamentos de varejo e as transações de pessoas para empresas (P2B) passaram a ser mais numerosas que as transferências entre pessoas: 44,4% contra 42,4% das transações no SPI em dez/20253 Fato. O tíquete médio do P2B liquidado no SPI caiu de R$ 398 em 2021 para R$ 145 em 2023 e R$ 110 em 2026 (até setembro)1 Fato. Pix de R$ 110 é compra de mercado, farmácia e lanche: o território do cartão de débito.

Segundo, o cartão de débito parou de crescer. No primeiro semestre de 2026 os cartões movimentaram R$ 2,3 trilhões (+8%), puxados pelo crédito (R$ 1,7 trilhão, +12,1%), enquanto o débito recuou 1,8%, para R$ 481,6 bilhões, e o número total de transações com cartão cresceu só 3%, para 23,9 bilhões7 Fato. No mesmo semestre, o Pix P2B liquidado no SPI somou 18,3 bilhões de transações (+32% sobre o 1S25) e R$ 2,0 trilhões (+27%)1 Fato.

Em um ano, o Pix entre pessoas e empresas encostou nos cartõesUnidade: bilhões de transações no semestre · Período: 1S25 e 1S26
Todos os cartões (crédito, débito e pré-pago)Pix pessoa para empresa (P2B, só SPI)
06,2512,518,8251S25 · Todos os cartões (crédito, débito e pré-pago): 23,2 bilhões de transações no semestre1S25 · Pix pessoa para empresa (P2B, só SPI): 13,9 bilhões de transações no semestre1S251S26 · Todos os cartões (crédito, débito e pré-pago): 23,9 bilhões de transações no semestre1S26 · Pix pessoa para empresa (P2B, só SPI): 18,3 bilhões de transações no semestre1S26
Fonte: [7], [1]Cartões 1S25 derivado da alta de 3% informada pela Abecs para o 1S26. Pix P2B exclui transações liquidadas dentro da mesma instituição, logo é um piso.
Ver dados em tabela
Todos os cartões (crédito, débito e pré-pago)Pix pessoa para empresa (P2B, só SPI)
1S2523,213,9
1S2623,918,3

Unidade: bilhões de transações no semestre

Terceiro, o crédito ficou mais caro e mais arriscado ao mesmo tempo. A carteira total chegou a R$ 7,40 trilhões em ago/2026, 55,4% do PIB, e a taxa média das operações com recursos livres para pessoas físicas está em 61,7% ao ano4 Fato. A inadimplência total subiu de 3,08% em dez/2024 para 5,04% em ago/2026, e a de pessoas físicas com recursos livres, de 5,40% para 8,01%4 Fato. O comprometimento de renda das famílias com o serviço da dívida atingiu 28,72% em jul/2026, ante 26,80% em dez/20245 Fato.

Como chegamos até aqui

A história recente do sistema financeiro brasileiro é a de um regulador que usou infraestrutura pública para tirar margem de um elo e, em seguida, teve de lidar com a margem que reapareceu em outro.

  1. 2020Pix entra em operação em novembro. Em pouco mais de um ano alcança 67% dos adultos, com participação obrigatória dos grandes bancos e o BC como operador e regulador [32]
  2. 2022Resolução BCB 246 limita a tarifa de intercâmbio do débito a 0,5% e do pré-pago a 0,7% [17]
  3. 2023Lei 14.690 obriga emissores a propor teto para juros do rotativo, sob pena de limitar encargos a 100% da dívida; Lei 14.790 regula as apostas de quota fixa [16] [25]
  4. 2024BC estima que as bets recebem entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões por mês via Pix, de cerca de 24 milhões de apostadores [24]
  5. 2025MP 1.292 cria o consignado privado via plataforma digital (mar); Pix Automático estreia (jun); Selic chega a 15% (jun); Drex troca blockchain por registro de gravames (ago) [14]
  6. 2025Após a Operação Carbono Oculto e ataques a provedores de tecnologia, BC impõe teto de R$ 15 mil por Pix e TED a instituições não autorizadas (set), eleva capital mínimo (nov) e regula BaaS (nov) [20]
  7. 2026Portabilidade de crédito pessoal via Open Finance começa (fev); Nubank vira banco no México (ago); Selic recua para 13,75% (set) [29]
  8. 2026MP 1.394 proíbe as apostas de quota fixa no país e o BC veda o processamento de Pix destinado a elas (set) [22]

O desenho do Pix foi deliberado. O BIS registrou que dois fatores explicam a adoção: a participação obrigatória das grandes instituições, que gerou efeito de rede imediato, e o fato de o Banco Central ser ao mesmo tempo operador e regulador32 Fato. Essa combinação fez algo que nenhuma fintech conseguiria sozinha: transformou o pagamento de conta para conta em bem quase público, gratuito para pessoas e barato para lojistas.

A consequência econômica é simples e foi subestimada por boa parte do mercado entre 2021 e 2023 Inferência. Quando o meio de pagamento custa perto de zero, a receita que existia no meio (intercâmbio, MDR, tarifa de TED, antecipação de recebíveis de cartão) não se redistribui entre os competidores do meio. Ela desaparece desse elo e reaparece onde ainda existe escassez: no saldo que fica parado na conta, no dado que permite emprestar e no capital que permite carregar risco.

O que está mudando agora

Cinco movimentos dos últimos 18 meses mudam a resposta à pergunta central.

1. O ciclo de juros virou contra o crédito de varejo. A Selic subiu de 12,25% em dez/2024 para 15% em jun/2025, ficou nesse nível até mar/2026 e só recuou para 13,75% em set/20266 Fato. O REF mostra que o custo do crédito (ICC médio ajustado) passou de 19,84% em 2024 para 20,93% em 2025, puxado por custo de captação e inadimplência, e que o aumento do spread veio de "maior participação do risco de crédito, e não de expansão da margem financeira"3 Fato.

2. O consignado privado virou o produto da vez. Lançado pela MP 1.292, de 12 de março de 2025, ele usa plataforma digital e dados do eSocial para descontar parcelas em folha de trabalhadores CLT14 Fato. Até 17/03/2026, foram R$ 117,1 bilhões concedidos e cerca de 25 milhões de contratos no primeiro ano, com taxa média próxima de 60% ao ano em 2025, segundo o Ministério do Trabalho15 Fato.

3. O regulador fechou as arbitragens. Em setembro de 2025, o BC limitou a R$ 15 mil cada Pix ou TED de instituições de pagamento não autorizadas e das conectadas via provedores de tecnologia, e fixou maio de 2026 como prazo final para pedirem autorização20 Fato. Em novembro, a Resolução BCB 517 e normas conexas elevaram o capital mínimo das instituições de pagamento de R$ 1 milhão para R$ 9,2 milhões e o dos bancos de R$ 7 milhões para R$ 56 milhões, com transição até jan/2028 e efeito sobre cerca de 500 instituições1819 Fato. No mesmo mês, a Resolução Conjunta 16 regulou o Banking as a Service e passou a exigir que a conta seja de titularidade do cliente na instituição prestadora21 Fato.

4. As bets saíram do Pix. A MP 1.394, de 25 de setembro de 2026, proíbe a exploração, a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa no território nacional, alterando o regime criado pela Lei 14.790/202325, e veda a instituições financeiras e de pagamento processar transações destinadas a elas, ressalvado o encerramento das operações e a restituição de valores22 Fato. Cinco dias depois, a Resolução BCB 597 incorporou a vedação ao regulamento do Pix23 Fato. Em 2024, o BC estimava que esse fluxo era de R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões por mês24 Fato. A MP ainda depende de conversão em lei pelo Congresso Fato.

5. As promessas de segunda geração andam devagar. O Pix Automático, lançado em junho de 2025, processou 8,9 milhões de transações e R$ 1,68 bilhão em set/2026, contra 599 mil transações em dez/20251 Fato. Cresce 15 vezes em nove meses, mas ainda representa cerca de 0,1% das transações do SPI Inferência. O Drex, que nasceu como plataforma de tokenização, teve a fase seguinte redesenhada em agosto de 2025 para começar por um sistema centralizado de conciliação de gravames, adiando o uso de blockchain26 Fato; a imprensa relata ainda a desativação da plataforma piloto em novembro de 202527 Indício.

Pix Automático cresce rápido, mas sobre uma base mínimaUnidade: mil transações por mês (SPI) · Período: set/2025 a set/2026
02.5005.0007.50010.000set/25nov/25jan/26mar/26mai/26jul/26set/26set/25 · Pix Automático: 92,3 mil transações por mês (SPI)out/25 · Pix Automático: 185 mil transações por mês (SPI)nov/25 · Pix Automático: 282 mil transações por mês (SPI)dez/25 · Pix Automático: 599 mil transações por mês (SPI)jan/26 · Pix Automático: 919 mil transações por mês (SPI)fev/26 · Pix Automático: 1.195 mil transações por mês (SPI)mar/26 · Pix Automático: 1.862 mil transações por mês (SPI)abr/26 · Pix Automático: 2.279 mil transações por mês (SPI)mai/26 · Pix Automático: 2.871 mil transações por mês (SPI)jun/26 · Pix Automático: 4.314 mil transações por mês (SPI)jul/26 · Pix Automático: 6.104 mil transações por mês (SPI)ago/26 · Pix Automático: 7.570 mil transações por mês (SPI)set/26 · Pix Automático: 8.921 mil transações por mês (SPI)8.921
Fonte: [1]Forma de iniciação AUTO na base de dados abertos do Pix. Em set/2026 o SPI liquidou 7,17 bilhões de transações no total.
Ver dados em tabela
Pix Automático
set/2592,3
out/25185
nov/25282
dez/25599
jan/26919
fev/261.195
mar/261.862
abr/262.279
mai/262.871
jun/264.314
jul/266.104
ago/267.570
set/268.921

Unidade: mil transações por mês (SPI)

A economia do setor

Para saber quem fica com a margem, é preciso olhar de onde ela vem. O Relatório de Estabilidade Financeira de maio de 2026 traz a decomposição do custo do crédito, a melhor fotografia pública da economia bancária brasileira.

O spread cresceu por causa do calote, não da margemUnidade: pontos percentuais do spread do ICC · Período: 2023-2025
InadimplênciaDespesas administrativasTributos e FGCMargem financeira
051015202023 · Inadimplência: 4,51 pontos percentuais do spread do ICC2023 · Despesas administrativas: 2,93 pontos percentuais do spread do ICC2023 · Tributos e FGC: 2,61 pontos percentuais do spread do ICC2023 · Margem financeira: 2,51 pontos percentuais do spread do ICC12,620232024 · Inadimplência: 4,16 pontos percentuais do spread do ICC2024 · Despesas administrativas: 2,9 pontos percentuais do spread do ICC2024 · Tributos e FGC: 2,66 pontos percentuais do spread do ICC2024 · Margem financeira: 2,59 pontos percentuais do spread do ICC12,320242025 · Inadimplência: 4,62 pontos percentuais do spread do ICC2025 · Despesas administrativas: 2,89 pontos percentuais do spread do ICC2025 · Tributos e FGC: 2,59 pontos percentuais do spread do ICC2025 · Margem financeira: 2,52 pontos percentuais do spread do ICC12,62025
Fonte: [3]Spread do ICC = ICC médio ajustado menos custo de captação. Em 2025, o ICC médio ajustado foi 20,93% e o custo de captação, 8,32 p.p.
Ver dados em tabela
InadimplênciaDespesas administrativasTributos e FGCMargem financeira
20234,512,932,612,51
20244,162,92,662,59
20254,622,892,592,52

Unidade: pontos percentuais do spread do ICC

Em 2025, o spread do ICC foi de 12,62 pontos percentuais. A inadimplência respondeu por 36,61% dele, as despesas administrativas por 22,90%, tributos e FGC por 20,52% e a margem financeira por 19,97%3 Fato. No crédito livre o ICC chegou a 29,30%, com 6,85 pontos de inadimplência e 3,89 pontos de margem; no direcionado, a margem é quase nula (0,27 ponto)3 Fato.

Essa decomposição desmonta duas narrativas comuns Inferência. A primeira é que o spread brasileiro é alto porque os bancos ganham demais por operação: a margem é um quinto do spread. A segunda é que eficiência operacional digital resolve o problema: despesas administrativas são menos de um quarto. O item que domina é o risco. Uma instituição que corta pela metade o custo de servir o cliente ganha cerca de 1,4 ponto de spread; uma que reduz a perda esperada em um terço ganha mais de 1,5 ponto e, no crédito livre, mais de 2 pontos Inferência.

Do lado do lucro, o sistema foi bem. O BC informou lucro recorde de cerca de R$ 255 bilhões e ROE de 16,76% em 2025, o maior desde 202113 Indício. O REF mostra que entidades com ROE acima de 10% respondem por cerca de 90% dos ativos, que o ROE mediano ficou em 11,7% e que o segmento de instituições digitais teve o maior avanço de rentabilidade no 2S25, por alavancagem operacional, ao mesmo tempo em que registrou o maior aumento de custo com provisões3 Fato.

A tabela abaixo resume o que cada modalidade cobra e perde hoje. É nela que está o mapa da margem.

Modalidade (pessoa física, recursos livres) Saldo ago/2026 Juros ao ano Inadimplência
Cartão de crédito rotativo R$ 96,1 bi 444,9% 66,2%
Cheque especial R$ 45,5 bi 136,4% 15,3%
Crédito pessoal não consignado R$ 399,8 bi 110,2% 11,0%
Consignado privado (CLT) R$ 122,1 bi 56,3% 10,6%
Consignado INSS R$ 277,8 bi 24,1% 2,2%
Consignado servidor público R$ 391,9 bi 24,1% 2,7%
Total pessoas físicas, recursos livres R$ 2.572 bi 61,7% 8,0%

Fonte: BCB, SGS, séries de saldo, taxa média e inadimplência por modalidade4 Fato.

Cadeia de valor

  1. Trilho (SPI e DICT)Operado pelo BC. Liquidação em menos de meio segundo para 99% das transações, gratuito para pessoa físicabaixa
  2. Iniciação e carteiraApps de banco, carteiras e iniciadores via Open Finance. Disputa por atenção, não por tarifabaixa
  3. Credenciamento e adquirênciaCartão perde volume para o QR Code Pix, e o Pix não gera recebível para anteciparpressionada
  4. Conta principal e floatOnde o salário cai e o saldo fica. Funding barato e dado transacional diárioalta
  5. Originação e precificação de créditoCartão, pessoal, consignado privado, capital de giro do lojista. Margem alta antes de perdas, volátil depoisalta
  6. Funding de terceiros (FIDC, securitização)Financia quem não tem depósito. Cresce com fintechs de créditomédia
  7. Cobrança, recuperação e garantiasGravames, desconto em folha, portabilidade. Define a perda finalmédia
  8. Conformidade e infraestrutura regulatóriaKYC, PLD, BaaS, capital mínimo. Virou barreira de entrada desde 2025média

O ponto central da cadeia é que o elo de maior volume (o trilho) é o de menor margem, por desenho de política pública, e os elos de maior margem (conta principal e crédito) dependem de dois ativos que o Pix não distribui: funding estável e capacidade de absorver perda Inferência.

Onde o valor está sendo capturado

O melhor teste é olhar a composição do lucro de quem cresceu com o Pix.

No Nubank, o lucro bruto do 2T26 foi de US$ 2,4 bilhões, com 41% vindo de crédito, 34% de float e 25% de tarifas8 Fato. O banco que popularizou a conta digital gratuita ganha três quartos do lucro bruto com balanço. O custo dos depósitos ficou em 88% da taxa interbancária e a margem financeira líquida subiu para 22,9%8 Fato.

No PagBank, a receita total do 2T26 foi de R$ 5,08 bilhões, alta de 0,4%, com volume de pagamentos (TPV) crescendo 3%. A receita de banking cresceu 28,9%, o cash-in na conta 23,3% (R$ 97 bilhões) e os depósitos 15,1% (R$ 42,8 bilhões)12 Fato. A receita financeira (R$ 2,82 bilhões) já é maior que a de transações e serviços (R$ 2,06 bilhões)12 Fato.

Na Stone, a mudança aparece dentro do próprio pagamento. O TPV total cresceu 4,3% no 2T26, mas o TPV de cartões caiu 3,1%, para R$ 111,5 bilhões, enquanto o Pix por QR Code subiu 44,3%, para R$ 30,7 bilhões, já 21,6% do total11 Fato. Para compensar, a carteira de crédito mais que dobrou (+107,5%, para R$ 3,75 bilhões), com inadimplência acima de 90 dias de 8,60%, ante 4,67% um ano antes, e custo de risco de 21,5%11 Fato.

Dentro da maquininha, o Pix ocupa o lugar do cartãoUnidade: R$ bilhões de TPV no trimestre · Período: 2T25 e 2T26
CartõesPix QR Code
0501001502002T25 · Cartões: 115 R$ bilhões de TPV no trimestre2T25 · Pix QR Code: 21,3 R$ bilhões de TPV no trimestre1362T252T26 · Cartões: 112 R$ bilhões de TPV no trimestre2T26 · Pix QR Code: 30,7 R$ bilhões de TPV no trimestre1422T26
Fonte: [11]StoneCo, release de resultados do 2T26.
Ver dados em tabela
CartõesPix QR Code
2T2511521,3
2T2611230,7

Unidade: R$ bilhões de TPV no trimestre

O padrão é o mesmo nos três casos Inferência: quem tem a conta e o saldo transforma o Pix em funding e em dado; quem tinha a transação como produto vê o volume migrar para um trilho que não remunera e precisa ir para o crédito para manter a receita. A diferença entre os dois grupos aparece no risco: o Nubank reporta inadimplência de 90+ estável em 6,9% e afirma que melhorou em todas as faixas de renda desde jul/20258, enquanto a carteira de credenciadora da Stone quase dobrou o atraso em um ano11 Fato.

Retorno sobre o patrimônio: quem tem a conta principal lideraUnidade: % ao ano · Período: 2T26 (SFN: mediana de dez/2025)
012,52537,550NubankNubank: 33 % ao ano33Itaú UnibancoItaú Unibanco: 24,3 % ao ano24,3StoneStone: 21,6 % ao ano21,6Inter&CoInter&Co: 16,3 % ao ano16,3PagBank (não GAAP)PagBank (não GAAP): 15,6 % ao ano15,6SFN, ROE medianoSFN, ROE mediano: 11,7 % ao ano11,7
Fonte: [8], [9], [11], [10], [12], [3]Bases contábeis diferentes (IFRS, BR GAAP gerencial, não GAAP). Comparação de ordem de grandeza, não de precisão.
Ver dados em tabela
ROE anualizado
Nubank33
Itaú Unibanco24,3
Stone21,6
Inter&Co16,3
PagBank (não GAAP)15,6
SFN, ROE mediano11,7

Unidade: % ao ano

Brasil

Inclusão feita, rentabilização desigual

A conta bancária deixou de ser o gargalo. A posse de conta entre adultos no Brasil passou de 55,9% em 2011 para 86,4% em 2024, segundo o Global Findex, acima do Chile (85,1%) e muito acima do México (53,0%)31 Fato. O Pix foi parte desse movimento: 148 milhões de pessoas fizeram ou receberam ao menos um Pix em 20252 Fato.

Mas inclusão em conta não é inclusão em crédito barato. O crédito pessoal não consignado custa 110,2% ao ano e o rotativo, 444,9%4 Fato. A carteira do rotativo de pessoas físicas cresceu de R$ 60,7 bilhões em dez/2024 para R$ 96,1 bilhões em ago/2026 (+58%) mesmo com a Lei 14.690 limitando os encargos a 100% do valor original416 Fato. A taxa caiu pouco (de 451,6% para 444,9%) e a inadimplência do rotativo subiu de 54,7% para 66,2% Fato. O teto de encargos limitou a perda máxima do devedor, mas não mudou o preço de entrada Inferência.

O consignado privado e a garantia que não segura

O caso mais revelador do ciclo atual é o consignado privado. A lógica do produto é a do consignado do INSS: o desconto em folha reduz o risco e, portanto, o juro. Os números de 2026 dizem outra coisa.

O consignado privado triplicou em 20 mesesUnidade: R$ bilhões de saldo · Período: dez/2022 a ago/2026
050100150200dez/22 · Saldo do consignado para trabalhadores do setor privado: 41,9 R$ bilhões de saldo41,9dez/22dez/23 · Saldo do consignado para trabalhadores do setor privado: 40,9 R$ bilhões de saldo40,9dez/23dez/24 · Saldo do consignado para trabalhadores do setor privado: 40,2 R$ bilhões de saldo40,2dez/24jun/25 · Saldo do consignado para trabalhadores do setor privado: 46,6 R$ bilhões de saldo46,6jun/25dez/25 · Saldo do consignado para trabalhadores do setor privado: 76,7 R$ bilhões de saldo76,7dez/25jun/26 · Saldo do consignado para trabalhadores do setor privado: 113 R$ bilhões de saldo113jun/26ago/26 · Saldo do consignado para trabalhadores do setor privado: 122 R$ bilhões de saldo122ago/26
Fonte: [4]BCB, SGS série 20576.
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Saldo do consignado para trabalhadores do setor privado
dez/2241,9
dez/2340,9
dez/2440,2
jun/2546,6
dez/2576,7
jun/26113
ago/26122

Unidade: R$ bilhões de saldo

Com garantia em folha, o consignado privado já atrasa como crédito sem garantiaUnidade: % da carteira com atraso acima de 90 dias · Período: jun/2022 a ago/2026
Consignado privado (CLT)Pessoal não consignadoConsignado INSS
05101520jun/22dez/22jun/23dez/23jun/24dez/24jun/25dez/25jun/26ago/26jun/22 · Consignado privado (CLT): 4,67 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/22 · Consignado privado (CLT): 4,6 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/23 · Consignado privado (CLT): 4,05 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/23 · Consignado privado (CLT): 5,94 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/24 · Consignado privado (CLT): 6,53 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/24 · Consignado privado (CLT): 7,39 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/25 · Consignado privado (CLT): 6,56 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/25 · Consignado privado (CLT): 5,51 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/26 · Consignado privado (CLT): 8,68 % da carteira com atraso acima de 90 diasago/26 · Consignado privado (CLT): 10,6 % da carteira com atraso acima de 90 dias10,6jun/22 · Pessoal não consignado: 6,86 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/22 · Pessoal não consignado: 8,14 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/23 · Pessoal não consignado: 8,08 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/23 · Pessoal não consignado: 6,75 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/24 · Pessoal não consignado: 6,48 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/24 · Pessoal não consignado: 6,46 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/25 · Pessoal não consignado: 8,25 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/25 · Pessoal não consignado: 9,16 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/26 · Pessoal não consignado: 9,86 % da carteira com atraso acima de 90 diasago/26 · Pessoal não consignado: 11 % da carteira com atraso acima de 90 dias11jun/22 · Consignado INSS: 2,43 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/22 · Consignado INSS: 2 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/23 · Consignado INSS: 1,96 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/23 · Consignado INSS: 1,93 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/24 · Consignado INSS: 1,68 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/24 · Consignado INSS: 1,61 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/25 · Consignado INSS: 1,8 % da carteira com atraso acima de 90 diasdez/25 · Consignado INSS: 1,91 % da carteira com atraso acima de 90 diasjun/26 · Consignado INSS: 1,95 % da carteira com atraso acima de 90 diasago/26 · Consignado INSS: 2,22 % da carteira com atraso acima de 90 dias2,22
Fonte: [4]BCB, SGS séries 21116, 21114 e 21118. A queda do consignado privado em 2025 reflete o crescimento do denominador (carteira nova), não melhora de qualidade.
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Consignado privado (CLT)Pessoal não consignadoConsignado INSS
jun/224,676,862,43
dez/224,68,142
jun/234,058,081,96
dez/235,946,751,93
jun/246,536,481,68
dez/247,396,461,61
jun/256,568,251,8
dez/255,519,161,91
jun/268,689,861,95
ago/2610,6112,22

Unidade: % da carteira com atraso acima de 90 dias

Entre dez/2024 e ago/2026, o saldo do consignado privado foi de R$ 40,2 bilhões para R$ 122,1 bilhões, a taxa média subiu de 40,8% para 56,3% ao ano e a inadimplência, depois de cair para 5,2% em set/2025 por efeito da carteira nova, saltou para 10,6%4 Fato. No mesmo mês, o consignado do INSS cobrava 24,1% com inadimplência de 2,2%4 Fato.

A explicação mais provável é a rotatividade do emprego formal Hipótese. O desconto em folha só protege enquanto existe folha. No INSS, o benefício é praticamente vitalício; no setor privado, a demissão interrompe o desconto, e a garantia do FGTS cobre apenas parte do saldo. O produto foi precificado como se fosse um meio-termo entre o INSS e o crédito pessoal, e está performando como crédito pessoal. Não encontramos dados públicos de inadimplência por coorte de originação ou por tempo de casa do tomador para confirmar a hipótese, e esse é o dado que decide quem ganha dinheiro com o produto.

Concentração caindo, lucro concentrado

O REF registra queda contínua da concentração: a razão dos quatro maiores (RC4) no crédito foi de 57,8% em 2023 para 57,1% em 2025, e a fatia dos bancos comerciais e múltiplos (b1+b2) nas operações de crédito caiu de 85,8% para 83,5%, com ganho das cooperativas (6,8% para 7,8%) e do segmento não bancário (2,0% para 3,0%)3 Fato. Por mercado, o crédito pessoal sem consignação é desconcentrado (RC4 de 51,0%), mas cartão (58,1%), consignado (62,3%) e cheque especial (67,9%) seguem com concentração moderada3 Fato.

Concentração menor de ativos não significa concentração menor de lucro Inferência. Os grandes privados e um punhado de digitais concentram o ROE alto, enquanto o ROE mediano do sistema é de 11,7%3 Fato, abaixo do ROE agregado de 16,76% informado para 202513 Indício.

Capital de risco virou crédito estruturado

Em 2025, as fintechs brasileiras captaram US$ 2,77 bilhões em 106 rodadas, contra 244 rodadas em 2021, e quatro das cinco maiores operações do Sudeste usaram estruturas de FIDC, incluindo duas da CloudWalk (US$ 788 milhões e US$ 549 milhões)30 Fato. O dinheiro que entra no setor já não financia crescimento de usuários, financia carteira de crédito Inferência. É mais uma evidência de que o negócio que sobrou é o de balanço.

Quem está ganhando

Bancos digitais com conta principal e funding próprio. O Nubank chegou a 139 milhões de clientes, quase 118 milhões no Brasil, com taxa de atividade acima de 86% no país, lucro líquido de US$ 1,1 bilhão no 2T26, ROE de 33% e índice de eficiência de 19,5%8 Fato. O Inter tem 45,3 milhões de clientes, ROE de 16,3%, captação a 66% do CDI e cerca de 9% de participação no Pix10 Fato. Os dois mostram o mesmo mecanismo: Pix como canal de aquisição e de movimentação, depósito barato como funding e dado transacional como vantagem de crédito Inferência.

Grandes bancos privados. O Itaú lucrou R$ 12,4 bilhões no 2T26, com ROE de 24,3%, mesmo revisando para baixo o guidance de receitas de serviços e seguros (de 5% a 9% para 2% a 5% em 2026)9 Fato. A instituição compensa receita de serviços mais fraca com crédito de menor risco, como consignado (+11,7% em 12 meses)9 Fato.

Cooperativas de crédito. Ganharam participação em ativos, depósitos e crédito pelo terceiro ano seguido, segundo o REF3 Fato.

Lojistas e consumidores no meio de pagamento. O ganho de quem paga e recebe é o objetivo da política pública e aparece na migração do débito para o Pix Inferência. Não há dado público consolidado sobre a economia de tarifas para o comércio, e por isso não a estimamos.

Quem está perdendo

O negócio de cartão de débito e a adquirência pura. O débito encolheu 1,8% no 1S267 Fato. Na Stone o cartão caiu 3,1% e no PagBank o TPV total cresceu só 3%, com receita estável (+0,4%)1112 Fato. O Pix não gera recebível para antecipar, que era uma das linhas mais rentáveis das credenciadoras Inferência.

Quem foi para o crédito tarde e sem dado. A inadimplência acima de 90 dias da carteira da Stone quase dobrou em um ano (4,67% para 8,60%)11 Fato. A Stone tem dado de fluxo do lojista, mas está construindo a carteira justamente no pico do ciclo Inferência.

Instituições de pagamento pequenas e modelos de "conta-bolsão". Capital mínimo nove vezes maior, prazo de autorização e o teto de R$ 15 mil por transação tornam inviável a operação de quem só existia por arbitragem regulatória1820 Inferência.

Operadores de apostas e quem vivia do fluxo deles. Com a MP 1.394, um fluxo que em 2024 era estimado em R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões por mês deixa de poder ser processado por instituições autorizadas2224 Fato. Instituições de pagamento que tinham nas bets uma parte relevante do volume perdem receita imediatamente Inferência.

Bancos públicos. O REF aponta rentabilidade pressionada, sobretudo pela materialização de risco no crédito rural3 Fato.

O que o mundo ensina

Três lições internacionais ajudam a separar o que é específico do Brasil do que é estrutural.

1. Infraestrutura pública de pagamento só ganha escala com mandato. O BIS atribui a adoção do Pix à participação obrigatória dos grandes bancos32 Fato. O contraexemplo é o FedNow, sistema instantâneo do Federal Reserve lançado em 2023 sem obrigatoriedade: em 2025 liquidou 8,4 milhões de pagamentos, com valor médio de US$ 101 mil, ou seja, virou trilho de atacado e não de varejo33 Fato. O Brasil fez em 2025 mais de 9 mil vezes esse número de transações Inferência.

2. Em pagamento gratuito, quem monetiza é quem empresta. Na Índia, o UPI tornou-se dominante com tarifa ao lojista próxima de zero, e a posse de conta saltou de 77,5% em 2021 para 89,0% em 202431 Fato. Os grandes aplicativos de pagamento do país dependem de crédito e distribuição de produtos financeiros para rentabilizar a base Indício. Não conseguimos verificar volumes e regras de tarifa diretamente nas páginas da NPCI e do RBI, que bloquearam o acesso automatizado; por isso o caso entra como indício.

3. Quem separa a conta do cliente do balanço do intermediário evita a crise de confiança. Os colapsos de modelos de BaaS e de bancos de pagamento no exterior aconteceram onde o dinheiro do cliente estava em contas agregadas do intermediário, sem conciliação confiável, e não por falta de tecnologia Inferência. É exatamente o ponto que a Resolução Conjunta 16 endereça ao exigir que a conta seja de titularidade do cliente na instituição prestadora21 Fato.

Cases internacionais

Nu México: o roteiro brasileiro exportado (positivo)

Em agosto de 2026, a Nu começou a operar como banco no México, com 16 milhões de clientes e 16,5% da população adulta8 Fato. A empresa reporta que as coortes mexicanas monetizam mais cedo, com ARPAC de US$ 12,3 contra US$ 5,6 no Brasil no mesmo estágio, e que transferências SPEI abaixo de US$ 5 cresceram mais de 60% no primeiro semestre8 Fato. Mecânica: onde o pagamento instantâneo ainda está se massificando e a posse de conta é baixa (53% no México31), o banco digital capta clientes pelo pagamento e rentabiliza pelo cartão e pelo depósito. É o mesmo ciclo que o Brasil viveu entre 2020 e 2024, e mostra que a vantagem não é o trilho, é a combinação de dado, crédito e funding Inferência.

Open Banking no Reino Unido: valor lento, mas real (positivo)

O Reino Unido, pioneiro em open banking desde 2018, anunciou em setembro de 2025 um mês com 2 bilhões de chamadas de API e 15 milhões de usuários36 Fato. Mecânica: o valor apareceu primeiro em análise de crédito com dado de conta e em pagamentos conta a conta recorrentes (o equivalente ao Pix Automático), não em comparação de produtos. Foram sete anos para chegar a essa escala, um alerta útil para quem projeta adoção rápida do Open Finance brasileiro Inferência.

Índia e o UPI: inclusão por infraestrutura (positivo, com ressalva)

A posse de conta na Índia chegou a 89,0% dos adultos em 202431 Fato. Mecânica: como no Brasil, a infraestrutura pública com tarifa próxima de zero acelerou a adoção, mas transferiu o problema de rentabilidade para os aplicativos, que dependem de crédito e distribuição Indício. Ressalva: números de volume não verificados na fonte primária.

Synapse, Estados Unidos: quando o BaaS perde o dinheiro do cliente (alerta)

A Synapse conectava plataformas não bancárias a bancos parceiros. O CFPB acusou a empresa de não manter registros adequados de onde estava o dinheiro dos consumidores; os bancos parceiros encontraram saldos menores que os registrados, com diferença estimada entre US$ 60 milhões e US$ 90 milhões, e muitos clientes não recuperaram o saldo integral35 Fato. Mecânica: contas agregadas em nome do intermediário criam um razão paralelo; quando o intermediário quebra, ninguém sabe a quem pertence cada real. A regra brasileira de BaaS de novembro de 2025 previne exatamente esse arranjo21 Inferência.

Paytm Payments Bank, Índia: escala sem conformidade (alerta)

Em 31 de janeiro de 2024, o Reserve Bank of India proibiu o Paytm Payments Bank de aceitar novos depósitos, recargas e créditos a partir de 29 de fevereiro de 2024, e determinou o encerramento das contas nodais do grupo, citando "persistentes descumprimentos"34 Fato. Mecânica: a plataforma tinha distribuição massiva, mas o banco de pagamentos que sustentava a conta não cumpria requisitos de identificação e controles. Quando o regulador agiu, o ativo de distribuição perdeu o trilho. É o paralelo direto das instituições brasileiras que dependiam de "contas-bolsão" e de provedores não autorizados antes do aperto de 20251920 Inferência.

FedNow, Estados Unidos: trilho sem mandato (alerta)

Como mostrado acima, o FedNow liquidou 8,4 milhões de pagamentos em 2025 e 5,0 milhões no 2T26, com valor médio de US$ 55 mil no trimestre33 Fato. Mecânica: sem obrigatoriedade de adesão e com bancos que ganham com cartão de débito, o trilho instantâneo não chega ao varejo. A lição para o Brasil é inversa: o Pix venceu porque o regulador aceitou destruir a margem de um elo. A dúvida é se ele aceitará fazer o mesmo no crédito Hipótese.

O que não fecha?

1. Garantia em folha, risco de crédito pessoal. O consignado privado cobra 56,3% e atrasa 10,6%; o crédito pessoal sem garantia cobra 110,2% e atrasa 11,0%4 Fato. Ou a garantia não funciona, ou o produto está sendo vendido para o tomador errado. Nos dois casos, o spread de 56% não paga o risco que a carteira está mostrando Inferência.

2. Lucro recorde com inadimplência em alta. O sistema lucrou R$ 255 bilhões em 202513 Indício enquanto a inadimplência total foi de 3,1% para 5,0% em 20 meses4 Fato. A conta fecha porque o lucro de 2025 refletiu carteiras originadas antes da alta, e porque o ROE alto está concentrado em poucas instituições Inferência. O REF já projeta rentabilidade "contida" pelas condições financeiras3 Fato.

3. Teto de encargos, carteira maior. Depois da Lei 14.690, o saldo do rotativo cresceu 58% e a taxa quase não caiu416 Fato. A regra limitou o dano final, não o custo de entrada Inferência.

4. Open Finance com 154 milhões de consentimentos e quase nenhum fluxo. O ecossistema tinha 154 milhões de consentimentos ativos no início de 2026 e mais de 5 bilhões de comunicações semanais entre instituições28 Fato. Mas a iniciação de pagamentos por terceiros movimentou R$ 15,3 bilhões em 202528, cerca de 0,04% dos R$ 35,4 trilhões do Pix Inferência. Na base do SPI, a forma de iniciação via iniciador somou 7,1 milhões de transações em 20251 Fato. O dado está circulando; a decisão financeira ainda não.

5. Concentração cai, poder de preço não. O RC4 do crédito caiu e as cooperativas cresceram3, mas o juro médio para pessoa física em recursos livres subiu de 53,1% (dez/2024) para 61,7% (ago/2026)4 Fato. Mais competidores não baixaram o preço porque o preço é determinado pelo risco e pelo custo de captação, não pela margem Inferência.

6. A fintech ficou parecida com o banco que ela queria substituir. A Nu anunciou que está incorporando uma licença bancária completa no Brasil8 Fato; a regulação de capital passou a cobrar mais de quem usa a palavra "banco"19 Fato. O modelo vencedor de 2026 é banco com custo de fintech, não fintech sem banco Inferência.

Forças de transformação

Força Direção Evidência Efeito sobre a margem
Pix no varejo de ticket baixo Acelera P2B passou P2P; tíquete P2B de R$ 11013 Comprime adquirência e débito
Ciclo de juros e inadimplência Desacelera devagar Selic 13,75%; inadimplência 5,04%46 Desloca margem para quem precifica melhor o risco
Consignado privado Acelera, com risco Saldo triplicou; atraso 10,6%4 Margem alta no papel, perda alta na prática
Aperto regulatório Consolidado Capital, BaaS, teto de Pix, bets182122 Barreira de entrada; prêmio para quem já é autorizado
Open Finance e portabilidade Lenta Portabilidade de crédito pessoal desde fev/202629 Potencial de comprimir spread de quem não reage
Pix Automático Inicial 8,9 milhões de transações em set/20261 Ameaça boleto e débito automático no médio prazo
IA no crédito e no atendimento Acelera Agentes de IA fazem mais de 60% dos atendimentos da Nu no Brasil8 Reduz custo de servir; efeito em perda ainda a provar

Mapa de riscos

Mapa de riscos para quem opera ou investe em serviços financeiros no Brasil
1122334455Probabilidade →Impacto →MonitorarZona crítica11. Perdas no consignado privado acima do precificado (Probabilidade 4, Impacto 5)22. Inadimplência de PF segue subindo em 2027 (Probabilidade 4, Impacto 4)33. Fraude e ataques a provedores de tecnologia do Pix (Probabilidade 3, Impacto 4)44. Erosão acelerada da receita de cartão pelo Pix Automático e QR Code (Probabilidade 3, Impacto 3)55. Teto de juros no crédito pessoal ou no consignado privado (Probabilidade 2, Impacto 4)66. MP das bets alterada ou derrubada no Congresso (Probabilidade 3, Impacto 3)77. Mudança tributária sobre lucro de instituições financeiras (Probabilidade 2, Impacto 3)88. Custo de adequação a capital mínimo e BaaS (Probabilidade 4, Impacto 2)
  1. Perdas no consignado privado acima do precificado
  2. Inadimplência de PF segue subindo em 2027
  3. Fraude e ataques a provedores de tecnologia do Pix
  4. Erosão acelerada da receita de cartão pelo Pix Automático e QR Code
  5. Teto de juros no crédito pessoal ou no consignado privado
  6. MP das bets alterada ou derrubada no Congresso
  7. Mudança tributária sobre lucro de instituições financeiras
  8. Custo de adequação a capital mínimo e BaaS
Fonte: [3], [4], [18], [20], [21], [22]
Ver dados em tabela
#ItemProbabilidadeImpacto
1Perdas no consignado privado acima do precificado45
2Inadimplência de PF segue subindo em 202744
3Fraude e ataques a provedores de tecnologia do Pix34
4Erosão acelerada da receita de cartão pelo Pix Automático e QR Code33
5Teto de juros no crédito pessoal ou no consignado privado24
6MP das bets alterada ou derrubada no Congresso33
7Mudança tributária sobre lucro de instituições financeiras23
8Custo de adequação a capital mínimo e BaaS42
  1. Perdas no consignado privado Hipótese: se a inadimplência de 10,6% for de coortes ainda jovens, a perda final será maior. Mitigação: dados de vínculo e rotatividade no underwriting.
  2. Inadimplência de pessoa física: a série subiu de forma contínua de dez/2024 a ago/20264 Fato. Juros caindo ajudam, mas com defasagem de 6 a 12 meses Inferência.
  3. Fraude e ataques: o próprio BC justificou as medidas de 2025 com o envolvimento do crime organizado em ataques a instituições e provedores20 Fato.
  4. Erosão da receita de cartão: já visível na Stone e no débito711 Fato.
  5. Teto de juros: o precedente do rotativo16 mostra que o Congresso intervém quando o preço vira tema político Inferência.
  6. MP das bets: tem prazo constitucional para conversão e pode ser alterada Fato.
  7. Tributação: não verificamos o status de propostas de aumento de CSLL para instituições de pagamento na data de corte e por isso não as tratamos como fato.
  8. Custo de adequação: transição de capital até jan/202819 Fato.

Oportunidades

As oportunidades abaixo seguem a lógica da tese: o valor está em precificar e cobrar risco, em servir quem perdeu a receita de transação e em operar no novo perímetro regulatório.

1. Score de estabilidade de vínculo para o consignado privado

  • Problema: o consignado privado atrasa como crédito sem garantia (10,6%)4.
  • Cliente: os 100 credores ativos do produto, em especial médios e fintechs.
  • Solução: modelo de probabilidade de desligamento por empregador, setor, tempo de casa e sazonalidade, plugado na concessão.
  • Modelo econômico: cobrança por consulta mais participação na redução de perda.
  • Por que agora: carteira de R$ 122 bilhões crescendo, inadimplência dobrando em um ano.
  • Barreira: acesso a dados de vínculo dentro das regras de LGPD e do eSocial.
  • Risco: regulador restringir uso de dados de emprego.
  • Capital necessário: baixo a médio (R$ 3 a 10 milhões) Hipótese.
  • Time-to-market: 6 a 9 meses.

2. Cobrança e recuperação especializada em consignado privado pós-desligamento

  • Problema: quando o vínculo acaba, o desconto para e o credor perde o canal de cobrança.
  • Cliente: credores do consignado privado e FIDCs que compram essas carteiras.
  • Solução: rastreio de recolocação, renegociação e reconstituição do desconto no novo empregador.
  • Modelo econômico: taxa de sucesso sobre valor recuperado.
  • Por que agora: as coortes de 2025 estão entrando no período de maior rotatividade.
  • Barreira: integração com plataformas de folha e regras de cobrança.
  • Risco: reputacional, se a cobrança for agressiva.
  • Capital necessário: médio.
  • Time-to-market: 3 a 6 meses.

3. Capital de giro para lojista lastreado em fluxo Pix

  • Problema: o Pix não gera recebível para antecipar; o lojista que migra do cartão perde a linha de antecipação.
  • Cliente: PMEs e MEIs com alta participação de Pix nas vendas.
  • Solução: crédito com amortização automática sobre recebimentos Pix na conta da instituição credora.
  • Modelo econômico: spread de crédito; funding via depósitos do próprio lojista.
  • Por que agora: o Pix por QR Code já é 21,6% do TPV de uma grande credenciadora11.
  • Barreira: capturar a conta de recebimento do lojista (domicílio).
  • Risco: o lojista desviar o fluxo para outra conta, como mostra a alta de atraso da carteira de credenciadoras11.
  • Capital necessário: alto (carteira).
  • Time-to-market: 6 a 12 meses.

4. Conciliação e gestão de recebimentos Pix para PMEs

  • Problema: com 18,3 bilhões de Pix P2B no semestre1, a conciliação manual de QR Codes e chaves virou custo operacional relevante para o varejo.
  • Cliente: varejo, serviços e distribuidores com milhares de recebimentos por mês.
  • Solução: conciliação automática no ERP, com QR dinâmico por pedido e baixa automática.
  • Modelo econômico: assinatura SaaS por volume.
  • Por que agora: transações iniciadas por QR Code dinâmico somaram 17,2 bilhões no 1S26, contra 12,7 bilhões no 1S251.
  • Barreira: integrações com ERPs e bancos.
  • Risco: bancos oferecerem de graça como retenção.
  • Capital necessário: baixo.
  • Time-to-market: 3 a 6 meses.

5. Cobrança recorrente via Pix Automático para serviços por assinatura

  • Problema: boleto e débito automático têm atrito e inadimplência operacional.
  • Cliente: escolas, academias, provedores de internet, condomínios, SaaS.
  • Solução: orquestração de autorizações, retentativas e régua de cobrança sobre Pix Automático.
  • Modelo econômico: tarifa por cobrança liquidada.
  • Por que agora: o produto cresceu 15 vezes em nove meses, mas é 0,1% do SPI1: a base de recebedores ainda é pequena.
  • Barreira: educação do pagador e adesão dos recebedores.
  • Risco: a nova regra que obriga monitorar recebedores com "ofertas excessivas" de autorização23 aumentar o custo de conformidade.
  • Capital necessário: baixo.
  • Time-to-market: 3 a 6 meses.

6. Refinanciamento de rotativo e cheque especial via portabilidade

  • Problema: R$ 96 bilhões no rotativo a 445% ao ano e R$ 45 bilhões no cheque especial a 136%4.
  • Cliente: tomadores com renda formal e dívida cara.
  • Solução: oferta pré-aprovada usando dados de Open Finance e a portabilidade digital de crédito pessoal em vigor desde fev/202629.
  • Modelo econômico: spread de crédito em patamar intermediário.
  • Por que agora: a portabilidade digital reduziu o prazo de cinco para três dias úteis29.
  • Barreira: seleção adversa, porque quem aceita a troca pode ser o pior risco.
  • Risco: perdas se o modelo não separar o devedor estrutural do eventual.
  • Capital necessário: alto.
  • Time-to-market: 6 a 12 meses.

7. Conformidade como serviço para tomadores de BaaS

  • Problema: a Resolução Conjunta 16 impõe contrato, responsabilidades, conciliação e guarda de dados por até dez anos21.
  • Cliente: varejistas, plataformas e empresas que oferecem conta ou crédito com marca própria.
  • Solução: pacote de KYC, PLD, conciliação e trilha de auditoria pronto para o regulador.
  • Modelo econômico: assinatura mais implantação.
  • Por que agora: prazos de adequação correndo e o caso Synapse como alerta35.
  • Barreira: credibilidade com as instituições prestadoras.
  • Risco: prestadores grandes internalizarem o serviço.
  • Capital necessário: baixo a médio.
  • Time-to-market: 3 a 6 meses.

8. Consolidação e M&A de instituições de pagamento subcapitalizadas

  • Problema: cerca de 500 instituições precisam elevar o capital mínimo até 202819.
  • Cliente: fundadores e investidores dessas instituições.
  • Solução: aquisição de licenças e carteiras, ou fusões, por quem já tem capital e controles.
  • Modelo econômico: compra com desconto, ganho de escala em conformidade.
  • Por que agora: a primeira parcela (25%) vence em dez/202619.
  • Barreira: aprovação de transferência de controle pelo BC.
  • Risco: passivos ocultos de PLD.
  • Capital necessário: alto.
  • Time-to-market: 6 a 18 meses.

9. Prevenção a fraude transacional para instituições médias

  • Problema: o regulador ligou os ataques de 2025 ao crime organizado20 e ampliou as obrigações das instituições ligadas ao Mecanismo Especial de Devolução e ao Pix Automático23.
  • Cliente: cooperativas, bancos médios e instituições de pagamento.
  • Solução: detecção em tempo real compartilhada entre instituições, com marcação de contas-laranja.
  • Modelo econômico: cobrança por transação monitorada.
  • Por que agora: cooperativas ganham participação3 e não têm escala para times próprios.
  • Barreira: compartilhamento de dados entre concorrentes.
  • Risco: responsabilidade por falsos positivos.
  • Capital necessário: médio.
  • Time-to-market: 6 a 12 meses.

10. Registro e conciliação de garantias para crédito com colateral

  • Problema: o mesmo bem pode estar dado em garantia a mais de um credor sem que ninguém veja.
  • Cliente: bancos, registradoras, cartórios e financeiras de veículos e agro.
  • Solução: serviços sobre a infraestrutura de conciliação de gravames que o BC escolheu como primeira entrega do Drex26.
  • Modelo econômico: tarifa por registro e consulta.
  • Por que agora: o redesenho do Drex prioriza exatamente esse uso26.
  • Barreira: depende do cronograma e das regras do BC.
  • Risco: atraso ou mudança de escopo, como já ocorreu.
  • Capital necessário: médio.
  • Time-to-market: 12 a 24 meses.

11. Crédito a fornecedor embutido em plataformas B2B

  • Problema: o Pix B2B movimentou R$ 13,9 trilhões em 20251, mas o prazo de pagamento entre empresas continua financiado no improviso.
  • Cliente: distribuidores, indústrias e marketplaces B2B.
  • Solução: prazo e parcelamento no checkout B2B, com a instituição autorizada como credora via BaaS.
  • Modelo econômico: desconto cobrado do vendedor mais spread.
  • Por que agora: a regra de BaaS deu segurança jurídica ao arranjo21.
  • Barreira: risco de crédito de PME em ciclo de inadimplência.
  • Risco: concentração em poucos compradores.
  • Capital necessário: alto.
  • Time-to-market: 6 a 12 meses.

12. Encerramento ordenado das bets: restituição e reconciliação de saldos

  • Problema: a MP 1.394 permite apenas transações de encerramento e de restituição aos apostadores22.
  • Cliente: operadores em encerramento, instituições de pagamento que mantinham suas contas e o próprio regulador.
  • Solução: reconciliação de saldos, identificação de titulares e devolução auditável.
  • Modelo econômico: projeto com taxa fixa.
  • Por que agora: janela de meses, enquanto a MP vigora.
  • Barreira: insegurança jurídica até a conversão em lei.
  • Risco: a MP ser alterada.
  • Capital necessário: baixo.
  • Time-to-market: imediato, mas temporário.

Matriz de oportunidades

Matriz de oportunidades: atratividade x facilidade de execução
1122334455Facilidade de execução →Atratividade econômica →TestarPriorizar11. Score de vínculo no consignado privado (Facilidade de execução 4, Atratividade econômica 5)22. Cobrança pós-desligamento (Facilidade de execução 4, Atratividade econômica 4)33. Capital de giro lastreado em Pix (Facilidade de execução 2, Atratividade econômica 5)44. Conciliação Pix para PMEs (Facilidade de execução 5, Atratividade econômica 3)55. Cobrança recorrente via Pix Automático (Facilidade de execução 4, Atratividade econômica 3)66. Refinanciamento via portabilidade (Facilidade de execução 2, Atratividade econômica 4)77. Conformidade para tomadores de BaaS (Facilidade de execução 4, Atratividade econômica 3)88. Consolidação de IPs subcapitalizadas (Facilidade de execução 2, Atratividade econômica 4)99. Antifraude compartilhado (Facilidade de execução 3, Atratividade econômica 4)1010. Registro de garantias (Drex) (Facilidade de execução 1, Atratividade econômica 3)1111. Crédito B2B embutido (Facilidade de execução 2, Atratividade econômica 4)1212. Encerramento das bets (Facilidade de execução 4, Atratividade econômica 1)
  1. Score de vínculo no consignado privado
  2. Cobrança pós-desligamento
  3. Capital de giro lastreado em Pix
  4. Conciliação Pix para PMEs
  5. Cobrança recorrente via Pix Automático
  6. Refinanciamento via portabilidade
  7. Conformidade para tomadores de BaaS
  8. Consolidação de IPs subcapitalizadas
  9. Antifraude compartilhado
  10. Registro de garantias (Drex)
  11. Crédito B2B embutido
  12. Encerramento das bets
Fonte: elaboração Instfy
Ver dados em tabela
#ItemFacilidade de execuçãoAtratividade econômica
1Score de vínculo no consignado privado45
2Cobrança pós-desligamento44
3Capital de giro lastreado em Pix25
4Conciliação Pix para PMEs53
5Cobrança recorrente via Pix Automático43
6Refinanciamento via portabilidade24
7Conformidade para tomadores de BaaS43
8Consolidação de IPs subcapitalizadas24
9Antifraude compartilhado34
10Registro de garantias (Drex)13
11Crédito B2B embutido24
12Encerramento das bets41

Critérios: atratividade combina tamanho do problema medido em dados públicos, margem esperada e recorrência; facilidade combina capital necessário, dependência regulatória e prazo. As notas são julgamento da Instfy Inferência, não medição.

O que parece óbvio, mas pode estar errado

"O Pix vai acabar com o cartão de crédito." O crédito no cartão cresceu 12,1% no 1S267 Fato. O Pix substitui o débito e o dinheiro, não o financiamento ao consumo. O cartão de crédito é um produto de crédito com meio de pagamento acoplado Inferência.

"Consignado é crédito seguro." O privado não é, por enquanto4 Fato.

"Open Finance vai derrubar o spread." O spread é dominado por inadimplência3 Fato. Mais dado ajuda a precificar risco, mas não elimina o risco; portabilidade beneficia quem já é bom pagador Inferência.

"Fintechs crescem porque são mais baratas." As que lucram cresceram porque captaram depósito barato e emprestaram com dado próprio810 Fato. As que eram só distribuição ficaram para trás ou viraram FIDC30 Inferência.

"Queda da Selic resolve a inadimplência." A Selic começou a cair em mar/2026 e a inadimplência continuou subindo até ago/202646 Fato. O efeito existe, mas chega com atraso e depende do emprego Inferência.

"Tokenização e Drex vão redefinir o sistema em breve." O próprio BC recuou para uma solução centralizada de gravames na primeira fase26 Fato.

Segunda ordem

1. O fim do recebível de cartão muda o crédito à pequena empresa. A antecipação de recebíveis de cartão era um crédito quase sem risco, porque o lastro era o emissor. À medida que o Pix ocupa o lugar do cartão no balcão, esse lastro encolhe e o crédito ao lojista passa a depender do próprio lojista Inferência. A alta da inadimplência na carteira de credenciadoras é o primeiro sinal11.

2. Quem controla o domicílio de recebimento vira credor preferencial. Com Pix, o dinheiro do lojista cai na conta que ele escolher. A disputa deixa de ser pela maquininha e passa a ser pela conta de liquidação Inferência.

3. A proibição das bets libera renda e altera o fluxo do Pix. Se parte dos R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões mensais estimados em 202424 deixar de ir para apostas, o efeito sobre o consumo e sobre a inadimplência das famílias de menor renda pode ser positivo Hipótese. Também é possível que o fluxo migre para canais ilegais, o que transfere o problema para a fiscalização de PLD.

4. A concentração de dado é a nova concentração bancária. Um banco com 118 milhões de clientes e atividade acima de 86%8 vê a vida financeira diária de mais de metade dos adultos. A vantagem de crédito que vem daí é maior que qualquer vantagem de agência Inferência. O Open Finance foi desenhado para equilibrar isso e ainda não conseguiu28.

5. O regulador pode repetir no crédito o que fez no pagamento. O BC já agiu sobre intercâmbio, rotativo e portabilidade161729. Uma infraestrutura pública de informação de crédito ou de cobrança em folha poderia comprimir margens de crédito como o Pix comprimiu as de pagamento Hipótese.

Cenários

Cenário 2027 2030 2035
Base Selic em queda gradual; inadimplência de PF estabiliza em torno de 8% no crédito livre; consignado privado cresce mais devagar com regras de underwriting mais duras. Sinais: queda da série 21116 abaixo de 8% e taxa média estável. Pix acima de 40% dos pagamentos de varejo; débito em declínio contínuo; 4 ou 5 instituições concentram a maior parte do lucro de varejo. Pix Automático substitui parte relevante do débito automático. Pagamento é commodity regulada; margem do sistema vem quase toda de crédito, float e seguros distribuídos.
Aceleração Juros caem mais rápido; portabilidade via Open Finance ganha escala; spreads de crédito pessoal caem. Sinais: crescimento forte de iniciação via Open Finance e queda da taxa do crédito pessoal abaixo de 90%. Crédito a lojista lastreado em fluxo Pix vira produto de massa; bancos digitais ganham participação relevante no consignado. O cliente troca de credor com a mesma facilidade com que troca de app de Pix; margens convergem para o custo de risco.
Ruptura Inadimplência continua subindo em 2027; perdas no consignado privado forçam reprecificação ou intervenção; uma instituição relevante de crédito digital enfrenta problema de liquidez. Sinais: série 21116 acima de 12% e saída de FIDCs. Congresso fixa tetos de juros para crédito pessoal; BC cria infraestrutura pública de crédito. Crédito ao consumo vira serviço semipúblico com margem regulada; o valor migra para seguros, investimentos e dados.

Tese Instfy

O Pix não destruiu a margem do sistema financeiro brasileiro, mudou o endereço dela. A receita que existia na transação foi para o balanço: conta principal, float e crédito. Entre 2026 e 2030, a vantagem decisiva não será distribuir serviços financeiros mais barato, e sim combinar funding próprio com dado transacional para precificar risco em um ciclo de inadimplência alta. Quem cresceu crédito para compensar a perda da receita de pagamento, sem essa combinação, está entrando no pior momento do ciclo.

O que acreditamos que está acontecendo?

O pagamento virou infraestrutura pública e deixou de ser fonte de margem para quem não tem a conta principal. Isso aparece na queda do cartão dentro das credenciadoras e na estagnação da receita de transação1112 Fato, e na composição do lucro de quem ganhou com o Pix, majoritariamente crédito e float8 Fato. O spread do sistema subiu por risco, não por margem3 Fato. Concluímos que o principal determinante de rentabilidade nos próximos anos é a qualidade da precificação de risco Tese Instfy.

O que o mercado ainda pode não estar precificando?

Que o consignado privado não é um produto de baixo risco Inferência. A carteira triplicou e a inadimplência dobrou em um ano4. Se a hipótese da rotatividade estiver certa, instituições com grande exposição terão perdas acima das provisões em 2027 Hipótese. Também pode não estar no preço a velocidade com que o Pix por QR Code está substituindo o cartão dentro das maquininhas: 44% de crescimento em um ano em uma grande credenciadora11.

Para onde o valor vai migrar?

Para três lugares Tese Instfy: (1) a conta onde o salário e as vendas caem, porque ela gera funding e dado; (2) a capacidade de cobrar, seja por desconto em folha que de fato funcione, por domicílio de recebimento ou por garantias registradas; (3) a conformidade, porque o perímetro regulatório fechado em 2025 transformou licença e controles em ativo.

Quem tende a ganhar?

Bancos digitais com conta principal e funding barato; grandes privados com baixo custo de risco; cooperativas com relacionamento local; fornecedores de tecnologia de risco, cobrança, antifraude e conformidade Inferência.

Quem tende a perder?

Adquirência sem banco; emissores dependentes de tarifa de débito; instituições de pagamento que viviam de arbitragem regulatória; credores que cresceram consignado privado sem modelo de vínculo; operadores e intermediários de apostas Inferência.

O que invalidaria a nossa tese?

  1. Se a inadimplência do consignado privado voltar para menos de 6% em 2027 com a carteira ainda crescendo, a hipótese da garantia fraca cai.
  2. Se a receita de transação das credenciadoras voltar a crescer acima da inflação por dois anos seguidos, a migração da margem para o balanço é menor do que afirmamos.
  3. Se a iniciação via Open Finance e o Pix Automático passarem de 5% das transações do SPI até 2028, o dado deixa de ser vantagem de quem detém a conta principal e a margem migra para quem compara e orquestra.
  4. Se instituições sem depósito próprio (financiadas por FIDC) mantiverem ROE acima de 20% durante o ciclo de inadimplência, funding próprio não é condição necessária.

Indicadores para acompanhar

Indicador Valor atual Confirmaria a tese Enfraqueceria a tese Frequência e fonte
Inadimplência do consignado privado 10,56% (ago/2026)4 Acima de 10% em 2027 Abaixo de 6% com carteira crescendo Mensal, BCB SGS 21116
Taxa do consignado privado 56,34% a.a. (ago/2026)4 Alta ou estável com perda subindo Queda forte com perda estável Mensal, BCB SGS 20744
Inadimplência total 5,04% (ago/2026)4 Acima de 5% em 2027 Abaixo de 4% em 2027 Mensal, BCB SGS 21082
Pix no varejo 29,0% dos pagamentos (2S25)3 Acima de 35% em 2027 Estagnação Semestral, REF
Cartão de débito (TPV) -1,8% no 1S267 Queda contínua Volta a crescer Trimestral, Abecs
Participação do Pix QR no TPV da Stone 21,6% (2T26)11 Acima de 30% em 2027 Abaixo de 20% Trimestral, RI
Pix Automático 8,9 mi transações (set/2026)1 Abaixo de 2% do SPI em 2028 Acima de 5% do SPI em 2028 Mensal, dados abertos Pix
Iniciação via Open Finance R$ 15,3 bi em 202528 Crescimento sem ganho de participação Participação relevante no P2B Anual, Open Finance Brasil
Mix do lucro bruto do Nubank 41% crédito, 34% float, 25% tarifas8 Balanço acima de 70% Tarifas acima de 35% Trimestral, RI
Comprometimento de renda 28,72% (jul/2026)5 Acima de 28% em 2027 Abaixo de 26% Mensal, BCB SGS 29034
Selic meta 13,75% (set/2026)6 Queda lenta Queda abaixo de 11% em 2027 Copom
RC4 do crédito 57,1% (2025)3 Lucro concentrado mesmo com RC4 caindo Dispersão do ROE diminuindo Anual, REF

Implicações

Para empresários

Se você vende com Pix, você não tem mais recebível para antecipar: planeje capital de giro com a instituição onde o dinheiro cai, e não com a maquininha. Negocie o domicílio de recebimento como ativo. Para quem cobra mensalidades, o Pix Automático já é viável e tende a reduzir inadimplência operacional, mas exige régua de cobrança própria.

Para investidores

Separe instituições por composição de lucro, não por número de clientes. O que importa é o peso de float e crédito no lucro, o custo de captação em percentual do CDI e a inadimplência por safra. Exposição a consignado privado deve ser analisada por coorte. Credenciadoras sem banco merecem desconto estrutural enquanto o cartão perder volume dentro delas.

Para executivos

O investimento com maior retorno não está no canal, está no modelo de risco e na cobrança. A decomposição do spread mostra que um terço do preço do crédito é perda esperada3. Em instituições médias, a decisão de construir, comprar ou terceirizar antifraude e conformidade precisa ser tomada antes do fim da transição de capital, em 2028.

Para novos entrantes

O perímetro fechou: capital mínimo nove vezes maior, autorização obrigatória e regra de BaaS182021. Entrar como banco ou instituição de pagamento ficou caro. Entrar como fornecedor de risco, cobrança, dados ou conformidade para quem já é autorizado ficou mais interessante. Para empresas não financeiras, BaaS regulado permite oferecer conta e crédito com marca própria, desde que a conformidade seja tratada como produto.

Conclusão

O Pix cumpriu o que prometia: tornou o pagamento barato, rápido e universal. Ao fazer isso, retirou a margem de um elo inteiro da cadeia financeira. O dinheiro não sumiu do sistema, que lucrou um recorde em 2025. Ele se deslocou para quem tem a conta, o saldo e o dado, e para quem consegue emprestar e cobrar. A próxima fase será decidida em um terreno menos visível que o aplicativo: o modelo de risco, a cobrança e a conformidade. O consignado privado, a carteira de crédito das credenciadoras e o rotativo são os três lugares onde, nos próximos 18 meses, vai ficar claro quem aprendeu essa lição e quem confundiu volume com margem.

Metodologia

Período de coleta: 6 de outubro de 2026. Dados até set/2026 (Pix), ago/2026 (crédito) e 2T26 (empresas).

Como foi feito: extraímos as séries de crédito, taxas, spreads, inadimplência, endividamento e Selic diretamente da API do SGS do Banco Central, identificando cada código pelo serviço de metadados do SGS. Baixamos a base completa de estatísticas de transações Pix (dados abertos, Olinda) e a agregamos por mês, natureza e forma de iniciação. Lemos o Relatório de Estabilidade Financeira de maio de 2026 na íntegra nos trechos de rentabilidade, Pix, decomposição do ICC e concentração. Os resultados de Nubank, Stone e PagBank foram lidos nos releases protocolados na SEC; os do Inter, no release publicado pela empresa; os do Itaú, em cobertura de imprensa econômica. Normas foram lidas no Planalto e no buscador de normativos do BC. Casos internacionais usam fontes primárias de reguladores (CFPB, RBI, Federal Reserve, BIS, World Bank) sempre que acessíveis.

Diferenças de base: os números agregados de Pix (R$ 35,4 trilhões e 79,8 bilhões em 2025) vêm da divulgação oficial do BC via imprensa; a composição por natureza e forma de iniciação vem da base do SPI, que exclui transações liquidadas dentro da própria instituição. Os ROEs das empresas têm bases contábeis diferentes.

Limitações e o que não foi possível verificar: (1) não acessamos o Relatório de Economia Bancária mais recente, e usamos a decomposição publicada no REF; (2) o lucro de R$ 255 bilhões e o ROE de 16,76% de 2025 vêm de cobertura de imprensa citando o BC e estão marcados como indício; (3) as páginas estatísticas da NPCI e do RBI bloquearam acesso automatizado, e o caso UPI usa apenas o Findex como dado verificado; (4) não há dado público de inadimplência do consignado privado por safra ou por tempo de vínculo, o que mantém como hipótese a explicação pela rotatividade; (5) não verificamos o status de propostas tributárias sobre instituições de pagamento nem o regulamento final do Pix Parcelado; (6) a desativação da plataforma piloto do Drex vem de fonte jornalística secundária; (7) números de Open Finance vêm de imprensa especializada citando o painel oficial, que não pôde ser lido diretamente.

Critérios das matrizes: riscos avaliados por probabilidade em 24 meses e impacto sobre a rentabilidade do setor; oportunidades por atratividade econômica (tamanho do problema, margem, recorrência) e facilidade de execução (capital, dependência regulatória, prazo). Notas de 1 a 5, por julgamento da equipe.

Fontes

Dados oficiais

  1. [1] Pix Dados Abertos: EstatisticasTransacoesPix (base completa, agregação Instfy). Banco Central do Brasil, 2026-09. consultado el 2026-10-06.
  2. [3] Relatório de Estabilidade Financeira, maio de 2026 (inclui decomposição do ICC e indicadores de concentração). Banco Central do Brasil, 2026-05. consultado el 2026-10-06.
  3. [4] SGS: saldos, taxas médias, spreads e inadimplência da carteira de crédito (séries 20539, 20541, 20576 a 20590, 20622, 20714, 20740 a 20748, 20783, 20785, 20809, 21082 a 21129, 22022). Banco Central do Brasil, 2026-08. consultado el 2026-10-06.
  4. [5] SGS: endividamento e comprometimento de renda das famílias (séries 29034 e 29037). Banco Central do Brasil, 2026-07. consultado el 2026-10-06.
  5. [6] SGS: meta Selic definida pelo Copom (série 432). Banco Central do Brasil, 2026-09. consultado el 2026-10-06.
  6. [24] Estudo Especial nº 119/2024: Análise técnica sobre o mercado de apostas online no Brasil e o perfil dos apostadores. Banco Central do Brasil, 2024-09. consultado el 2026-10-06.
  7. [37] Pix Dados Abertos: PixUsuariosCadastradosDICT. Banco Central do Brasil, 2026-09-30. consultado el 2026-10-06.

Mercado

  1. [2] Pix movimenta R$ 35 trilhões e bate recorde em 2025, diz BC. Monitor do Mercado, 2026. consultado el 2026-10-06.
  2. [7] Cartões movimentam R$ 2,3 tri no 1º semestre, mostra Abecs. Mercado&Consumo (dados Abecs), 2026-08-19. consultado el 2026-10-06.
  3. [13] Lucro dos bancos bate recorde de R$ 255 bilhões em 2025. Revista Oeste (dados do Banco Central), 2026-06-22. consultado el 2026-10-06.
  4. [15] Crédito do Trabalhador: um balanço do primeiro ano da modalidade. Exame (dados do Ministério do Trabalho e Emprego), 2026-04-21. consultado el 2026-10-06.
  5. [26] Banco Central troca blockchain por gravames na próxima fase do Drex. Convergência Digital, 2025-08-25. consultado el 2026-10-06.
  6. [27] Banco Central desativa plataforma do Drex. Portal de Prefeitura, 2026-08. consultado el 2026-10-06.
  7. [28] Open Finance supera 100 milhões de clientes, mas potencial é ainda maior. Finsiders Brasil (dados do BC e do painel Open Finance Brasil), 2026-02-02. consultado el 2026-10-06.
  8. [29] Open Finance e portabilidade de crédito. Let's Money, 2026-09-19. consultado el 2026-10-06.
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Empresas

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  4. [11] StoneCo 2Q26 Earnings Release (Form 6-K, Exhibit 99.1). StoneCo / SEC, 2026-08-13. consultado el 2026-10-06.
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Regulação

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  2. [16] Lei nº 14.690, de 3 de outubro de 2023 (art. 28, limites ao rotativo do cartão). Presidência da República, 2023-10. consultado el 2026-10-06.
  3. [17] Resolução BCB nº 246, de 26 de setembro de 2022 (limites à tarifa de intercâmbio). Banco Central do Brasil, 2022-09-26. consultado el 2026-10-06.
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  9. [23] Resolução BCB nº 597, de 30 de setembro de 2026 (veda Pix destinado a apostas de quota fixa). Banco Central do Brasil, 2026-09-30. consultado el 2026-10-06.
  10. [25] Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023 (apostas de quota fixa). Presidência da República, 2023-12-29. consultado el 2026-10-06.

Internacional

  1. [31] Global Findex: Account ownership at a financial institution or with a mobile-money-service provider (% of population ages 15+), indicador FX.OWN.TOTL.ZS. World Bank, 2026-07. consultado el 2026-10-06.
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  1. [33] FedNow Service: quarterly and annual volume and value statistics. Federal Reserve Financial Services, 2026-07. consultado el 2026-10-06.
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  3. [35] Enforcement action: Synapse Financial Technologies, Inc.. Consumer Financial Protection Bureau, 2025-09-12. consultado el 2026-10-06.
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Actualizado el 2026-10-07. ¿Encontraste algo desactualizado? Escribe a relationship@instfy.com.